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27 de set de 2017

Primeiro Olhar - Young Sheldon - S01E01 - Piloto


E a série spin-off focado no nerd mais legal e irritante de todos os tempos estreou!

17 de set de 2017

REVIEW- SUITS S07E10- "Donna" (Mid-season finale)



Em uma temporada que começou morna, cheia de eventos desagradáveis e tramas que não se encaixavam, Suits apresentou uma mid-season finale memorável, um episódio que entra para a lista dos melhores de toda a série. “Donna” é um alívio, é a demonstração clara de que este grupo de roteiristas ainda tem a habilidade de criar um episódio com uma trama sólida, envolvente e que vai nos deixar em ânsia pelo fim de mais um hiatus.
Os arcos jurídicos trabalhados nos dois últimos episódios foram muito mais interessantes que todo o enredo legal projetado nos primeiros oito episódios e foi só com eles que eu senti que a sétima temporada tinha realmente começado.
Se nos primeiros episódios dessa temporada Rachel parecia apenas orbitar nas histórias de Mike, nos episódios mais recentes a personagem cresce e firma seu lugar. O caso sobre discriminação é o artifício para explorar o lado profissional de Rachel, mas também o ângulo familiar, indo mais a fundo na sua relação com seu pai e resgatando uma história familiar.
Em um  flashback  de 25 anos atrás fomos apresentados à mini-Rachel, ao jovem Robert Zane (excelente escalação, a propósito) e a Jasmine, a tia de Rachel que sofria assédio do patrão, o infame CEO contra quem a dupla Zane litigava no tempo atual. A situação toda foi uma oportunidade de ver um Robert afetado pelas suas fraquezas, pelas suas culpas, e ver uma Rachel engenhosa e firme, capaz de administrar as questões pessoais e profissionais com equilíbrio. São de Rachel todos os planos para encontrar uma solução para o caso e ela não se abalou nem mesmo quando o sórdido Arthur Kittredge direciona pra ela seu assédio repulsivo.
Repito o que disse antes: esse momento é a oportunidade de mostrar Rachel como mais que o par romântico de Mike. Quando ela tem as próprias histórias, ela pode ser uma personagem grande como qualquer outro no show.
O novato Alex também trouxe uma boa história para este episódio, parecendo ter encerrado as sequelas de ter deixado sua antiga empresa e com o adicional de estreitar a sua relação com Louis – e com seu ditafone. A Bratton-Gould iniciou uma jogada de aquisição da Pfizer por um de seus clientes, ameaçando que Alex perdesse seu maior cliente. Louis trabalhou junto com Alex buscando todas as possibilidades existentes para que isso não acontecesse.
Antes de encontrarem a bela saída da gravação, a dupla tentou incluir o Dr. Lipschitz em um plano que, em termos simples, exigia que ele fingisse ser outra pessoa e simulasse uma negociação. No percurso de tramas que jogam com as escolhas éticas dos personagens, Lipschitz representa o lado mais íntegro, sobretudo se você foca no grupo dos personagens psiquiatras. Lipschitz é competente e profissional e estabelece que fará tudo para ajudar Louis, desde que dentro das paredes do consultório. Lipschitz não confunde relações. Lipschitz reconhece que ainda que algo não viole sua licença, isso ainda pode ser antiético e ele decide por não fazer. Por essas colocações, você já deve ter entendido a quem ele faz um contraponto. E assim, Suits ganha a chance de não se queimar com toda a classe dos profissionais de psiquiatria.
Falando sobre a tal psiquiatra, Mike menciona a Rachel que Paula o telefonou pedindo ajuda para a escolha de um presente para Harvey (Sabe-se lá por que essa mulher insiste em dar presentes a Harvey). Mas ué? Ela precisa de ajuda nisso? Não era ela a pessoa “que deve conhecer Harvey melhor do que qualquer um”? Rachel sabe que não e que ela não pode ligar pra pessoa que melhor conhece Harvey de fato. A conversa com Rachel é o que Mike precisa para esquecer o que Paula pediu ( e a própria existência dela) e ir até Donna instigá-la a declarar o que sente a Harvey. Donna agradece e assegura que ela e Harvey não querem ficar juntos. Ahh...A negação!
Partindo para a trama central do episódio descobrimos logo cedo que a promessa do julgamento simulado feita pelo episódio 9 não vai se cumprir. Utilizando-se do argumento do privilégio profissional, Louis (acha que) conseguiu encontrar um jeito para que Donna escape do depoimento no tribunal, tornando o júri simulado desnecessário ou pelo menos inconveniente do seu ponto de vista e do de Harvey – uma vez que Donna e Mike ainda cogitavam a validade de prosseguir a simulação mesmo assim (e como estavam certos).
Fato é que o argumento não serviu, pois Malik não planejava falar do caso Clifford Danner e sim do Coastal Motors e surpreendeu o time da PSL. O que não era surpresa nenhuma é que Andrew iria se utilizar da relação Harvey e Donna para distorcer os fatos e colateralmente humilhar Donna da maneira mais vil que pudesse. Enquanto todos nós conhecemos seus méritos, sua integridade, sua regra de não se envolver com homens com quem ela trabalha, Andrew conseguiu construir uma versão plausível de que Donna escalou na carreira à base de sexo/ cometimento de ilegalidades. E isso está agora registrado nos autos do processo pra quem quiser ver. Doeu demais ver Donna nessa posição.
Com toda raiva, tristeza e razão, Donna responsabilizou Louis por não a ter preparado como ela pediu. Inicialmente, Louis reagiu na defensiva (como de costume) mas depois reconheceu seu erro (como de costume) e confessou que seu acovardamento tinha a ver com a própria situação amorosa em que estava envolvido naquele momento. Louis se imaginou colocado também no tribunal sendo inquirido sobre suas questões e não foi capaz de fazer o mesmo com Donna. Donna entendeu e aceitou as desculpas. A cena seguiu para um dos discursos mais bonitos da série, no qual Louis falou sobre estar perdendo sua alma gêmea, sobre ela estar com outra pessoa, sobre ele não ter feito nada quando teve a chance, sobre ter que conviver com isso pelo resto da vida. O discurso era sobre Louis mas cabia como uma luva para Donna (ou como um tapa na cara). E ela recebeu a mensagem muito profundamente.
Naquelas circunstâncias de abalo emocional e medo, Harvey entrou no escritório de Donna e ela não teve outra reação se não a de se lançar nele e beijá-lo (Insira seus gritos aqui. Eu ainda não parei de gritar). Harvey não se afastou – aliás se você já repetiu a cena tanto quanto eu, você deve ter visto que ele se inclina na direção dela.  Não foi Harvey quem parou o beijo. Donna se afasta com um pedido de desculpas e nos atordoa mais com a fala “Eu só precisava saber”. Harvey, você e eu terminamos o episódio embasbacados pelo que acabou de acontecer.

1.        O discurso de Louis move Donna a fazer o que fez, mas não podemos esquecer que o aconselhamento de Mike se soma pra ela tomar essa atitude. Obrigada, Louis! Obrigada, Mike!
2.        A cara que Rachel faz quando o nome de Paula é mencionado é a cara daquela sua melhor amiga quando alguém cita alguma dita-cuja que você não gosta. A inimiga da sua amiga é sua inimiga também.
3.        Donna beijou Harvey enquanto ele está em um relacionamento. Sabemos as questões de Harvey com infidelidade e isso terá consequências. Mas o ponto não é que Harvey foi beijado por outra enquanto estava comprometido, o ponto é o que Harvey sentiu no beijo.
4.        Não tem como condenar Donna pelo que ela fez. Não depois de tudo que ela passou e ouviu. Ou ela fazia aquilo ou correria o risco de viver o mesmo pesar que Louis está vivendo. Ela também sabe das questões de Harvey com  infidelidade, mas ela precisava fazer isso por si mesma. Por dez segundos Donna colocou as necessidades dela acima das de Harvey. E ela teve razão em fazer isso. Além do mais, Paula também não foi lá muito leal com ela. Paula ouviu Donna dizer “Harvey não tem ideia do que está perdendo”. Paula sabe onde se meteu mas todos os dias ela escolhe ignorar e comprar presentes.
5.        Interessante como os dois arcos jurídicos trabalharam a questão feminina no meio de trabalho. Umas tendo suas vidas destruída por não cederem ao assédio do chefe, outra sofrendo insinuações de que só cresceu no cargo por favores sexuais.
6.        O efeito colateral da guerra contra Malik foi a perda da licença de Jessica e a provável retirada do seu nome da parede. E o nome da empresa muda mais uma vez. Parece que teremos uma Specter-Litt quando a temporada voltar.
7.   Eu adoro aquele jogralzinho que eles fazem quando vão em dupla falar com os adversários. Um completa a fala do outro. Ninguém interrompe ninguém. Timing correto. Coisa fina.
8.     Sarah Rafferty é o nome dessa temporada.



                 Curta Suits BRASIL!
                 Assista ao teaser da segunda parte da temporada (assiste mesmo, tem o beijo).










9 de set de 2017

REVIEW- SUITS S07E09- "Shame"






Humor, sagacidade e drama. Um rival com despeito de Harvey. Mike e Harvey unidos em um caso. O relacionamento de Harvey e Donna colocado nas entrelinhas. Pearson Specter Litt se alinhando para salvar um dos seus mais uma vez. O episódio 9 da sétima temporada é tudo isso e representa a Suits clássica que amamos. “Shame” é quase um reset na sétima temporada. É a apresentação de um novo caso que na verdade recicla um caso do passado e traz à tona antigos artifícios, antigas relações e antigos dramas.
Mas antes de adentrar na trama central do episódio, também é preciso aplaudir o bom aproveitamento que Suits conseguiu realizar com outras duas relações: Louis/Brian e Rachel/Robert.
Depois de realizar a noite de despedida de Sheila, Louis começou a encarar o constrangimento do erro, literalmente. A referência a Game of Thrones foi incrível. A devaneada caminhada da vergonha de Louis pelos corredores da PSL foi uma das cenas mais hilárias que Suits já fez. A maneira que ele encontrou de fugir do peso na consciência foi mergulhar no trabalho.
O caso da vez foi uma briga de patentes no mercado de chupetas e foi um bom pano de fundo para falar de paternidade, tanto o lado paternal do associado Brian como o lado paternal de Louis diante de seu associado. O surto de Brian quando teve sua competência como pai questionada foi admirado por Louis, mas logo depois ele pode ver melhor como se deixar afetar pelo emocional pode se tornar prejudicial ao trabalho. Nesse sentido, Brian serviu de ilustração para Louis e lhe ensinou uma lição. E Brian também não saiu dessa sem aprender nada.
Se tem alguém que foi essencial para cada um deles extraísse algum aprendizado disso tudo, esse alguém é Gretchen. A personagem teve a braveza de enfrentar o próprio chefe e lhe apontar todos os seus erros, ao mesmo tempo que foi extremamente leal a ele e o defendeu perante Brian. Meus aplausos para ela.
O encerramento da temática da paternidade desse episódio não poderia ter sido feita de forma mais doce. Brian deu a oportunidade de Louis se sentir pai por algumas horas e acredito que tanto um como um outro saíram gratos com isso.
Mas ainda falando de paternidade, tem me alegrado muito ver mais da relação de Robert e Rachel. Os momentos entre pai e filha tem sido adoráveis e o caso em que eles estão trabalhando ainda abre espaço para discussões tão importantes como o racismo.
Tem sido interessante ver Rachel com enredos próprios, separados de Mike. A personagem comumente é vista como chata, chorona, mas é preciso reconhecer que quando ela está envolvida em tramas próprias (como na sexta temporada e nos episódios mais recentes dessa sétima) ela tem cumprido bem o seu papel e eu não tenho reclamações.
No plot central do episódio, Mike, pretendendo recompensar a bagunça que causou nos últimos dias, trouxe para Harvey o caso que gritaria ao mundo quem é o novo rei da PSL e o que ele é capaz se fazer. A estratégia foi arrumar briga com o novo Vice-procurador, que ganhava a fama de estar arrasando com os empresários de Wall Street. A surpresa ficou por conta da descoberta de que o adversário escolhido acabou não sendo um figurão qualquer, mas alguém que conhece bem a Harvey e que nutre por ele uma boa dose de ressentimento e inveja. Na perfeita definição de Mike, Andrew Malik é a mistura de Louis Litt e Elliot Stemple (o carinha da gravata borboleta que levou embora o quadro de Harvey).
Assim como aconteceu na Pearson, na Promotoria Harvey também causou predileção de um lado e rancor do outro. Mas enquanto Louis ainda vê Harvey como um verdadeiro amigo, Andrew não tem nenhum afeto que obstrua sua caçada. Ter acompanhado Harvey de perto, na verdade, lhe deu a oportunidade de conhecer os pontos fracos e as relações que podem ser usadas para abalá-lo.
No curso do caso de alienação fraudulenta contra a cliente de Harvey, Andrew resolveu lançar a carta do desprestígio ao advogado levantando a questão de que Harvey estaria omitindo provas (Alguém andou fazendo aulas com Travis Tanner). De acordo com o que Harvey deduziu, o caso que Andrew pretende trazer como referência do comportamento de Harvey é o de Clifford Danner, condenado inocente e retirado da cadeia por Harvey depois que ele descobriu que seu chefe, Cameron, escondeu evidências. Como ele pretende provar isso? Trazendo para testemunhar a pessoa que presenciou os fatos do processo: Donna.
Com a intimação de Donna e a necessidade de prepará-la tivemos a promessa de retorno do julgamento simulado. Os julgamentos simulados sempre representaram uma das grandes marcas da série e, no passado, já nos renderam excelentes cenas.  A expectativa agora não é só de reviver esse trope, mas sim ver também Louis usando de novo (desta vez com autorização) de todas as questões pessoais que ele sabe a respeito de Donna (e Harvey) para ajudá-la a se preparar para o depoimento. E vamos combinar, Louis sabe de muita coisa.
É quando um dos nossos favoritos está em risco que Suits realmente fica interessante. Harvey está em perigo, mas além disso a cortina que cerca os sentimentos entre ele e Donna também corre um risco alto de se rasgar. Na segunda temporada, em que nós ainda não tínhamos nenhuma informação sobre o passado desses personagens, Louis já deixou todos atônitos perguntando se Donna amava Harvey. Imaginem o que pode acontecer agora, depois de tudo o que já sabemos, depois de tudo o que Louis sabe, depois de tantos episódios focados no abalo de Donna com o novo relacionamento de Harvey.
O nono episódio dessa temporada foi sim muito bom mas a melhor qualidade dele é ser uma promessa de que o próximo será fantástico e teremos uma mid-season finale memorável.


 Notas:
1. “O que você está fazendo aqui, Mike? Eu não tenho tido a chance de aproveitar meu café da manhã há semanas”. Oh!! Parece que Harvey não curte muito o café que Paula faz.
2. Suits não quer que esqueçamos o quanto Harvey valoriza o conceito de família. No convite feito a Rachel, Robert teve de repetir as palavras de Harvey quanto ao pedido de Zane de trabalhar com a família: “Claro, Robert! Como eu poderia ficar no caminho disso?”
3. Donna se arrepende de ter colocado Harvey acima dela mesma.. Guardem isso, pois pode ser uma informação importante para prevermos os rumos dessa relação.



Curta Suits BRASIL!

Assista a promo do próximo episódio, Donna: 



1 de set de 2017

REVIEW- SUITS S07E08- "100"



"Mas o que você não entende  é como é descobrir duas vezes no mesmo ano que a pessoa que
você achava que era o amor da sua vida não te quer."
"Eu entendo mais do que você pensa
"



Poucas séries conseguem atingir o invejável marco de cem episódios. As que conseguem com certeza foram capazes de arrebatar um grupo fiel de fãs que lhe dá apoio por todo esse tempo. Por isso, os centésimos episódios das séries costumam ser marcados por um evento muito aguardado pelos fãs, pelo retorno de algum personagem querido do passado, pela simples reunião dos personagens em torno de um momento especial, enfim, por qualquer coisa que reacenda a paixão dos fãs, que os relembre do que eles amam na série e que os faça sentir como um aniversariante recebendo um presente. Não foi isso que Suits fez em seu episódio (criativamente) intitulado “100”. Qualquer um que resolver maratonar a sétima temporada na Netflix no próximo ano, não fará ideia de que se tratava de um episódio especial (a não ser pelo título).  É só mais um episódio de Suits. É só mais um caso jurídico se fechando. E nem é um caso dos bons.
A lenta construção da trama jurídica dessa primeira parte da temporada só mostrou a sua dimensão na semana passada, dando sinais leves de que podia empolgar. Mas mal ela atingiu esse ponto, o episódio dessa semana já tratou de fechar o caso. Antes que pudéssemos ser fisgados pela história, antes que as complicações realmente atingissem níveis em que nos importássemos. Tal qual Robert Zane, eu não dou a mínima para Alex Williams. Suits não me deu tempo ou desenvolvimento para isso. Para ser ainda mais sincera, essa foi uma vez em que ver tudo ser resolvido na canetada e pilhas de dinheiro foi frustrante. Só não vimos os vilões irem para a cadeia porque isso arrastaria Alex junto, mas, de novo: quem se importa com Alex Williams?
O caso não permitiu nem mesmo ver o time todo da PSL reunido em um mesmo propósito, com cada um executando a tarefa de um plano que se encerraria com um desfecho e ficaríamos extasiados com o poder dessa equipe. A trama do episódio, na verdade, dividiu os personagens em três caminhos: o primeiro com Harvey, Mike, Robert – e, sim, Rachel – lidando com o caso da prisão; o segundo com Louis levando outra pancada da vida quando seu passado resolveu reaparecer de repente e o terceiro com Donna também se afundando mais em aspectos emocionais de sua vida (esses dois últimos caminhos se relacionando e entrando em paralelo).
A trama jurídica teve como ponto positivo trazer para a tela a discussão de temas importantes como a encarceramento da população negra. A briga foi entregue nas boas mãos de Robert Zane e ele lidou com o caso de forma brava e admirável. A discussão é importante e ver a série se importar com temas sociais é algo respeitável.
Vale ainda mencionar que Robert fez um verdadeiro milagre com Frank Gallo ao trazer à tona algo de decente nesse personagem. Por toda a sentimentalização em torno de Gallo e a busca do perdão da sua filha, confesso que uma pequena parte de mim até lamentou a sua morte.
A personagem de Rachel também teve participação essencial nesse caso e foi um alívio vê-la, finalmente, ter um papel mais significativo nessa temporada. Com sua postura, Rachel deixou claro o seu valor como advogada e como uma mulher forte que não precisa ser protegida o tempo inteiro.
No campo do drama do episódio tivemos o retorno de Sheila Sazs jogando a bomba na cara de Louis de que estava noiva, e não só isso, também tinha deixado Harvard pelo tal noivo. Em seguida, Sheila conturbou ainda mais a situação lançando a proposta indecente de uma última noite com Louis em um telefonema que eu ainda não decidi se meu deu mais gargalhadas ou traumas. Proposta que Louis foi incapaz de resistir tamanha a infelicidade que tem lhe acontecido nos últimos tempos.
Em paralelo, Donna tentou uma reaproximação com seu ex-namorado Mark no melhor estilo “Oi, sumido!”. Nessa trama, ainda senti que Suits pecou por apresentar que Donna e Mark tivessem uma conexão tão profunda (em um namoro de seis meses) e os espectadores não tiveram, realmente, uma oportunidade de ver isso acontecer. O espectador só teve que aceitar por uma brevíssima construção de dois episódios que, sete anos depois do término, Donna e Mark ainda pensavam bastante um no outro.
Acontece que agora Mark está casado. Isso porém, não o impediu de seguir adiante e propor a Donna um papel de amante (que, felizmente, ela não aceitou), já que ele era infeliz no casamento. Sinto muito por Donna. Dos homens que vimos ela se envolver, um era assassino, o outro está casado e usando a velha conversa do “Meu casamento é uma droga. Durma comigo.” e o terceiro tem sérios problemas de relacionamento e está tentando substituí-la pela própria terapeuta.
Depois de dias sem retornar as ligações da não-terapeuta (eu me recuso a chamar de namorada porque realmente não consigo levar esse relacionamento a sério) Harvey a telefona segurando as chaves que Donna lhe devolveu dias atrás – interessante, Donna devolve as chaves e Harvey fica dias sem falar com Agard. Não posso deixar de destacar a falta de orgulho próprio de Paula que como uma adolescente boba ignorou o gelo, foi toda sorrisos e imediatamente marcou um jantar (mas ok, isso é bobagem pra quem já reconheceu que ele tem sentimentos por outra mulher).
O jantar celebra os dois meses que Paula e Harvey estão juntos (que a propósito, Harvey não lembrou; embora ele tenha lembrado dos seis meses de namoro de Donna e Mark no episódio passado...hum, interessante também). Na ocasião, Paula ganha dele as cópias da chaves do apartamento de Harvey. Sim, aquela mesma chave que Donna devolveu. Estariam os escritores dando um sinal material do processo de transferência que Harvey está fazendo? Ainda me pego fazendo esse tipo de especulação, mas admito que está ficando cansativo e não vejo a hora de Suits começar a vocalizar e dar explicações mais literais.
Suits escolheu fazer seu episódio especial sem entregar qualquer coisas que os fãs ansiassem por ver. E eu sei que o público de Suits tem opiniões diferentes sobre o que eles queriam ver mas não enxergo nenhum segmento realmente satisfeito com o que foi mostrado. Pra quem assiste pelos grandes casos jurídicos, esse não foi um dos mais interessantes. Pra quem gosta do relacionamento de Mike e Rachel, as cenas românticas/sensuais foram esquecidas. Pra quem gosta do bromance de Harvey e Mike também não houve muito. Pra quem ainda espera por Darvey, não houve sequer uma cena em que os dois personagens interagissem.


Notas:

1. Suits provavelmente nunca vai parar de falar sobre adultério.
2. Uma cena entre Donna e Paula era algo que eu queria mesmo ver. Achei impagáveis as alfinetadas e as nítidas expressões de irritação de Donna.
3. Enquanto Robert ia pra cima de Harvey eu xingava Mike por tentar impedir. Alguém ia finalmente vingar a raiva que tenho tido de Harvey nessa temporada.
4.  Outro dia Mike achava que Oliver já estava um pouco crescido para gostar de quadrinhos. Imaginem que Mike pensa que ele e Harvey são os próprios Batman e Robin.
5. Tantas aparições de Jessica Pearson nessa temporada, mas justo quando mais queríamos ela não apareceu
6. A direção de Patrick Adams foi mais uma vez espetacular e dou destaque a duas cenas. A primeira é a transição do vídeo de Frank Gallo do tablet para a filmagem real. O efeito foi realmente bom. A segunda é a sequência em paralelo das cenas de Louis a caminho de decidir entre a integridade moral e um breve momento de felicidade. O enquadramento da câmera e o ritmo da cena deram o tom necessário pra alimentar a tensão do espectador.
7. Mais uma vez Sarah Rafferty brilhou. A atuação de Sarah salta aos olhos principalmente quando ela não precisa abrir a boca. A expressividade de Donna falou por si só.
 Curta Suits BRASIL!

Assista a promo do próximo episódio, Shame (fique livre para fazer sua piada sobre o título):




26 de ago de 2017

REVIEW- SUITS S07E07- "Full Disclosure"





Você lembra daqueles momentos em que estava assistindo Suits e via o pessoal da Pearson se meter em uns problemas tão intricados que você pensava: “Ferrou! Não tem como saírem disso. O que eles vão fazer?”. Pois é. Aconteceu de novo. De uma forma muito inteligente, os enredos sobre o caso da prisão, sobre  a chegada de Alex Williams e sobre o passado de Harvey e seu amigo se combinaram e criaram um plot sólido e estimulante.
Voltando sete anos, época em que Harvey ainda era um associado demandando o título de sócio-júnior, descobrimos as histórias que conduziram Harvey a, hoje, se sentir em débito com Alex. Harvey, para quem a palavra e a lealdade são tão importantes, acabou voltando atrás no compromisso que fez com Alex de deixar a empresa de Jessica e partir para a Bratton Gould. Essa foi mais uma das vezes em que vimos como Harvey enxergava em Jessica a figura materna que o protegeria dentro da empresa. Quando começou a se sentir desrespeitado e desvalorizado no escritório, Harvey decidiu que era o momento de seguir adiante, porém, mais uma vez a série trouxe à tona o valor que mais importa para ele: Família. E isso foi o que reverteu a decisão do advogado. Harvey muda de ideia somente quando vê Jessica agindo de forma protetiva e se dispondo a um sacrifício por ele. Entre lealdade e família, Harvey escolheu o a segunda, mas isso não quer dizer que ele não se sentiu culpado por ter quebrado a palavra com o amigo. Harvey declarou-se seu eterno devedor, mas só nos dias atuais é que descobriu o tamanho do débito.
Depois do fiasco em tentar trazer Harvey para sua empresa, Alex entrou para a lista negra de seu chefe e foi colocado numa rotina exaustiva de trabalho inútil até, por fim, restar comprometido em um caso criminoso. Que é, afinal, o caso em que Mike tem trabalhado. O esquema era mais ou menos o seguinte: Os detentos da Reform Corp (rede de penitenciárias) trabalhavam para a construção de novas prisões feitas pela Masterson (empresa de construção cliente de Alex); o custo da mão-de-obra era na verdade 1/5 do valor que era declarado ao governo; assim, o valor que o governo pagava em excesso era dividido entre as empresas. As brigas dentro das prisões eram manipuladas para estender as sentenças e garantir mais mão-de-obra. Tudo isso com o aval do escritório Bratton Gould. Quando Alex descobriu o conluio viu também que já estava afundado até o pescoço nessa situação. Cada comissão do advogado foi associada a datas chave do processo criminoso e assim, quando alguém resolvesse investigar os fatos, acharia que ele estava orquestrando tudo.
Harvey precisou parar Mike de alguma forma e o jeito que ele encontrou foi passar a representar também a Reform Corp. Desse modo, todas as provas que Mike tinha encontrado não podem mais ser usadas pois estão protegidas pelo sigilo profissional. Mike já está a par de toda essa situação, mas pela reação que vimos não parece que ele está muito disposto a abandonar o caso. O que ele precisa é de uma forma de continuar a caçada e não prejudicar Alex e eu não faço ideia de como isso é possível (se é possível).
                Tivemos uma sexta temporada inteira de Harvey se sentindo culpado por Mike ter ido para a cadeia e virando mundos para tentar recompensar isso. Agora a história se repete com Alex. Quando foi com Mike, a trama teve pontos cansativos, me preocupo mais agora que é com Alex, um personagem que mal conhecemos e não podemos dizer que nos importamos muito. Até o momento, os roteiristas construíram algo que ainda prende meu interesses, mas talvez seja melhor ter algum dos nossos personagens veteranos também correndo riscos nesse drama.
Os flashbacks desse episódio foram além para explicar as situações emocionais de outros personagens: Louis e Donna.
Sobre o primeiro descobrimos pontos interessantes como quando ele começou a frequentar a terapia e como ele iniciou a supervisão dos associados. Era de se esperar que Louis não tivesse recebido o título de sócio-júnior com humildade, ainda mais perante Harvey. Como ele disse na terapia, é o respeito de Harvey que ele mais busca em meio a todas as outras pessoas. Dr. Lipschitz explica que o sentimento de desrespeito de Louis é interno e ele o projeta nas pessoas à sua frente; estas, por sua vez, desrespeitam de volta. O psiquiatra esclarece que não fará o mesmo que essas pessoas. O trabalho do psicanalista de Louis é realmente admirável e eu me pergunto por que trazer numa mesma temporada dois psicanalistas em núcleos diferentes, aparentemente sem nenhuma relação entre si? Um numa relação profissional absolutamente saudável, ética e irretocável. A outra vivendo uma relação amorosa com um ex-paciente, numa situação moralmente (eu diria eticamente também) questionável, e num quadro de cegueira em seus conhecimentos profissionais. Os sentimentos de projeção que Harvey lançou para Paula, ela os lançou de volta. A opção por criar estas tramas com os personagens de Paula e Lipschitz me parece uma algo intencional para traçar um anti-paralelo.
Nos flashbacks  de Donna vimos mais como sua vida sempre esteve tão conectada à vida de Harvey e como isso pode ter sido um peso em alguns momentos. Quando Harvey começou a trabalhar a ideia de deixar a Pearson ele nem cogitou a possibilidade de Donna não querer ir com ele, por isso ele nem a consultou a respeito. Claro que Donna não gostou disso, não que ela realmente não fosse acompanhar Harvey para onde ele fosse, mas não dar a ela a oportunidade de decidir é ofensivo.
O incômodo com essa situação fez Harvey ser o assunto desagradável surgindo no meio do aniversário de seis meses de namoro de Donna e Mark. Ainda que ela tenha pedido para que Harvey não interrompesse o encontro, Donna acabou auto-sabotando seu momento e seu relacionamento. Mark confrontou Donna e seu sentimento de ligação a Harvey indagando que se ela não poderia separar-se dele para optar por ficar no trabalho que ela amava, então ele questionava se era o trabalho mesmo o que ela amava. Quando Donna não pode prometer que não vai seguir Harvey pelo resto de sua vida, Mark tem sua resposta e é o fim do relacionamento. Caso você não se lembre, Mark é provavelmente o namorado de Donna citado por Louis julgamento simulado do episódio 2x7 (Sucker Punch), na cena que resultou na torturante sequência de “Você ama Harvey Specter?”.
Tudo tem sido desenhado para mostrar que Donna não faria hoje as mesmas escolhas que fez no passado. A chave devolvida na semana passada foi o sinal de que Donna quer seguir em frente. Mas quando os roteiristas pintam todas as placas para uma direção eu começo a pensar que eles na verdade vão seguir no sentido oposto.
Na próxima semana teremos o centésimo episódio!

Notas:
1. Corrigindo o que eu disse em reviews anteriores, Dr. Lipschitz é alemão e não inglês. Aparentemente eu não sei  muito sobre sotaques.
2. Tem me incomodado o fato de Rachel não ter um plot próprio nessa temporada. Ela só está ali, orbitando.
3. Quem compra um cartão-presente para o aniversário de seis meses de namoro da secretária? Quem?
4. Excelente a sequência em paralelo sobre o segredo de Alex: Donna x Harvey/ Mike x Alex.
5. Gina Torres não saiu realmente da série, ela só quis fazer com que suas aparições fossem ainda mais especiais.


 Curta Suits BRASIL!

Assista a promo do próximo episódio, 1oo:


21 de ago de 2017

REVIEW- SUITS S07E06- "Home to Roost"






Não tenho outro jeito de começar essa review senão dizendo: MELHOR EPISÓDIO DA TEMPORADA! Texto brilhante, incrível trabalho de direção, trilha sonora no ponto e enredos chegando na temperatura que gostamos de ver. Suits parecia estar vindo em banho-maria nessa sétima temporada, adicionando seus ingredientes em um ritmo lento demais para o que conhecemos como o padrão da série. Havia um risco alto de ninguém mais se interessar nessa receita. Não quero já dizer que tudo se mostra resolvido com Home to Roost (porque nunca se sabe), mas é inegável que esse episódio me deu esperanças (e altas) de que o restante dessa temporada será muito melhor do que vimos nos primeiros episódios.
O título “Home to Roost” refere-se à expressão “Chickens come home to roost” (Galinhas voltam para o poleiro). Em bom português, trata-se da famosa lei do retorno. O que nossos personagens andaram fazendo nos episódios anteriores voltou direto sobre eles com seu preço.
Louis  foi o  primeiro a receber sua fatura (Louis lidando com o carma não é nem uma novidade). Stephanie, na sua razão, resolveu processar o sócio da PSL pelas coisas terríveis que ouviu dele. Em outros tempos poderíamos esperar Louis enfrentando isso com uma resposta ainda mais agressiva, mas agora parece mesmo que estão querendo desenvolver uma redenção e evoluir o personagem. Ainda que ele tenha tido seu momento de soltar os cachorros pra cima da ex-associada, isso não soou mais como seu comportamento habitual, mas sim uma recaída (da qual ele se arrependeu e consertou). Louis foi consciente de que precisava eleger uma outra pessoa para lidar com o conflito (e palmas para Rachel pela escolha de Katrina), teve hombridade para reconhecer seus erros e coragem de expor suas vulnerabilidades mais íntimas. É preciso notar que é um avanço enorme para o Litt problemático que conhecemos. Louis sempre será Louis e vez outra ainda deverá dar umas escorregadas, mas parece que não transitaremos mais entre o amor e o ódio pelo personagem de um episódio para o outro.
Mas se a birra por Louis diminui, a por Mike aumenta. Movido pelos seus belos ideais – que tranquilizam sua mente, fazem ele se enxergar como mais honrado que seus colegas da advocacia corporativa e lhe permitem dormir como um bebê –, Mike está se afogando na inconsequência de suas ações. Vejam, não se trata de julgar Mike por ele ter escolhido defender  o lado mais fraco , o fato é que ele não escolheu um lado de verdade. Ele quer ser defensor dos oprimidos mas não se privando dos benefícios de trabalhar também para o lado opressor. Mike quer chupar cana e assoviar. Mesmo tentando ser leal aos seus princípios, Mike acaba falhando nas duas missões. De um lado, ele descumpre a palavra que deu a Harvey, compromete Rachel e coloca seus amigos em perigo quando faz apostas altas com Gallo. Tudo isso não parece uma postura muito grata por tudo que foi feito em favor dele. De outro lado, Mike também falha com aqueles que ele tentava ajudar. A sua imprudência é a razão das coisas não terem se resolvido e no caminho que vai, não está muito longe dele destruir por completo a chance dessas pessoas encontrarem justiça.
A sorte de Mike é que Alex Williams também não parece muito limpo nessa história e essa pode ser a chance dele mudar o rumo das coisas a seu favor (a favor dos seus clientes, a favor de sua amizade com Harvey).
Falando em Harvey, a sua decisão despropositada de começar um relacionamento  com a ex-terapeuta também fez o advogado brincar de verdade ou consequência; e ele acabou tendo dos dois. Harvey vinha mantendo o relacionamento fora do conhecimento de Donna (por que será, hein?) e numa cena que, sem dúvida, quis traçar um paralelo com a cena do seu sonho do 6x11, ele resolveu ter uma conversa consulta com sua não-terapeuta sobre o assunto. Paula, obviamente, reforçou que ele deveria contar a verdade. As confusões causadas por Mike acabaram atrasando a confissão de Harvey e isso acabou desembocando em uma DR que eu estava ansiosa para ver acontecer. Paula disse em voz alta o que se passa entre Harvey e Donna, que Donna o ama, que ele tem sentimentos por ela (vamos combinar que ela foi eufemista aqui só para não ferir o próprio ego).
A sétima temporada me ensinou a não gostar de Paula Agard. Não por ela ser o entrave atual atrapalhando meu ship. Longe de mim odiar uma personagem feminina por isso. O problema é terem apagado a integridade profissional de Agard pelo belo par de olhos de Harvey. O problema é ela, enquanto psiquiatra, ter perdido sua percepção clínica e não notar (ou escolher ignorar) que Harvey ainda tem questões a resolver, que Harvey nunca concluiu a terapia de fato e só deixou as consultas porque “Donna voltou para ele”. O problema é ela ter tão pouco amor-próprio a ponto de entrar num relacionamento em que ela sabe que o outro está envolvido sentimentalmente com outra pessoa e vice-versa. O problema é Paula estar arrotando um discurso de sinceridade quando ela mesma não está contando a Harvey de seu encontro com Donna, de Donna dizendo que “Harvey não sabe o que está perdendo” (o que é, na verdade, a única evidência que Paula tem de que Donna ama Harvey). Tudo o que me fazia admirar Paula como uma personagem feminina forte se foi e isso é lamentável, mesmo que eu veja que a história que construíram com ela é para desenvolver a história de Donna e Harvey.
Mas, enfim, depois de ter ouvido as palavras de Paula, de não ter se ofendido ou negado nada sobre o que ela disse sobre sentimentos entre ele e Donna (aconselho que você reveja a cena e note como Harvey quase que pede para que Paula explique a razão deve ter dificuldade de contar a Donna, para que ela diga em voz alta o que se passa ali. Outra consulta), Harvey abre o jogo com Donna e a cena não poderia ser mais incrível. Donna conteve uma decepção com um sorriso e fez toda a sua coisa de Donna de identificar os sinais que deduravam Harvey, mas ela mesma só se dava conta de tudo isso enquanto falava. A cabeça de Donna sabia de tudo, o coração escolhia não ver nada. Harvey, claro, acreditou que Donna já sabia (mas fez cara de "Poxa, Donna. Você nem se abalou. Paula disse que você me amava"), Paula se surpreendeu e ficou com um pé atrás.
 A superioridade de caráter de Donna é algo notável. Mesmo machucada com a notícia, mesmo odiando ter ficado “incomodada” com isso, Donna odiou ainda mais esconder algo de Harvey. Ela precisou contar a ele que sim, a novidade a pegou de surpresa, que sim, ela se abalou com isso, que não, não “significa que...” (e significa o que, seus idiotas?). Donna devolve uma chave do apartamento de Harvey (que nem sabíamos que ela tinha) como uma sinalização de que ela estava fechando aquele ponto e seguindo em frente. Será? A inclusão dessa chave só me faz pensar que há uma história do passado a ser contada e/ou uma história do futuro sendo construída.



         Notas:
1.    As escolhas de direção para a cena entre Harvey e Paula no quarto são muito interessantes no ponto de que contrastam totalmente com a cena do sonho de Harvey (6x11). No sonho o quarto era ensolarado e a iluminação quente, já nessa cena o ambiente é frio e as cores estão mais fechadas. Donna usava branco, Paula preto. Donna trazia duas xícaras, Paula só trouxe a de Harvey (relacionamento unilateral?). Naquela cena o clima era feliz, nessa as expressões são de preocupação
2.    Que ideia de gênio aquele enquadramento dos escritórios de Donna e Harvey lado a lado, eles dois com caras de sofrimento/arrependimento/ desgosto pela vida, Harvey voltando seu olhar para o escritório de Donna.
3.    A referência a Harriet Specter e Michelle Ross me fez muito feliz. Adoraria ver essa dupla em ação de novo. Alias, tenho achado importantíssimo esse destaque maior na amizade entre Donna e Rachel.
4.    Louis Litt sabe ser adorável quando quer. A roupinha de bebê com a inscrição “you just got spitt up” vai para a lista das coisas mais fofas que já vi.
5.    Oliver começou a crescer? Começou a fazer valer os anos gastos na faculdade? Amém por isso!
6.    Esse episódio foi escrito por Sandra Silverstein que, a propósito, ela é brasileira.

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11 de ago de 2017

REVIEW- SUITS S07E05- "Brooklyn Housing"







Enquanto na semana passada Suits tratou de posicionar cada personagem em seu devido lugar, o quinto episódio da S7 conseguiu mostrar de forma mais clara quais são as tramas que envolvem essa temporada. E advinha só o que temos...SEGREDOS! Figurinha repetida em Suits? Sim, mas funciona.
Mais uma vez Mike resolve encarar o suspense de esconder um segredo e mentir para todos a sua volta. Mas dessa vez Harvey não é seu parceiro na empreitada, pelo contrário, ele é a principal pessoa alheia à verdade. Contrariando sua palavra e seu compromisso formal, Mike voltou a trabalhar no caso da prisão. Mike mentiu para Rachel, mentiu para Harvey, mentiu para Nathan. Este último não caiu na balela. Nathan parece já ter entendido que Mike não se preocupa com quais linhas tem que cruzar quando se trata de cuidar de um caso com o qual ele se importe. Bonitas suas intenções, mas seus meios não. Mike se esqueceu do quanto lealdade é essencial para Harvey? Eu não teria a certeza que ele tem de que Harvey não o demitiria. Mike está descumprindo não só um, mas dois acordos. Um, de que deixaria o caso da prisão, e o segundo, de que dividiria seu tempo entre a clínica e a PSL. Mas o que vimos é que o caso pro bono está lhe ocupando quase que integralmente. Como Rachel lhe disse, Harvey o trouxe de volta por uma razão, e se Mike não está lá quando ele precisa, de que adianta? Enquanto as coisas continuarem assim, Mike é apenas uma torneira aberta vazando dinheiro da PSL.
O caso da prisão trouxe de volta uma figura conhecida da sexta temporada, Frank Gallo.  O antigo colega de prisão de Mike tem como contribuir para o caso da clínica, mas isso terá seu preço. O que parece é que Mike está disposto a pagar qualquer que seja, uma vez que até cogitou tirar Gallo da cadeia. Perdeu a noção do perigo, literalmente.
Enquanto Mike esconde o jogo de um lado, de outro, Harvey também está mantendo segredos de alguém.
Tivemos o sócio-gerente pedindo que Louis cuidasse de uma questão judicial de sua não-terapeuta e assim, o famigerado relacionamento saiu do sigilo (mas não para todo mundo ainda). A situação me lembrou muito de quando Harvey lidou com o caso de Esther a pedido de Louis, inclusive com o pedido de que a outra parte não tentasse se envolver no caso ou ainda com eles enxergando situações das suas próprias vidas nos casos dos clientes.
Confesso que a promo do episódio me enganou e eu esperava que o que Agard estava escondendo de Harvey fosse algo mais chocante. Mas aquela história de que Harvey saber que Paula foi traída poderia fazer ele vê-la como uma mulher indigna de ser amada??Sério? Quem pensa assim? Logo Harvey pensaria assim? Não sei o que estava passando na cabeça de Paula durante as cinquenta horas de terapia que ela teve com Harvey (as fantasias com ele, talvez?), mas se tem alguém que ele enxergaria com maus olhos num contexto de traição, com certeza não seria o traído. Eu realmente admirava a psiquiatra da quinta temporada, mas na sétima, Paula destoa tanto que eu não reconheço como o mesmo personagem.
Enquanto essa história se desenrolava, um alarme piscava na cabeça de Donna. Ela sabe que tem algo estranho acontecendo, ela só não sabe ainda o que é. Interessante como o episódio fez questão de frisar que o relacionamento de Harvey está sendo escondido de Donna. Consigo me lembrar de pelo menos quatro cenas em que o assunto é enfatizado: 1) Louis perguntando a Harvey se Donna sabe de Paula; 2) Donna indagando Louis; 3) Donna indagando Harvey; 4) Donna falando “nós não mantemos segredos uns dos outros” para Harvey (e nessa hora Harvey quase abriu um buraco no chão). Nunca nenhum relacionamento amoroso de Harvey foi apresentado como algo que pudesse abalar Donna, nunca passou longe do conhecimento dela. Se as coisas são diferentes agora, com certeza há uma intenção narrativa por trás disso.
Até agora a sétima temporada me parece um delicado castelo de cartas prestes a ir ao chão a qualquer momento. E eu não vejo a hora de alguém assoprar.


Notas:


1. Louis é uma bomba-relógio de informações. Ele sabe do novo namoro de Harvey, ele sabe que Donna e Harvey já dormiram juntos, ele sabe dos ataques de pânico. Para uma pessoa que está instável psicologicamente, isso pode ser a receita da confusão.
2. Acho que eu ainda não falei aqui do quanto eu gosto do Dr. Lipschitz. Eu gosto muito. Um exemplo de paciência e profissionalismo.
3. Mais um psiquiatra inglês entrou na lista. Realmente a nacionalidade deve ser pré-requisito.
4. Alerta! Donna usando terno! Repito! Donna usando terno!
5. Espero que Donna não precise mais repetir para Harvey que ela agora é COO e não secretária dele. Espero que Harvey não continue resistindo a dar voz a ela nas decisões que cabem ao cargo dela também.
6. Qual o propósito do subplot com a Holly? Só reafirmar o cargo de Donna ou a personagem volta para acrescentar algo?
7. “Do you work in Business Affairs?” “No, I work in suing your ass for trying to pass off Galvadyne's solar panels as your own”. Que saudade que eu estava do Harvey sassy!
8. "Psiquiatras não sabem tudo, você sabe" "Estou começando a perceber isso". Vocês conhecem uma pessoa nessa série que sabe tudo? Pois é, também conheço.
9. Nesse episódio Oliver se revelou uma pessoa mais ajuizada do que Mike.
10. Alguém me confirma que Mike parou de usar maconha? Porque a ideia de querer tirar Gallo da prisão me convence do contrário. Uma vez que Gallo esteja fora da cadeia ele vai tentar matar Mike, ou vai tentar matar Harvey, ou vai tentar matar Donna (para atingir Harvey). E aí Harvey vai querer matar Mike. E Donna também vai.  De qualquer jeito, Mike seria um homem morto e o nome da série é Suits e não How to Get Away with a Murderer.

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5 de ago de 2017

REVIEW- SUITS S07E04- “Divide and Conquer”




Eis que é chegado o episódio em que eu não passarei metade da review criticando Harvey. Finalmente a sétima temporada me apresentou a Suits em que as histórias se encaixam e os comportamentos dos personagens tem sentido. Até então tudo que tínhamos visto foi uma sequência de brigas entre os integrantes da PSL, apenas com breves pausa para respirar e recomeçar um novo round. Uma ameaça externa foi o ingrediente necessário para reorganizar os soldados em suas posições.
Divide and Conquer teve a função de unir a equipe da PSL de novo, nos empolgar a voltar a torcer pela empresa e permitir que os personagens poupassem seus “son of b*tch’s” e “motherf*cker’s” apenas para os verdadeiros adversários. Enfim um time, enfim um capitão. E, preciso dizer, enfim um plot twist.
A pilha de pessoas odiando Harvey tem sido real não só entre os espectadores do show mas também do lado de dentro da série. A propósito, fico feliz que eles pontuem dentro da narrativa que Harvey realmente estava fora de controle, agindo de forma cega, descontrolada e diferente do padrão que conhecemos do personagem. Isso me dá esperança de que os roteiristas conhecem o caminho por onde estão indo e preveem quais serão nossas reações. Nessa ideia, Donna foi a nossa voz e disse o que Harvey precisava ouvir e o que queríamos falar. O sermão de Donna o leva à aula de Jessica e o Harvey que conhecemos volta a aparecer – frequentemente Harvey precisa de uma mulher lhe dizendo o que fazer.
A Bratton Gould decidiu atacar a Pearson Specter Litt, em retaliação pela firma de Harvey ter pego um de seus sócios-sênior e os clientes que acompanham o pacote. O ataque veio por duas frentes e, pretendendo por Louis e Harvey em conflito, acabou por acender antigas e novas parcerias. Alex deu a mão que Louis não pediu (mas agradeceu) e Mike foi ao socorro de Harvey (com um dedinho de Donna) quando viu que ele precisava. Uma batalha vencida.
Foi muito bom ver todos os personagens envolvidos com uma mesma situação, isso dá maior liga às cenas. Às vezes, quando cada um está seguindo em um enredo próprio fico com a impressão de que as histórias estão meio soltas e o plot não tem um foco definido. Esse episódio foi diferente pois conseguiu até ramificar para histórias paralelas sem estreitar o tema central.
O primeiro ramo envolve Donna e a sua necessidade de provar seu valor no novo cargo. Se houve um ataque tão certeiro da Bratton Gould, houve também um informante e Donna abraçou para si a tarefa de identifica-lo. Não só por que ela teve receio de ser indiretamente responsável por isso, caso a informante fosse Stephanie, mas também porque Donna sentia que precisa atestar sua capacidade no escalão que agora ocupa. Estamos vendo além do “Eu sou Donna e eu sou incrível/Eu sou Donna e sei tudo” e conhecendo a Donna que também tem vulnerabilidades e a necessidade de ser valorizada e reconhecida. Ela colocou tanto esse peso sobre si que quando não conseguiu sua missão achou que tinha desapontado Harvey. Como se isso fosse possível.
Rachel puxa o segundo ramo. A nova advogada mostra-se tão completamente envolvida com as questões da empresa que, de certa forma, relegou a segundo plano a sua vida pessoal no que se relaciona à organização do seu casamento. A temática  é o que traz Robert Zane para o episódio e explora mais dessa relação pai/filha, mas não o resume a isso. O personagem de Zane também é bem aproveitado com aparições importantes no que toca ao plot principal. Duvido muito que a guerra contra a Bratton tenha se encerrado e, provavelmente, Zane deve se tornar um aliado em batalhas futuras.
Suits tem deixado sementes de histórias para serem exploradas em arcos maiores que o de um único episódio. O conflito com a Bratton Gould é maior do que a saída de Alex e seus clientes, envolve algo do passado de Harvey e Alex e agora também descobrimos que há algum evento problemático sobre Alex e Thomas Bratton que complicará ainda mais a história.
O caso pro bono sobre a morte de um presidiário também promete render uma narrativa mais longa, já que agora Mike resolveu pegar o caso e ir contra a palavra que deu a Harvey. Receita perfeita para criar problemas. Mike deveria saber que nunca é uma boa ideia guardar segredos dentro da PSL. Segredos em Suits sempre significam duas coisas: brigas ou chantagens (ou os dois). Bem, pra gente também significam bons enredos para os próximos episódios.


1.   Em momento algum passou pela minha cabeça que Jessica seria a informante. A goddamn  plot twist!!!
2.  “Eu não quero voltar para sua mesa nunca, Harvey”/ “Você vai tirar sua cabeça da sua bunda, escutar o que eu estou te dizendo e perceber que você tem um problema”. WOW! Um óculos do “turn down for what” para Donna, por favor.
3.  “Donna, você nunca me decepcionou em doze anos e não começou agora”. Meu coração de shipper não resiste a essas frases. Se você não acompanhou a transmissão online, informo que durante um dos comerciais do episódios foi exibido um anúncio com essa cena e trechos de uma entrevista com Gabriel e Sarah. Promovem Darvey para o povo e não dão Darvey para o povo.
4.   Harvey ainda tem  muito a melhorar como sócio-gerente, mas a mudança nesse episódio já foi um bom sinal.
5.   Muito bonitos e doces os momentos entre Rachel e Robert Zane.
6.   Já está tão normal as pessoas frequentando a casa de Harvey que agora elas entram sem ele estar lá, bebem a cerveja dele, (quase) usam o banheiro.
7.  Ainda tentando entender por que cogitaram o apartamento de Harvey para realizar o casamento em primeiro lugar. Foi só pela oportunidade de Mike fazer a piada sobre “Harvey (cof) Donna no casamento”?
8.   Um episódio que não mostra o relacionamento nonsense de Harvey com a terapeuta é um bom episódio.
9.   Não me lembro de um episódio que tenha tido tanta chamadas telefônicas.
10. Louis e Alex parecem ter bastante em comum. Gosto por gatos, sensação de serem negligenciados pelas suas empresa e, eu diria, comportamento duvidoso. Alex parece legal, mas ainda não consigo confiar.
11.   Não é engraçado que a gente conheceu a Pearson (insira todos os nomes que a empresa já teve) como uma firma tão forte e poderosa e agora Robert define ela como uma empresa estrebuchante com quem ele não queria fingir uma fusão para não manchar sua imagem? Mentira, não é engraçado. Eu ri, mas foi de nervoso.



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29 de jul de 2017

REVIEW- SUITS S07E03- “Mudmare”



 Há alguns dias, no twitter, Gabriel Macht (Harvey) resumiu a sétima temporada com a palavra “cray” (gíria americana para louca, maluca). Já na review da semana passada eu disse que, ao que parecia, esta temporada faria uma abordagem no campo psicológico de forma mais intensa que o normal. Bem, Mudmare confirmou tudo isso. Todos os personagens mudaram seus lugares habituais e, em menor ou maior grau, isso está afetando suas mentes e comportamentos. 
Começando por quem mostra mais sanidade, tivemos Donna e Rachel assumindo suas novas posições na PSL: COO e Supervisora dos associados, respectivamente. De cara, Rachel se deparou com a insubordinação de uma associada e, verdade seja dita, ela não soube impor sua autoridade. Quando a situação atingiu um limite insustentável e estava sendo exposta à todo o grupo de associados, Donna resolveu interferir. Rachel não apreciou o gesto e entendeu que a amiga prejudicou o seu reconhecimento como autoridade perante os associados. A discussão acabou com cada uma declarando que a outra não estava preparada para a nova posição – e realmente, mais à frente assumiram que não estavam.
Há um tanto de razão e um tanto de erro nas duas mulheres. Fato é que Donna é agora COO na empresa e isso implica em dizer que os associados respondem a Rachel, mas Rachel e associados respondem a Donna. Se alguém começa a acreditar que é bom o bastante para desrespeitar uma cadeia de comando, então é papel de Donna explicar como as coisas funcionam. Por outro lado, Donna é amiga de Rachel e, talvez, por essa razão devesse ter percebido que a sua atitude desmoralizaria a sua liderança como supervisora – embora a meus olhos, a autoridade de Rachel já estivesse bem desacreditada. Só que foi também por amizade que Donna se viu no dever (e no direito) de agir como agiu. A situação toda era muito favorável a um conflito, afinal. Felizmente, a sensatez caiu sobre as duas com rapidez e as amigas reconheceram seus erros e fizeram as pazes. Não dá pra deixar de reparar como a amizade de Rachel e Donna faz um contraponto enorme com as relações entre os homens da série, cujos desentendimentos normalmente levam muito mais tempo e causam muito mais estragos (desnecessários).
Ainda sobre esse ponto do episódio, há algo que merece comentários. Eu nunca gosto quando usam a tal frase do “Eu estou aqui, você está aqui” e dessa vez também não foi algo que me agradou ouvir. Porém o contexto em que Donna diz isso é totalmente diferente de quando outros personagens usaram a fala. Quando Cameron, Harvey e Louis o fazem eles estavam usando sua posição na hierarquia para calar alguém que apontava um erro deles, a cadeia de comando era usada para justificar suas próprias condutas equivocadas e rebaixar seus subordinados, quando estes estavam certos. Donna, por outro lado, usou sua posição para defender uma amiga e para pôr no devido lugar alguém que de fato estava tendo um comportamento inaceitável. A frase é incômoda de ouvir, mas, na situação colocada ali, não é arrogante.
Tem sido muito interessante, na verdade, ver Donna nessa posição de comando. Isso abriu espaço para enxergamos outros lados da personagem. Donna não tem que ser sempre o alívio cômico da série, ou o ponto de apoio para os outros personagens, ou ainda, uma extensão de Harvey. Com o novo cargo, espera-se que Donna possa participar com maior expressão dos plots principais do show e ter suas próprias histórias. Donna honrou as calças que vestia – vocês repararam que ela estava de calças, certo? – e foi brilhante tanto impondo sua liderança como reconhecendo suas falhas. Diferente de Rachel, ela não teve receios de ter como seu primeiro ato no novo cargo a demissão de uma funcionária, mas soube fazer isso num belo equilíbrio de determinação e amabilidade. Para ser sincera, não esperava nada diferente dela.
Mike, por sua vez, tem sido uma surpresa positiva durante essa sétima temporada. Em ocasiões passadas ele costumava me irritar ou por razões de hipocrisia, ou por ingratidão ou só por todas as histórias da série focarem excessivamente nos dramas dele. Porém, neste momento,  Mike tem representado um ponto de sensatez e coerência que o distingue das outras figuras masculinas da série. Mike foi congruente com seus valores ao dar primazia ao caso pro bono – que tinha tanta identificação com as suas experiências pessoais na cadeia –, foi responsável ao dar satisfações a Harvey e cumprir o que pode de seus casos corporativos e foi diligente ao tomar as cautelas jurídicas necessárias para assumir o novo cliente. Mas Mike não contava com a má-sorte de um conflito com um dos clientes de Alex. Mike também não contava com imprudência e a falta de consideração de Harvey. Aliás, quem é que Harvey anda considerando mesmo? (Na verdade eu consigo pensar em uma pessoa, mas isso é outra coisa que também está fugindo da lógica e prefiro não comentar agora).
 Harvey não só quebrou um acordo com Mike, mas Harvey tem sido agressivo e impulsivo em cada decisão que toma. Em vez de ser um líder que dirige e busca cooperação, Harvey tem agido apenas como dominador, desprezando e humilhando qualquer um que não assinta às suas escolhas. Não sei dizer se foi o peso do novo cargo ou qualquer outro evento na vida de Harvey, mas a verdade é ele perdeu todo o sentido e o personagem começou agir de forma absurdamente contrastante com o desenvolvimento que ele vinha tendo nas últimas temporadas. A pitada de arrogância sempre foi uma marca do personagem e isso, de certa forma, lhe trazia algum charme. Agora a arrogância toma o personagem quase que completamente e só causa antipatia.
Julgamos tanto o Louis por suas instabilidades, por sua inveja e por seus sentimentos mesquinhos, mas será que podemos sempre culpá-lo? Nesse episódio eu não consigo. Honestamente, senti verdadeira dó de Louis.
Em primeiro lugar, a caracterização que Harvey fez de Louis para Alex foi carregada de prepotência e egocentrismo. Sabemos que Harvey sempre gostou de provocar e aprontar com Louis, mas como ele mesmo já disse, essa era a forma dele demonstrar apreço. Ainda, em momentos passados ele mostrou que valorizava a competência profissional de Louis. Não vi apreço ou valorização dessa vez, apenas alguém cheio de si gabando-se por alguém que o ama e o inveja. Apesar de seus defeitos, Louis deseja receber uma amizade sincera de Harvey e ele tem se esforçado para ter isso. Harvey, por outro lado, não lembra dessa amizade até precisar dela.
Em segundo lugar, é preciso falar da forma cruel e insensível como Harvey tratou o sócio quando este lhe apontou o erro que estava cometendo acerca do descumprimento do acordo com Mike. Em verdade, Louis já tinha afastado suas questões sentimentais do problema e apresentou o erro pelo ponto de vista estratégico e profissional. Harvey, para fazer valer unicamente sua vontade, decidiu atingir o ponto fraco de Louis e apelou para o emocional. Usou dos defeitos do sócio para lhe lançar uma acusação maquinada e rude sobre ciúmes. O resultado foi a visão de Louis num profundo e preocupante surto psicológico, aos berros no telefone com seu terapeuta e projetando o próprio Harvey na figura de seu psicólogo (psiquiatra?).
E é esse evento da projeção que me faz voltar para o assunto que evitei anteriormente. Para mim, a projeção foi um indicativo de que algo semelhante pode estar acontecendo com Harvey. O evento que aconteceu com Louis dentro de um quadro de surto, pode estar acontecendo com Harvey de forma mais sistemática e ele pode estar dirigindo para a psicóloga os sentimentos retraídos que tem por Donna. Ou alguém tem uma explicação mais razoável para a paixão súbita de Harvey? Alguém consegue dizer por que Paula “Esquecida no churrasco durante a toda a sexta temporada” Agard é agora a única pessoa digna da atenção e do afeto de Harvey?
Nesse episódio, Paula começou a enxergar os problemas éticos desse relacionamento e se sentiu envergonhada e assustada por isso. O problema é que para todo lampejo de consciência de Agard, haverá um Harvey fazendo uma bela cena que faça ela esquecer do que estava falando. Aparentemente, Deus proibiu que qualquer mulher seja capaz de suportar o charme do irresistível Harvey Specter. Essa é a minha grande decepção com a personagem de Agard. Da quinta para a sétima temporada ela se tornou mais fraca e com muito menos neurônios. Como vimos, ela já tem consciência do problema ético deste relacionamento, resta saber quando ela vai usar seus conhecimentos psiquiátricos para questionar a legitimidade dos sentimentos de Harvey.
Ao passo que a gravidade do quadro psicológico de Louis foi escancarada na cena final, os distúrbios da mente de Harvey estão sendo mostrados de forma mais velada, mas são igualmente graves ou piores. Afinal, ao menos Louis está consciente de seus transtornos e buscando ajuda profissional, enquanto Harvey está dormindo com a terapeuta.
Há tanta insanidade circulando pelas tramas de Suits ultimamente que já estou esperando a cena em que alguém acorda e tudo o que vimos nessa sétima temporada até agora não passou de um sonho (pesadelo?) de algum dos personagens.



Notas:

1.      Pensando seriamente em já deixar aqui um tópico fixado só para elogiar a atuação de Rick Hoffman. Fantástico!
2.   Um momento para apreciar as manchetes de zueira que Harvey fez para Mike. Um dos raros momentos legais de Harvey nessa sétima temporada.


3.     Acho que se eu não estivesse tão antipática a Harvey nesse momento, eu conseguiria curtir o bromance dele com Alex. Há um bom material ali. Mas a questão que ainda paira sobre o que aconteceu no passado que faz sempre Harvey se sentir devedor e ceder algo grande em favor de Alex. Engraçado, na temporada passada Harvey fazia um monte de bobagens porque se sentia culpado em relação a Mike. Agora esta posição é de Alex.
4.   Quero muito voltar ao tempo em que meus comentários sobre Harvey não tinham tantas reclamações. Eu realmente quero.
5.    Oliver geralmente me dá sonolência, mas não é que o rapaz teve uns bons quotes? “Todo mundo tem seus hobbies, Mike. Os meus são quadrinhos.O seu é ajudar as grandes corporações a ferrar o cara pequeno”.
6.   Os sete estágios de Louis: pânico, tristeza, auto-aversão, ódio, justificação, auto-aversão novamente e raiva. Essa é pra anotar e ir diagnosticando durante os episódios
7.   Memorável ver Donna falando “Eu posso falar por mim mesma” para Harvey. Quanta presunção a dele de achar que pode dizer que a posição dela será sempre de acordo com a dele. Isso foi um marco de que Donna agora é uma figura independente dele dentro da PSL.

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