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17 de set de 2018

REVIEW- SUITS S08E09 ("Motion to Delay")





O que você faz quando o grande arco planejado para a meia-temporada não é tão grande assim e você ainda tem um episódio até a mid-season finale? A essa pergunta Suits respondeu: trazer de volta um caso de um ano atrás e esperar que a memória do telespectador esteja em dia.
Em Motion to Delay, tivemos o reaparecimento de Tommy Bratton pedindo 20 milhões em uma acusação de conspiração contra os advogados da Zane Specter Litt por terem negociado dinheiro a favor de Frank Gallo (na verdade, de sua filha) para que ele abrisse o jogo a respeito do grande esquema criminoso que a Bratton Gould comandava na construção das prisões.
O time da ZSL procurou se organizar para encontrar uma saída. Enquanto Donna tentou puxar a filha de Gallo para o lado deles nesse impasse, Louis foi até Eli Gould, sócio de Tommy Bratton, utilizando-se de um antigo trunfo que tinha contra ele para tentar fazer o problema sumir. Nenhum dos dois teve bons resultados. Denise Gallo não tinha nada a falar do pai a não ser que ele faria qualquer coisa por dinheiro e seu depoimento não ajudaria o time da ZSL no tribunal. E Eli Gould não se mostrou satisfeito com a simples oferta de Louis de se desfazer da gravação que tinha contra ele. Gould queria mais e mais tarde apareceria para pedir que além da oferta de Louis, Harvey e Robert adicionassem 5 milhões e assumissem que tinham conspirado com Frank Gallo, colocando as suas licenças em risco.
O quadro fez Robert acreditar que estava diante de uma situação “policial bom/ policial mau” e que tudo não passava de um blefe de Bratton. Assim, colocou pilha em seu rival, revidando a sua ameaça com a fita de Gallo que denunciava todo o esquema criminoso da construção das prisões.
Acontece que Bratton estava falando sério e foi a fundo com o processo contra a ZSL. Só nesse momento, nosso time de advogados descobriu porque Tommy estava se arriscando tanto naquela empreitada e assim conseguiu encontrar uma tática para lutar contra ele. Tommy Bratton havia sido diagnosticado com câncer e tinha apenas um ano de vida. O plano da ZSL então seria atrasar o processo o quanto fosse possível para que não Tommy não vivesse para contar a história de como derrotou a ZSL. Enquanto Tommy Bratton garantiu a Harvey que ele estava o munindo com ódio para viver mais, isso também o encheu de stress o suficiente para ver sua vida cessada mais cedo que o esperado por um ataque cardíaco. E simples assim, Robert e Harvey viram a ameaça contra eles morrer. Literalmente.
Parece mesmo um plot que começou do nada e terminou em lugar nenhum, a não ser pelo fato de que levou Robert à conclusão de que a vida é breve. Isso, junto com o fato de que Robert tem um plano B em seus investimentos (a produção de vinhos) ou que Samantha já mencionou, em outro episódio, o dia da aposentadoria de Robert e, nesse, algo sobre ele ser “atingido por um ônibus”, me faz pensar que Robert de fato não durará muito mais no cargo de Sócio-Administrador. Aliás, “Managing Partner” não é o título da mid-season finale? Justo quando a “grande” questão levada para o episódio aparentemente seria a corrida entre Samantha e Alex para o cargo de sócio nominal?
Tocando nesse assunto, a disputa entre Alex e Samantha teve mais algumas batalhas nesse episódio. O cliente de Alex (Gavin, ex-cliente de Samantha, com fama de problemático) foi atrás do seu advogado pois, após ter sofrido um prejuízo em uma de suas obras de arte, recebeu da seguradora não a garantia de cuidar do seu dano mas uma ameaça de processo por fraude. Para piorar, a seguradora é cliente de Samantha, o que gerou um conflito de interesses e a necessidade de que, se aquilo fosse mesmo a tribunal, um dos dois desistisse de seu cliente.
Uma vez que tanto Samantha como Alex já tinham perdido clientes nos últimos dias, Robert não atendeu ao pedido da advogada de forçar Alex a largar seu cliente e, na verdade, ordenou que os dois acordassem uma forma de não deixar que a disputa virasse processo. Porém, tão logo a mesa de negociação foi montada ficou claro que aquele conflito não aconteceu naturalmente, mas sim, foi provocado por Samantha. A advogada convenceu sua cliente de que Gavin provocou o dano na pintura de propósito e a incentivou a processá-lo. Com isso, Samantha teria uma situação conveniente para fazer Alex perder um cliente e ganhar pontos na sua disputa interna pela promoção.
Em que pese Samantha ter ganhado minha simpatia nas últimas semanas, esse evento me fez questionar a sua capacidade de realmente integrar a equipe. Não há dúvidas sobre a capacidade profissional de Samantha, mas arquitetar um processo contra o cliente do seu próprio colega é um movimento desleal e não se encaixa no discurso que ela tem repetido sobre estar de coração naquele time. Das outras vezes que vimos Samantha sendo parceira e colaborativa, estava ela realmente interessada em ajudar ou em ter a quem pedir retornos depois? Com a falha da negociação, Samantha foi cobrar o favor que Louis lhe devia, pedindo que ele retirasse o cliente de Alex.
Louis ficou contra a parede, mas atender a esse favor seria melhor do que atender ao próximo que certamente seria seu voto no nome de Wheeler como próxima sócia-nominal. Assim, ele avisou a Gavin que Alex o deixaria – o que, pelo que as cenas seguintes deram a entender, Alex não fez – enquanto Harvey foi requerer de Robert que Alex se tornasse o próximo sócio-nominal – o que Robert também não fez.
Nessas circunstâncias o embate entre os clientes de Alex e Samantha segue seu curso e Harvey propõe a Robert que deixem seus jogadores duelarem, para assim decidir qual o próximo nome que vai para a parede. De um lado temos Alex, zero carisma, nunca sorri, metade das falas consistem em “quero meu nome na parede”, mas pelo menos já demonstrou fidelidade à empresa sem pedir favores em ocasiões anteriores. Do outro temos Samantha, altamente competente, figura imponente, mas com uma personalidade dúbia que joga tanto por si mesma que não temos certeza se é capaz de fazer algo pelo grupo sem segundas intenções. De minha parte, a parede fica como está (Ou esqueçam esse detalhe irrelevante de que é preciso um diploma de Direito e coloquem Paulsen. Paulsen sim é uma boa ideia).
No meio dessa briga por uma promoção, parece que alguém se lembrou de que Katrina é uma personagem regular da série e que estava na pendência de tornar-se sócia-sênior. Depois de, por duas vezes, passar por missões que a colocariam no cargo desejado, Katrina finalmente conquistou sua promoção, ganhou seu escritório e oficializou Brian como seu associado. O primeiro caso como sócia sênior seria ir atrás de uma empresa de moda que estaria plagiando modelos de sua cliente designer.
Nesse plot temos mais um capítulo de aprofundamento da relação entre Katrina e Brian. Comprometido (não escolhi essa palavra a toa) a não ser um associado que só acata as decisões da chefe, Brian, quando acreditou que já estava tudo meio que resolvido com o caso, insistiu para que ele e Katrina fossem comemorar a promoção dela. É na ocasião que descobrimos mais um pouco sobre Brian e ele compartilha um outro lado seu: um lado que outrora pretendeu seguir a carreira de compositor e que contava com o apoio da esposa nisso, mas que acabou se inclinando para o lado das leis, pelas quais ele percebeu que nutria igual paixão. Algo que a sua esposa não era capaz de entender, mas que Katrina facilmente poderia se identificar.
A comemoração afastou a atenção da dupla do contra-ataque que veio no dia seguinte, quando o fabricante de seu cliente fechou um grande contrato com a empresa rival no caso e de repente anunciou que não poderia mais dar conta da produção da cliente de Katrina – forma ilegal de convencer Katrina a abandonar o caso.
A sócia sênior não viu outra saída a não ser jogar com o blefe de que o fabricante e a empresa rival de sua cliente estavam agindo em conluio, blefe que ela não tinha provas para sustentar e sobre o qual Brian mostrou sua discordância. Katrina recuou da sua tática quando o rei do blefe, também conhecido como Harvey Specter, a aconselhou a fazê-lo pois o risco de exposição não valeria a pena naquele estágio da sua carreira.
De fato, Katrina não precisou mais mesmo do blefe, uma vez que com um pouco de exposição e risco, Brian foi capaz de conseguir para ela as provas da acusação que pretendia fazer. Assim, Katrina foi bem sucedida em sua primeira causa como sócia-sênior e quando planejou sair com Brian foi atingida pela realidade de que um outro lado de sua vida já não é tão bem sucedido assim.
Neste episódio, senti mais afastada a ideia de que haveria um romance entre Katrina e Brian. Essa trama parece ter surgido mais como um motor para indicar as carências de Katrina no lado pessoal e afetivo da sua vida, do que necessariamente para mostrá-la como alguém apaixonada por um cara casado e que não parece ter sentimentos românticos por ela. Assim, pelo menos, espero.
Ver Louis trocando de posições e sendo, dessa vez, o que acalenta e conforta foi um presente. Enquanto o lado romântico da vida de Katrina não se resolve, que pelo menos as suas relações de amizade sejam mais desenvolvidas e exibidas na série. Katrina é, sem dúvida, uma grande adição ao elenco e tem um potencial gigante para criar empatia no público. É uma pena que, dentre os três “novatos”, ela tenha sido escolhida para ficar mais de lado das tramas centrais da série.


Notas:


1.       Citações de Exterminador do Futuro com direito a Harvey entrando no personagem com sotaque e tudo mais? Estamos aqui para ver isso.
2.   “Eu não estou aqui a pedido de homem nenhum. Eu estou aqui por conta própria, de mulher para mulher, pedindo para você olhar a longo prazo e esperar”. Amém, Donna Paulsen! Que isso sirva para calar a boca de qualquer um que ainda pensa que Donna é só uma extensão de Harvey. 
3.    Me lembro de que quando Donna agradeceu a Samantha sobre ela ter lidado com o caso de David Fox, Samantha respondeu com um “Sei que você faria o mesmo por mim”. Seria mais um favor que Samantha cobrará quando chegar a hora?
4.     De um lado está Harvey dizendo a Katrina que a vida é longa. Do outro está Robert, após se chocar com a notícia de uma morte, concluindo que a vida é passageira e que ele só quer ir ver sua esposa. E de um outro tem eu mesma acreditando que talvez eu morra antes de Darvey acontecer. Gostaria de ver Harvey se dando conta da brevidade da vida e tratando de resolver o que ele precisa para além das paredes da ZSL.

 Curta Suits BRASIL!

         Assista a promo do próximo episódio "Managing Partner"







10 de set de 2018

REVIEW- SUITS S08E08 ("Coral Gables")




"Eu espero que quando você esteja pensando em fazer as malas, você tenha alguém pra te impedir também"
Mais cedo, no início dessa temporada, falamos por aqui como Suits estava carente de uma nova premissa para se sustentar. Além da corrida pela promoção a sócio nominal e da saga de Louis para ser pai – enredos que não tem sido bem-sucedidos para prender a atenção do espectador – não há nenhuma outra trama se desenhando para uma resolução. Falamos também que, mesmo sem uma trama maior que amarrasse tudo, os micro-plots desenvolvidos para cada episódio ainda poderiam ser interessantes e fazer o episódio funcionar. Isso aconteceu algumas vezes durante essa temporada mas infelizmente não foi o caso do episódio dessa semana.
Em “Coral Gables” vimos um roteiro focado em trabalhar nos personagens de interesse mais questionável da série atualmente: 1) Louis e as agruras no caminho para a paternidade, plot que vem sido estendido em demasia e tem limitado o personagem a enredos apenas pessoais e melodramáticos; 2) Alex enfrentando uma dificuldade com seu cliente em razão de um erro de Gretchen, storyline que só reforçou o quando Gretchen, personagem recorrente, é tão mais interessante e querida pelo público do que Alex, personagem regular que segue sem conseguir conquistar a simpatia e não parece contribuir para a série num geral; 3) Samantha, personagem recente e ainda caminhando para cair nas graças do público, encabeçando um plot  jurídico fraco e pouco desenvolvido.
Juntar essas três linhas de uma só vez produziu um episódio de ritmo maçante e, ainda por cima , com ares de filler, já que ao final de 43 minutos não há qualquer desenvolvimento real de enredo.
Episódios com flashback costumam nos deixar animados, mas dessa vez o recurso foi usado para, pela milésima vez nessa temporada, trabalhar alguma fragilidade emocional de Louis. Em flashback nos encontramos com o Louis adolescente sofrendo bullying na escola por um colega que, nos dias atuais, veio a se tornar o médico especialista em fertilidade que estaria ajudando a ele e a Sheila. Louis se viu então nas circunstâncias de enfrentar os sentimentos negativos que ainda carregava pelos maltratos que passou, à medida em que não pretendia recuar um passo do máximo empenho que estava fazendo pela chance de ser pai.
Louis então rememorou o contrato que o jovem Louis firmou consigo mesmo de ser capaz de enfrentar seu perseguidor mas que, mesmo agora sendo um adulto, ainda não era capaz de honrar o compromisso. Dr. Lipschitz submeteu Louis ao exercício terapêutico de reviver mentalmente a experiência do bullying, mas agora como um adulto fazendo a caminhada da humilhação pelo pátio da escola e se permitindo ser trancado no armário da quadra esportiva. Lá, Louis adulto e Louis adolescente se encontraram e tiveram a oportunidade de debater o “autocontrato” não cumprido, mas também de relembrar a promessa que Louis fez consigo mesmo de, tendo um filho, educá-lo para ser uma pessoa diferente do seu bully. Escolher priorizar essa promessa permitiu que Louis ficasse em paz consigo mesmo para deixar aquele velho contrato de lado.
A cena tem os elementos para ser algo bonito e comovente, mas a oitava temporada tem trazido um combo de plots dramáticos sobre Louis que começou a tirar a minha disposição de me emocionar por ele. Nessa temporada Louis já se sentiu desvalorizado pelos seus sócios, já se transtornou para abrir mão do seu banho de lama, já sofreu um assalto e achou que morreria, já se decepcionou com um falso resultado positivo de gravidez... Não é minimizando os traumas que Louis carrega, porém a falta de dose na abordagem do seu aspecto pessoal acaba transformando aquilo que poderia ser um bom drama em mero dramalhão.
A ausência de Louis na empresa nesse episódio – além de ilustrar bem a sua falta de participação nos plots jurídicos da série há um bom tempo – acabou por ser o fato desencadeador da trama de Alex e Gretchen. Alex precisava na assinatura do sócio nominal para dar andamento a um empreendimento de seu cliente Na ausência do advogado, Gretchen se comprometeu a colher a assinatura do seu chefe e enviar para onde era necessário.
Mas enquanto Gretchen contava a Donna o filme embaraçoso sobre Louis e Sheila que passava na sua cabeça quando estava a caminho de encontrar seu chefe – oh, Gretchen! Nós temos que ver esse tipo de cena constrangedora quase toda semana – a distração tomou conta do espaço e Donna acabou levando o documento que a secretária precisava encaminhar por acidente.
Gretchen só percebeu o erro quando o estrago já tinha sido feito. O documento não chegou ao seu destino, a secretária não conseguiu contornar a situação e o negócio foi arruinado. O cliente estabeleceu a condição de que a secretária fosse demitida para que eles pudessem continuar fiéis aos serviços da ZNL. Ultimato que Alex se recusava a atender, embora estivesse penando por perder um cliente justo quando está competindo com Samantha por um lugar ao sol. Mesmo com Alex não cedendo ao desejo de sua cliente, Gretchen se viu frustrada quando percebeu que ela não foi capaz de encontrar uma saída para aquela situação sozinha, que sua rede de suporte entre secretárias não funcionava mais, que nenhum favor devido a ela foi capaz de ajuda-la e isso a fez pensar se era o momento da aposentadoria.
A cena mais significativa do episódio se passa então entre Gretchen e Donna e a COO se mostra profundamente sensibilizada com a situação da secretária, provavelmente se recordando – como eu me recordei – de quando Donna acabou demitida daquela vez que destruiu um memorando tentando salvar Harvey ou de quando, mais recentemente, ela decidiu deixar a empresa quando um ultimato semelhante foi exigido de Harvey. “Porque alguém que se ofereceria para fazer as malas por ele não aparece com frequência. De fato, quando ele descobrisse, eu aposto que ele estaria em meu escritório logo cedo, dizendo que você deveria ter um aumento”... Tal qual um certo alguém apareceu na porta de Donna rasgando a carta de demissão dela.
Todos nós sentimos um pouquinho daquele abraço entre Gretchen e Donna. Ainda não é a hora da aposentadoria de Gretchen e nós também não estamos prontos para ficar sem ela. Alex que fique sem seu cliente.
Não sabendo dos problemas do seu concorrente, mas apenas de seu recente sucesso no caso de Robert, Samantha esteve tentando durante esse episódio garantir a sua vantagem na corrida para ser sócia nominal.
Para isso ela planejava conquistar um novo cliente, retirando-o diretamente da cartela de Eric Kaldor, o antigo sócio de Robert. Samantha só não contava que Kaldor fosse conseguir virar a pistola contra ela o que acabou a obrigando a pedir ajuda de Harvey para lidar com o assunto. Enquanto tentavam achar uma saída e variavam a conversa entre Harvey tentando pescar informações sobre o passado de Samantha e esta enfatizando que ela e Harvey eram parecidos, os advogados acabaram concluindo que era bem possível que o documento que Kaldor estava usando contra Samantha fosse uma evidência fabricada. O que mesmo sendo verdade, não foi capaz de resolver o problema.
Quando Kaldor não pode mais usar esse recurso, ele se utilizou de um outro evento do passado de Samantha. Um caso criminal em que ela escondeu uma prova para poder livrar uma pessoa que ela acredita ser inocente e, em razão disso, acabou “exilando” para outro lugar uma colega que queria impedi-la de seguir seu intento. Betty Palmer, a tal colega, estava disposta a contar a sua história e pra que isso não acontecesse era Samantha quem precisava ceder um cliente a Eric Kaldor.
Samantha planejou então fazer uma visita a Betty para tentar dissuadi-la e acreditou que Donna não contaria a Harvey sobre seus planos (Que inocência, Samantha! Você não acabou de ver que Harvey já sabia até da sua saída com Donna outro dia?). Obviamente, não escondeu isso dele e Harvey confrontou Samantha sobre seus erros do passado e ordenou que ela atendesse à chantagem de Eric Kaldor, abrisse mão de seu cliente e desse fim àquilo tudo.
Samantha perdeu essa batalha mas não completamente. Ela desistiu do cliente mas também fez com que Eric Kaldor não o ganhasse. A vitoriosa foi Betty Palmer que ficaria com o cliente e ainda se tornaria sócia sênior do escritório de Kaldor. Dessa forma, Samantha se redimiu do que fez a Betty no passado.
Enquanto Samantha lamenta a sua derrota, Harvey resolve compartilhar com ela a derrota que ele também carrega: o caso de Mike. Samantha então reitera que se precisasse mais um vez enterrar uma evidência para livrar um inocente da prisão ela o faria. Harvey tem mesmo teto de vidro sobre esse assunto e não pode dizer nada, afinal ele já agiu de mil formas escusas diferentes para livrar alguém que era culpado.
Notas:
1.       Na falta de cenas entre Harvey e Donna nesse episódio, tivemos de nos contentar com os dois, em cenas imediatamente próximas, relatando os mesmos fatos sobre Mike e reafirmando de algum jeito a proximidade de consciência entre os dois.
2.       “Eu espero que quando você estiver pensando em empacotar suas coisas, você tenha alguém como você pra te impedir também”. Ahh Gretchen, fica tranquila, Donna tem uma pessoa assim sim.
3.       A semelhança física e de trejeitos do ator que interpreta Louis jovem é uma coisa que sempre me surpreende.
4.       Procura-se Katrina. Sério, dentre os três novos regulares, Katrina sempre me pareceu a personagem que tinha mais a contribuir até por ser quem mais tinha tempo de convívio com os antigos personagens e um histórico já conhecido do público. Porém esse já é o quarto episódio da temporada em que ela não aparece e sua presença é menor do que a de Sheila ou Lipschitz, personagens secundários.
5.       A falta de um plot  maior que amarre todas as pontas da série preocupa a essa altura do campeonato. Estamos nos aproximando da mid season finale e não há nenhum grande arco que coloque os telespectadores ansiosos para acompanhar a resolução.


Curta Suits BRASIL!

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2 de set de 2018

REVIEW- SUITS S08E07 ("Sour Grapes")

"Não, Harvey. Eu estou no meu cargo  porque eu mereci."


Seguindo a linha que tem marcado a temporada, o episódio dessa semana manteve o foco na abordagem dos personagens, mas fez isso de forma intercalada com os casos jurídicos apresentados. Assim, ainda quando uma questão pessoal do personagem não está sendo apresentada expressamente, ainda é possível vê-la refletida em algum aspecto do caso trabalhado.
Em alguns casos, porém, a parte jurídica tem sido completamente dispensada e os tópicos pessoais são a única abordagem feita sobre um personagem. É o caso de Louis que há muitos episódios tem sido desenvolvido tão somente em cima de seus próprios dramas (e do seu relacionamento com Sheila) e este excesso às vezes nos entedia. A saga pela paternidade ainda é o tema dele nessa temporada e, embora as cenas iniciais tenham nos feito pensar o contrário, esse enredo ainda não teve conclusão.
Acreditando que estava grávida, Sheila compartilhou a notícia com o companheiro e,  passados os momentos de comemoração – belos movimentos, Louis – , um novo drama teve início no relacionamento do casal. Louis é judeu, Sheila é católica e a questão da vez era sobre como criariam o filho deles em face dessa diferença: deveriam acompanhar as tradições judaicas de Louis ou simplesmente ter uma criação neutra quanto ao aspecto religioso? Acredito que a respeito do assunto filhos, Louis e Sheila já tiveram divergências mais cruciais como “quero ter/ não quero ter”. E ainda assim conseguiram chegar num acordo, certo?
Depois de Sheila se negar a conversar mais sobre as motivações de Louis nesse assunto – e assim já deixasse implícito qual seria a decisão dela deles sobre isso – Louis foi em busca de sua irmã Esther para auxiliá-lo a contar a seus pais que o neto deles não seria criado como judeu. Esther orientou Louis a insistir e conversar com sua parceira sobre como ele se sentia sobre aquele assunto. Depois dessa conversa acontecer e conflito continuar, foi a vez de Lipschitz fazer sua participação para ajudar a resolver o problema. O terapeuta ajudou Louis a enxergar que o judaísmo é, em sua essência, a sobre família e o mais importante ali não era a decisão que tomariam mas sim que ele e Sheila chegassem a essa decisão juntos.
O conselho de Stan pode não ter resolvido o conflito de Louis mas, junto com uma ligação de Esther para Sheila dando a ela as boas-vindas na família, acabou catalisando um novo avanço na relação entre Sheila e Louis. Pela segunda vez o casal teve uma proposta de casamento numa cena que, preciso dizer, apesar das minhas objeções sobre esse casal, foi romântica, bonita e bem executada.
Nem tudo, porém, é só felicidade. Os recém noivos acabaram se decepcionando quando descobriram que a gravidez de Sheila não passou de um falso positivo. Do lado de cá, me decepciono também porque isso quer dizer que esse plot ainda continua e eu firmemente acredito que ele já deu o que tinha de dar. A trama tem sido esticada ao limite para ter material suficiente para o arco da 8A mas a verdade é que ela não gera interesse o bastante pra nos manter presos a ela por tanto tempo.  Louis merece felicidade e eu acharia ótimo se Sheila finalmente engravidasse e ele tivesse o sonho realizado, mas se não for o caso, então que apenas superem esse ponto de uma vez.
Contudo, minha frustração não me impede de admirar o personagem de Louis mantendo-se forte perante Sheila depois da desilusão da gravidez e pouco depois permitindo-se desabar no conforto da leal e afetuosa Gretchen. Vivo pelas amizades da Zane Specter Litt.
Falando em amizades, uma nova aliança se fortaleceu nesse episódio entre o Managing Partner e a COO. Robert parece finalmente ter entendido os poderes de Donna e a sua importância dentro da empresa e, assim, abriu para ela todo o espaço para fazer o que faz de melhor.
Na tranquilidade do seu lar – e por lar eu quero dizer que o famoso Ap. 206 foi completamente redecorado, upgrade condizente com o salto da carreira de Donna – a COO recebeu uma ligação de Robert pedindo que ela enviasse Alex como seu advogado para resolução de uma questão pessoal. Robert ainda aproveitou a oportunidade para expor seu reconhecimento aos conselhos de Donna em relação à harmonia da firma.
Junto com os telespectadores, Alex descobriu que Robert resolveu ter um negócio paralelo no ramo dos vinhos. Aconteceu porém de perder toda a sua produção em razão de seu fornecedor não ter entregue os barris que comprou. Sabendo que todos os seus vizinhos não tiveram problemas na entrega dos barris, Robert interpretou que estava mais uma vez passando por uma situação de racismo – o que explica por que ele quis especificamente que Alex fosse seu advogado no caso.
Depois de conseguir com o fornecedor algumas informações que o ajudariam no caso, Alex quis informações de Robert sobre o motivo dele ter entrado para aquele ramo de vinhos, e Robert lhe contou sobre como aquilo tudo estava relacionado a uma forma de manter viva a lembrança de sua irmã já falecida. O fato de se preocuparem em mostrar Robert desenvolvendo uma atividade paralela à advocacia e essa atividade possuir um significado tão pessoal me fez considerar  a possibilidade de em um futuro próximo Robert se aposentar do Direito e liberar a vaga de Sócio-Gerente mais uma vez.
Após Alex ameaçar o fornecedor de barris com acusações criminais, a discussão esquentou e Robert trouxe a questão do racismo à tona. Foi então que o Sr. Newton revelou que a real razão para o tratamento que Robert vinha recebendo não tinha nada a ver com cor, mas com a sua atitude de rico poderoso em um lugar em que se vivia baseado nos conceitos de comunidade e trabalho de gerações. Robert era um estranho ao modo de vida daquele grupo e as pessoas ali o enxergaram como uma ameaça.
Enquanto Alex começou a enxergar a situação de outro modo e propôs pacificar a questão, a sede de briga de Robert ainda não tinha passado. Alex acabou despachado quando não concordou em simplesmente obedecer à vontade de Robert, porque embora ele fosse seu chefe, naquela situação ele na verdade simplesmente seu cliente.
Felizmente tudo isso aconteceu quando Robert já tinha deixado a porta aberta para Donna e sua incrível inteligência emocional. A COO conseguiu, com poucas palavras, fazer com que Robert percebesse as suas falhas e fizesse Alex dar meia-volta na sua viagem para casa. Juntos conseguiram enfim realizar uma forma de integrar Robert naquela comunidade e beneficiar a todos.
O que seria da ZSL sem a Donna, hein? Robert está fora da cidade há dias (inclusive, não aparecia há alguns episódios) e podemos considerar que é Donna quem está segurando todas as pontas na empresa. E ela ainda encontra tempo e paciência para solucionar conflitos a distância.
Um outro conflito veio a caminho de Donna quando ela teve que lidar com um Harvey exasperado pela notícia de que teria de ser advogado de David Fox. De graça. Por um ano. O encargo se deveu ao acordo que Donna precisou firmar com Fox, por conta de uma briga que o próprio Harvey arranjou com ele e sabendo que não seria capaz de ele mesmo chegar a um acordo, delegou a tarefa a Donna lhe dando carta branca para fazer o que fosse necessário para chegar a um entendimento. Donna fez e, já prevendo que Harvey reagiria mal, resolveu esperar que o próprio Harvey descobrisse sobre isso no momento oportuno.
Não faz muito tempo, Harvey precisou atender Jessica fora da cidade justo quando a empresa passava por um turbilhão de problemas. Na ocasião, ele deu carta branca para que resolvessem como fosse possível e quando voltou encontrou uma fusão com Zane que momentos depois ainda lhe custou o cargo de sócio-gerente. Não vi Harvey fazer tanto chilique nessa época como fez agora.
Ter deixado de contar a Harvey sobre o fato deu a Donna a oportunidade de, quando Harvey descobriu e foi questioná-la, esfregar na cara dele que ela fez o que ele lhe deu autoridade a fazer, mandar Harvey engolir seu sentimento sobre aquilo, agir pela equipe e fazer o que tivesse de ser feito. Na cara fechada de Harvey, eu quase consegui enxergar um “Sim, senhora”.
David Fox contava com os serviços de Harvey para adquirir um prédio, com o porém de que o edifício pertencia a seu maior rival que, com certeza, não estaria disposto a vender a ele. Após ter falhado no plano da compra através de um testa de ferro, nos deparamos com a cena inédita de ver Harvey fazendo as próprias pesquisas na biblioteca da empresa. Harvey está mesmo mudado, não?
Enquanto ele ainda procurava uma solução, Donna já tinha mandado Samantha para seu caminho como reforço. Samantha foi então oferecer seu auxílio (ou a solução pronta na verdade) e  Harvey só aceitou a ajuda depois de perguntar umas duas vezes se ela realmente veio a mando de Donna.
Tentando resolver a questão pelo método da advogada, acabou chegando ao conhecimento de Harvey uma atitude suspeita de David Fox. Fato que inclusive já era de conhecimento do seu rival Billows e que atrapalhava todos os planos. David Fox vinha fazendo pagamentos mensais a Peter Minto, inquilino de Billows, para que ele conseguisse manter a locação e não acabasse colocado para fora do prédio.
Interpretando que isso tudo devia ser um mecanismo de Fox para lavar dinheiro ou para cobrir qualquer outro ato criminoso, Harvey decidiu abandonar o caso desconsiderando o acordo que Donna fez. Tão errado...
Mais uma briga épica entre Harvey e Donna no saguão aconteceu e a cena me deixou a impressão de que eles estavam falando sobre muito mais coisas do que só o caso de David Fox. Está claro ali que há um monte de assuntos que os dois estão represando e que no auge desse momento dramático quase chegaram a estourar. Harvey e Donna podem ter terminado a temporada passada dizendo que estavam “de volta ao normal” mas o diálogo dessa discussão mostrou que isso não é verdade.
“Você está tomando o lado dela?”/ “Eu estou tomando o meu lado”. Há uma grande mudança na relação entre Harvey e Donna a partir da sétima temporada. Donna não é mais secretária de Harvey, ela não é a pessoa que sente na obrigação de ajudá-lo e estar ao lado dele não importa o que ele faça. Desde que se tornou COO ela se sente mais à vontade de falar e agir por conta própria e, muitas vezes, isso significa contrariar a vontade de Harvey. Na oitava temporada, em que Donna está mais confiante em sua posição, isso tem sido uma ocorrência mais frequente. Harvey não sabe como reagir quando Donna não lhe dá apoio.
“Diferente de você, ela se importa com minha reputação”/ “Você acha que eu não me importo com você?”. Donna falou de uma coisa e Harvey respondeu com outra totalmente diferente. A reputação de Donna naquele contexto é assunto profissional, falar sobre se importar com ela tem um conteúdo muito mais pessoal e talvez seja justamente sobre o pessoal que eles precisam conversar.
“Você está no seu cargo porque eu te coloquei.”/ “Não, Harvey. Eu estou no meu cargo porque eu mereci”. A fala de Harvey está no contexto do assunto “se importar com Donna” e demonstra como ele ainda associa um aspecto pessoal a uma resposta no âmbito profissional. Desenvolver relacionamentos no âmbito pessoal é algo que ainda não está na prática de Harvey. Sobre a gravidade da fala dele, entendo que Harvey falou isso realmente com a intenção de fazer um argumento de que ele se importa com Donna e não com o propósito de diminuí-la em sua conquista. Porém, com o histórico de Donna, que tem uma regra de não se envolver com os homens com quem trabalha para evitar uma impressão errada e ainda com todos os eventos recentes com Malik, é claro que as palavras de Harvey soariam erradas e agressivas aos ouvidos de Donna. É algo que atinge o ponto que mais tenta proteger. A resposta de Donna a Harvey é merecida e é verdade. Donna chegou lá porque mereceu, Harvey sabe disso e já reconheceu em outras situações. Ter pedido pelo cargo não muda os fatos. Aliás, não estão todos naquela firma sempre pedindo por cargos e promoções?
Depois de deixar claro que o fato de Harvey abandonar o cliente a colocaria no papel de mentirosa e sem integridade quando fosse tentar fazer outros acordo, Donna encerra a discussão com um “Vá em frente e faça o que você quiser. Você sempre faz de qualquer forma” me deixando a certeza de que essa conversa tem uma bagagem emocional muito mais pesada do que parece.
Preciso dizer que Donna está sem um pouco de razão nessa última fala porque pela terceira vez somente nesse episódio, Harvey abaixou a cabeça e fez algo somente porque o pedido partiu dela.
Fox ganhou uma nova chance de jogar limpo com Harvey e acabou compartilhando que o tal Peter Minto é seu tutor, alguém de quem ele se sente devedor, e então, vinha fazendo os pagamentos e tentando adquirir o prédio para que o homem conseguisse manter seus negócios. Quando perguntou por que David não disse isso antes, Harvey ouviu a resposta de que seu cliente precisa que as pessoas acreditem que ele é implacável. Harvey certamente se lembrou de quem ele costumava ser, alguém que não queria demonstrar que se importava para não parecer fraco. Digo “costumava ser” porque o próprio Harvey diz que não concorda com o pensamento de Fox, mas ficou claro que ele se identificou, o compreendeu e o valorizou pelos seus ideais de lealdade.
Agora, mais confortável com seu cliente, Harvey, juntamente com Samantha consegue encontrar uma forma de fazer Billows vender o prédio, com o porém de que, além de custar mais caro a David Fox, também poderia custar a ele a fama de durão, pois o bem que ele estava fazendo a seu tutor acabaria sendo de conhecimento geral. Um dia Harvey disse “Se importar apenas te faz fraco” mas agora ele diz a Fox “Ajudar Peter Minto a permanecer nos negócios não faz de você um trouxa” e convence seu cliente a aceitar a proposta.
Daí então ficamos apenas esperando aquela parte do episódio em que Harvey diz que Donna estava certa o tempo todo, como sempre acontece. Dessa vez, Samantha estava presente na ocasião e quando Harvey reconheceu que Donna tinha razão tanto em colocar David como seu cliente bem como em enviar Samantha para ajudá-lo a coisa toda acaba funcionando como um pedido de desculpas para as duas.
Com Donna e Samantha se juntando para fazer piada sobre Harvey, a cena me diverte, mas ainda não me satisfaz como um pedido de desculpas decente para Donna, e acredito que também não satisfaça a ela. “Uma desculpa muito fraca” como bem disse Samantha. A discussão do saguão tocou em pontos muito sérios da relação dos dois e eles precisam chegar a pratos limpos sobre tudo que estão reprimindo.


Notas:
1.       Esse episódio teve o belo trabalho de direção de Gabriel Macht e ele foi brilhante desde a composição dos cenários (Olá, apartamento lindo da Donna) até os movimentos de câmera.
2.       Quando estava assistindo o episódio fiquei na dúvida se Donna tinha mudado de apartamento ou apenas reformado. No twitter, Aaron Korsh esclareceu que Donna não se mudou. Aconteceu que a produção perdeu a locação e tiveram de recriar o ambiente no set, daí aproveitaram para fazer inovações.
3.       Katrina esquecida no churrasco mais uma vez e eu acho isso um erro gigante.
4.       Achei a participação de Esther pouco relevante no episódio. O que ela fez não foi muito diferente do que Lipschitz fez. Além de ser um reforço para mostrar a ligação de Louis ao judaísmo, não vi muita utilidade na aparição dela.
5.       Donna tem se aproximado muito de Samantha. Vai chegar o dia que precisarão escolher entre o nome de Wheeler ou Williams para pôr na parede e eu não tenho certeza se Donna apoiará o protegido de Harvey.
6.       “Donna não é mentirosa”. Com certeza não é. Exceto quando se trata de dizer o que ela sente por Harvey.
7.       “Péssimo para dar presentes”. De fato, a começar pelo dia que ele deu para aquela namorada dele uma chave de seu apartamento que antes pertencia a Donna, a mulher que ele de fato ama.
8.       Donna pode ter devolvido a chave do apartamento de Harvey mas o acesso a conta dele ela nunca deixou de ter hein?
9.       “As intenções são boas mas com duas semanas eu percebi que eu quisesse realmente curtir meu presente de aniversário, eu mesma precisava comprar”. Com duas semanas que trabalhavam juntos, Harvey estava tentando loucamente dormir com Donna. Não me espantaria se ele deu a ela uma lingerie como presente de aniversário (ou uma cesta com morango e chantilly).


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27 de ago de 2018

REVIEW- SUITS S08E06 ("Cats, Ballet, Harvey Specter")

"Todos vão embora. Todos."


 
Falamos na semana passada sobre como Suits estava trazendo o tema família para o centro dos enredos mais uma vez; sobre como primeiro estavam tratando dos laços de sangue  e como o caminho poderia seguir para os laços afetivos do trabalho. Bem, no último episódio já chegamos nessa segunda parte. O episódio se dedicou a apurar antigas amizades, introduzir novas ligações e também embaralhar alguns laços. Enquanto essas relações iam sendo trabalhadas, tivemos a oportunidade de ver os personagens ganharem mais profundidade – ponto importante para nos afeiçoarmos aos novos rostos e para não perdermos a conexão com os nossos antigos favoritos.
Um nova tarefa surgiu no caminho de Katrina para alcançar a sonhada promoção para sócia sênior. Para ajudá-la a cumprir a tarefa na sua melhor forma, Katrina convocou Brian e os dois deveriam encontrar uma forma de remover o obstáculo que impedia seu cliente de abrir o capital de sua empresa. Circunstâncias de animosidade entre o cliente e o Presidente do Conselho levavam a acreditar que este foi o responsável pelo revés na operação de abertura de capital. Para provar a má-fé do Presidente do Conselho, era preciso ter acesso às minutas das reuniões do Conselho, até então seladas.
Os planos de Brian e Katrina correram bem no depoimento com o presidente do Conselho uma vez que conseguiram fazê-lo assumir a hostilidade que tem em relação dono da agência. Com essa informação registrada em depoimento, foi possível finalmente ter acesso às minutas do Conselho que provaram...nada e a medida não passou de uma artimanha para que os advogados perdessem tempo em uma tarefa inútil.
Brian se manteve firme ao lado de Katrina tentando encontrar algo para vencer o caso e então a dupla se viu pela terceira vez jantando juntos e estreitando a relação. A refeição serviu para terem uma ideia de como provar a má fé do seu adversário mas também foi o momento para vermos com maior clareza um potencial romântico entre Katrina e Brian, um homem casado e com um filho recém-nascido – aparentemente Suits nunca vai deixar de flertar com o tema da infidelidade. A suspeita proximidade entre o par não deixou de ser notada por Donna. A COO exteriorizou sua preocupação em uma conversa com Katrina e a alertou que “nem sempre o coração escuta o que a cabeça diz que nunca faria” (Você fala com propriedade não é, Donna? Quero dizer, é no beijo em Harvey que você está pensando). Katrina assegura que seus sentimentos por Brian são só de amizade mas parece mesmo é que é só nesse momento que ela percebe que está se envolvendo e no que está se metendo.
Mais tarde, quando Brian traz más notícias sobre não ter conseguido novas evidências da má fé do adversário e Katrina se perturba com um recém chegado processo de difamação é que Brian acaba sabendo a importância daquele caso para a carreira da advogada. Ele reclama o papel de amigo dela, interessado em saber de tais coisas e em ajudá-la incondicionalmente. Katrina acaba encontrando uma saída para seu caso e percebe que precisará de mais uma longa noite de trabalho para realizar o que precisa para vencer. Imediatamente Brian oferece sua ajuda mas quando a palavra “esposa” é mencionada, um alarme dispara na cabeça de Katrina e ela dispensa a companhia e auxílio de Brian por aquela noite.
Após o trabalho feito e bem sucedido, Katrina recebe de Brian o agradecimento por ter sido dispensado e ter podido aproveitar uma noite agradável com a sua esposa. A pequena habilidade social e afetiva de Katrina é notada não só por ela nunca ter ouvido falar do “Clube dos Cinco” mas também por ela parecer tão inexperiente para dizer se algo se enquadra ou não nos limites da amizade. Assim é que ela acaba assentindo ao convite de Brian para almoçar “porque é isso que amigos fazem” – o que é verdade, ou apenas uma meia-verdade que o coração conta para a cabeça quando ele apenas quer seguir suas vontades.
Não está claro se Suits seguirá o viés romântico nessa relação mas, se assim for, o plot é por demais problemático. Brian tem um filho recém-nascido e é casado. Aparentemente muito bem casado. E além do mais, o interesse romântico parece completamente unilateral. Não desejo um sofrimento desses para Katrina, assim como não desejo que Brian jogue tudo para o ar para ficar com ela. Suits inventa uma trama romântica desse tipo e ao mesmo tempo faz funcionar um casal que discordava sobre a decisão de ter filhos e depois ainda tem a cara de pau de dizer que Darvey não acontece porque é “complicado”.
Enquanto minhas preces sobre Darvey não são ouvidas, outros pedidos acabaram sendo atendidos nesse episódio. Donna finalmente teve um plot próprio e conhecemos um pouquinho da sua vida fora do escritório. Claro que ainda há um hiato enorme de informações sobre a personagem que desejamos que seja preenchido, mas a trama dedicada a Donna nesse episódio agradou bastante.
Movida pelo desejo de retribuir de alguma forma o seu avanço na carreira, Donna resolveu colaborar em um grupo de caridade que ajudava meninas em risco e no qual trabalhava uma amiga sua, Peggy. Donna buscava entre os advogados da ZSL alguém que pudesse representar os interesses da organização e, depois de ouvir uma negativa de Alex, recebeu uma mão amiga de Samantha. Com toda a razão para desconfiar, haja vista que os primeiros contatos entre Donna e Samantha foram cheios de rusgas e desacordo, Donna inicialmente rejeitou a ajuda da advogada, mesmo após ouví-la dizer que de fato se importava com o trabalho feito por aquela organização na ajuda a meninas.
Há tempos que a infância de Samantha tem sido apenas insinuada mas ainda não esclarecida. Frequentemente Samanta cita vagamente alguma dificuldade que sofreu a exemplo de como comentou com Alex que a vida pode ser dura para uma adolescente, ou ainda de quando contou à filha dele sobre os problemas na escola, a expulsão e a luta para conseguir uma bolsa de estudos e ir à faculdade. Com essa base, o telespectador já tinha razões para crer que Samantha falava sério quando afirmou se importar com o trabalho desenvolvido pela instituição, mas Donna não. Foi só depois de ouvir Alex e pegar um pomposo cheque de doação no valor de cinco milhões obtido graças a Samantha, que Donna flexibilizou e resolveu aceitar a ajuda da advogada.
Um evento de gala organizado pela instituição de caridade foi o segundo sinal que Donna precisou para fortalecer seu voto de confiança em Samantha, já que ela decidiu comparecer ao evento para saber mais sobre o que aquelas pessoas faziam e, assim, mostrou o interesse que Donna precisava ver. A interação entre as personagens nesse evento também foi o sinal que precisávamos para ver que a dinâmica desse dupla é promissora e ganhamos muito mais se elas forem amigas do que aquele velho enredo enfadonho de mulheres em competição. Enquanto aquele flerte entre as duas não me pareceu mais do que brincadeira, também não me surpreenderia se a personagem de Samantha acabasse se revelando lésbica. Além do mais, Donna Paulsen é um baita de um mulherão e merece elogios de todas as partes.
Analisando as contas da instituição de caridade, Samantha encontrou algo que pôs uma pulga atrás de sua orelha. Ela compartilhou sua preocupação com Donna que pediu que a advogada não tomasse nenhuma providência até que ela mesma pudesse conversar com Peggy, a amiga da Donna que trabalhava na entidade. Por razões que só o passado de Samantha será capaz de nos dizer, aconteceu que a advogada não conseguiu se conter e acabou trocando algumas palavras com o CEO da instituição sobre a quantidade a maior que eles vinham direcionando para a arrecadação de fundos. A conversa resultou no fortalecimento nas desconfianças de Samantha, numa ordem de não pagamento daquele cheque doado e na demissão de Peggy.
Por Samantha ter justamente tomado uma atitude que custou a Donna uma amiga, a COO se viu mais uma vez em conflito com a nova advogada. Mais uma vez é Alex quem tenta reparar as arestas do embate entre Donna e Samantha e ele ratifica a Donna o quanto Samantha tem faro para detectar problemas desse tipo. Alex confiava no feeling de Samantha e depois de um tempo Donna resolveu confiar também.
Quando as duas abaixaram a guarda e pediram desculpas mutuamente, Samantha também mais uma vez deixou escapar como seu histórico de vida interferiu para sua atitude. Donna precisava de mais informações sobre Samantha para acreditar nas suas boas intenções e Samantha não conseguia abrir o jogo pois por alguma razão a vida lhe fez não confiar nas pessoas. Ainda sem saber completamente o que pode ter acontecido no passado de Samantha, Donna conseguiu enxergar e compreender seus motivos.
Assim, uniram forças mais uma vez para enfim descobrir quais falcatruas estavam por detrás da instituição e como derrubá-las. O poderoso duo feminino, ameaçando levar a história para a impressa, conseguiu forçar o desonesto CEO a se demitir e nomear Peggy como sua substituta.
Foi de fato um plot cheio de significado que além de atender a uma expectativa de muitos telespectadores sobre uma maior centralização de Donna a nas histórias, também deu conta de dar mais dimensões à personagem de Samantha, trabalhar de forma decente o relacionamento dessas duas personagens e ainda tocar em assuntos de interesse social.
Aqui e ali, Samantha se abriu um pouquinho sobre a sua história pessoal com outros personagens ao longo dessa temporada, mas aparentemente Donna terá/teria sido a primeira pessoa com quem ele compartilhou a história completa enquanto tomavam o tal drink que combinaram no final do episódio. Acredito que ela escolheu a melhor pessoa para isso.
Não é novidade para ninguém que o passado de Harvey também lhe deixou marcas que definem todo o seu comportamento desde o início da série. O episódio dessa semana revisitou o assunto na medida em que traçou mais um conflito no relacionamento dele com Louis.
Enquanto lidava com a notícia de que seu irmão estava de fato se divorciando, Harvey recebeu de Louis outras duas novidades que ajudaram a piorar sua desestabilização: 1. O seu primeiro cliente, atualmente cliente de Louis, havia decidido vender a empresa e não havia nada que Harvey pudesse fazer para mudar isso; 2. O compromisso de Louis em tentar engravidar Sheila o estava impedindo de comparecer a uma reunião de emergência com sua cliente e Harvey precisaria cobrir o colega.
Para quem tem apenas um conhecimento superficial sobre Harvey, isso tudo pode parecer uma bobagem e questões completamente contornáveis. Porém quem não se esqueceu dos seus problemas de abandono e de como os seus problemas familiares se enraízam na sua personalidade sabe que tudo isso assume uma outra dimensão na mente de Harvey.
Apenas para registro, o caso em que Harvey substituiu Louis foi sobre sua cliente ver suas vendas da empresa de cosméticos despencando após uma de suas modelos, uma digital influencer adoelscente, publicar um vídeo alegando que um produto da marca lhe deu alergia. A cliente então desejava processar a tal modelo e limpar o nome de sua marca. Mas o que importa mesmo é que Harvey resolveu tirar o caso das mãos de Louis definitivamente e mais uma vez exaltou seus ânimos para cima do amigo.
Louis levou o conflito para a terapia e depois de inebriar-se com a declaração do Dr. Lipschitz de que ele e Harvey têm um relacionamento, acabou convencendo o terapeuta a fazer um “aconselhamento de casal” com os dois. Mais difícil seria convencer Harvey. Felizmente para isso podemos contar com Donna Paulsen que tem inteligência emocional o bastante para perceber que as reações de Harvey contra Louis estavam sendo desproporcionais e na verdade tinham a ver com o problema que ele estava vivendo em sua família e como isso interferia em seus traumas ainda não suficientemente curados. Donna sabia que Harvey precisava da ajuda de alguém para lidar com as questões que o consumiam e o convenceu a tratar disso.
Louis pode ter enxergado que Harvey estava indo para aquela sessão simplesmente para tentar resolver os conflitos da relação deles dois, mas a verdade era que Harvey estava aproveitando a ocasião para poder trabalhar seus conflitos consigo mesmo. Harvey pode até ter dito na temporada passada para aquela outra terapeuta que ele era um novo homem, que não precisava de terapia e que estava em condições legais e psicológicas para se relacionar com ela; essa outra terapeuta pode até ter sido incompetente e antiética o bastante para aceitar essa conversa, mas o Harvey da oitava temporada e o novo terapeuta parecem mais lúcidos sobre os problemas que Harvey enfrenta.
Enquanto Harvey reproduzia como Louis soava para ele e falava um monte de coisas que sabemos ser verdade, foi seu gaguejar enquanto falava sobre o bebê que indicaram que ele escondia outras motivações para aquele assunto estar lhe incomodando tanto. Harvey precisou elaborar um motivo naquela hora e o que ele disse sobre isso não era a verdade de fato. Seja como for Louis se sentiu ofendido e a “terapia de casal” foi encerrada, mas foi o bastante para Lipschitz perceber que Harvey tinha um monte de questões a serem trabalhadas na terapia.
Embora tenha custado um pouquinho a convencer Louis a ceder parcialmente seu terapeuta a Harvey, este último não ofereceu nenhuma resistência quando Lipschitz lhe declarou que ele tinha questões a serem trabalhadas na terapia. Uma vez “autorizado” por Louis, Harvey simplesmente foi e deixou cair a guarda.
O terapeuta não deixou passar a ênfase de Harvey sobre os planos de Louis  ter um filho. “Quando vocês dois estavam aqui, você gastou um bom tempo falando sobre Louis ter um bebê. Você queria ter um bebê? Ou uma família?”. Enquanto a família de Louis tinha planos de crescer, a família de Harvey se separava. Lipschitz entendeu que os pólos dos tradicionais conflitos entre Harvey e Louis estavam invertidos e dessa vez era Harvey que invejava algo que Louis tinha ( E ainda tem por aí quem ache que a verdadeira natureza do Harvey é ser um mulherengo incurável hein?). Harvey não discordou e foi além. “Todos vão embora”. Ele trouxe à tona mais uma vez as suas questões de abandono, as pessoas que “saíram” de sua vida recentemente e como isso o amedrontava.
Como acontece com outras pessoas que são importantes para ele, Harvey também tem medo de perder espaço na vida de Louis. De acabar abandonado por outra pessoa que ele considera sua família.
Uma vez consciente de suas razões para se enfurecer tanto com Louis, Harvey abre o jogo com o amigo, explica seu comportamento e a base dele e deixa Louis em êxtase por expor claramente o quanto o amigo significa para ele. Se com Louis foi assim, imagina quando Harvey se tornar consciente de suas razões para temer tanto perder uma outra certa pessoa, uma cuja partida para o escritório vizinho lhe causou ataques de pânico. Imagina...

Notas:

1.       Mais festas de gala e mais oportunidade de ver Donna em vestidos deslumbrantes, por favor.
2.       “Eu estou em um relacionamento com o Harvey. Eu posso ser o menino? Ahh, esquece isso. Eu não dou a mínima. Eu estou em um relacionamento com o Harvey”. Deve ser isso que chamam de ‘broderagem’.
3.    Eu gosto de Katrina e Brian demais pra ver ela sendo transformada na destruidora de lares e Brian no marido infiel. Vamos parar por aí.
4.       A forma idêntica como Harvey simplesmente soltou para Donna e para Dr. Lipscritz que seu problema não tinha a ver com o divórcio do irmão (claramente mostrando que tinha sim) não é a toa. Donna de um certo modo tem um papel de terapeuta na vida de Harvey. Ele aponta os fatos a ela, ela lê o comportamento dele e lhe explica o que ele sente. Continua plausível a teoria de aquele relacionamento de Harvey na temporada passada não passou dele projetando os sentimentos que tem por Donna na terapeuta em razão das similaridades entre elas. Gostaria muito que enfim abordassem essa trama como transferência e finalmente pusessem um pouco de sentido na sétima temporada.
5.    Harvey menciona Donna pelo simples prazer de pronunciar o nome dela. Não havia a menor necessidade de, na terapia, detalhar que Donna foi quem deu o recado sobre a cliente de Louis.
6.       Ei, Harvey, você não imaginou que realmente ia precisar dos lenços na terapia não é?
7.     A atuação do Gabriel Macht atinge a excelência sempre que ele precisa fazer atuações mais dramáticas e não foi diferente nesse episódio.

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20 de ago de 2018

REVIEW- SUITS S08E05("Good Mudding")

"Eu juro que tirou um pedaço de mim, Donna."


“Família vem primeiro. Sempre veio. Sempre virá”. São as palavras de Robert para explicar o que deve ser prioridade mas também servem para, de forma sucinta, explicar o tema recorrente de Suits há oito anos. É certo que, na maioria das vezes, a série abordou sobre as relações construídas ali no ambiente de trabalho, a família que acaba se perfazendo no dia a dia. Porém, talvez por toda a reestruturação que tivemos nessa família, esse episódio trata primeiro dos laços de sangue e daí então, quem sabe, podemos voltar a falar dos laços dentro dessa equipe de trabalho e que, mesmo tão diferente do que já foi, ainda pode continuar a ser vista como uma família. Ainda tenho muitas insatisfações com a forma que a escrita da série tem sido conduzida, mas falando de sensações, esse episódio me passou muito o sentimento de antigas temporadas, um encantamento que havia desaparecido há um certo tempo.
Enquanto Alex Williams ainda não consegue demonstrar carisma por conta própria, a sua filha nos foi apresentada e com muito mais rapidez cumpriu essa função por ele. Joy, uma adolescente levemente transgressora, havia recebido uma suspensão escolar e ganhou uns dias para aprender mais sobre a vida na empresa onde o pai trabalha. E já que Joy não tem estado muito disposta a ouvir Alex (te entendo, Joy. Eu também não estou), o serviço de tutoria da adolescente foi terceirizado para Samantha Wheeler, supostamente a figura descolada que serviria de role model  para a jovem garota.
Samantha mostrou mais uma de suas facetas manejando bem uma conexão com a adolescente e logo conseguiu recrutá-la para uma missão jurídica. Enquanto Samantha precisava saber de algum desvio do seu adversário para usar como trunfo em um depoimento, ela usou da oportunidade para ensinar Joy a trabalhar com o que se tem: autoconfiança e blefe. Joy, porém, alegrou os planos da advogada ao trazer algo de mais concreto à suas estratégias quando conseguiu gravar a conversa da parte contrária assumindo que plagiou o medicamento do cliente de Samantha.
Samantha usou a informação como vantagem e conseguiu um acordo vitorioso em troca de não levar a história aos tribunais. Todos muito felizes na ZSL até que Alex descobriu que Samantha andou ensinando a Joy como é andar nas fronteiras da lei. Algo não muito aliado à sua intenção de ensinar à filha os prejuízos da mentira e da violação das regras. Samantha se justificou dizendo que só queria mostrar a Joy como o mundo funciona e é então que Alex diz as palavras mais significativas que ele já disse até hoje na série: “O papel de um pai não é ensinar aos seus filhos como o mundo é. O papel de um pai é um pai é ensinar a eles como um mundo deveria ser”.
Ainda que Samantha tenha segurado a postura após o confronto com Alex, mais tarde quando reencontrou Joy, ela reconheceu a razão do pai da garota e lhe ensinou valiosas lições. Temos Samantha mais uma vez contando um pouco do seu passado que, aparentemente não deve ter sido fácil e moldou a sua dureza para lidar com a vida. Alinhados os passos mais uma vez entre Samantha e Alex, o advogado resolve trazer mais honestidade para esse novo laço e esclarecer que ele também tem uma posição na corrida para se tornar sócio nominal (insira aqui seu bocejo), uma vez que a promessa de Harvey pesa a seu favor. Que vença a melhor mulher – palavras de Samantha, não minhas, mas excelentes, por sinal.
Enquanto uns já lidam com os desafios da paternidade, outros ainda estão no caminho para ter essa oportunidade. A saga de Louis para tornar-se pai seguiu nesse episódio com o pedido de Sheila para que o companheiro checasse a sua fertilidade. Sheila, uma mulher que não há muito reviu abruptamente sua decisão de não querer ser mãe, nesse episódio colocou o objetivo de gerar uma criança como centro de suas preocupações. Suits tem pecado muito pela incoerência.
De todo modo isso nos levou a uma cena divertida entre Harvey e Louis com o humor característico de Suits e que traz traços desses personagens que tanto amamos: o deboche de Harvey e a falta de noção de Louis.
Após chegar a uma conclusão sobre o tipo de coisa em que pensaria para estar “no humor” de fazer o que é preciso fazer num teste de esperma, Louis procedeu ao exame e tudo correu bem até ser solicitado a ir pessoalmente ao consultório. A falta de noção de Louis atacou novamente (mas de um jeito que já não me agrada tanto) e ele chamou Donna para ir com ele à consulta, quando obviamente a mulher que deveria acompanha-lo seria Sheila. Após Donna reafirmar sua amizade mas mesmo assim explicar que não lhe cabia atender ao pedido, o advogado foi sozinho ao consultório e recebeu a notícia de que embora estivesse tudo bem com sua fertilidade, ele teria chances substancialmente mais altas de engravidar Sheila se desistisse dos seus banhos de lama. Ah qual é, Suits? Banho de lama? Primeiro que isso não tem sentido biológico. Segundo que colocar a questão lama versus filho como grande dilema da vida de Louis foi um dos plots mais sem sentido que já vi.
Tão logo se viu pressionado pelo trabalho – pressão propositadamente orquestrada por Sheila – Louis recorreu ao banho de lama para relaxar mas a sua escapada não passou despercebida por sua companheira. Sheila então expôs a Louis a quantidade de prazeres pessoais que ela estava abrindo mão em vista de conseguir gerar a criança que ele tanto estava dizendo querer, além de confrontá-lo sobre os demais sacrifícios que poderiam ser exigidos dele quando a criança chegasse. Acredito mesmo que Sheila tem razão e Louis merecia ouvir todo esse discurso, porém ela ainda parece chata e desagradável dizendo todas essas coisas. Talvez isso se deva à forma um tanto equivocada que a personagem tem sido (des)construída. No princípio uma personagem cômica e caricata que se combinava natural e perfeitamente à personalidade de Louis, hoje uma personagem sem consistência que é moldada na conveniência do plot que estejam desenhando para Litt. Daí não sabemos mais se Sheila deseja de fato ter uma criança, se ela está apenas tentando realizar um sonho do Louis, se ela está revoltada pelos sacrifícios que ela mesma precisa fazer, se está ofendida por Louis não precisar estar no mesmo comprometimento (quando o sonho na verdade é dele) e as palavras dela parecem vazias, pois não sabemos mais no fim das contas qual é a essência da personagem.
Encerrada a discussão de relacionamento entre o par, Louis decide cancelar sua filiação para os banhos de lama para não cair mais em tentação. Donna, ciente da notícia, mais uma vez presenteia Louis com sua sensibilidade e amizade tentando aliviar um pouco a dor da sua renúncia com uma caneca de lama no “gosto” exato de Louis e com a inscrição: Melhor pai do mundo.
Seguindo seu papel de auxiliadora nos problemas alheios, também é Donna que traz para Harvey a questão familiar que ele tem para resolver. Quando o assunto é sério e Marcus realmente precisa falar com seu irmão, então é com a cunhada, digo, Donna, que ele deixa o recado para que Harvey entre em contato.
Marcus revela ao irmão que precisa de sua ajuda profissional para lidar com o processo de divórcio e guarda dos filhos. Os traumas de Harvey voltam para assombrá-lo quando Marcus lhe confessa que um caso extraconjugal é a razão para estar se separando da esposa. Ciente do quanto a situação pode mexer com suas questões pessoais, Harvey vai ao auxílio de Marcus, pois apesar de tudo é seu irmão e Harvey se sente no dever de ajudá-lo.
Após a tentativa de um acordo de paz falhar, Harvey logo se vê lutando pelo irmão no meio da batalha pela guarda das crianças. O problema é Harvey chegou ali com uma versão equivocada da história contada pelo seu irmão. Se Marcus contou uma mentira que por si só já perturbava muito o emocional de Harvey, a verdade que ele tentava esconder era ainda mais prejudicial. Não foi um affair que ocasionou a separação de Marcus e Katie, foi o fato de Marcus tem voltado a apostar, esconder seu erro e ainda ter arrastado a sua filha numa promessa para manter o segredo.
Os traumas que Harvey carrega parecem estar muito mais ligados ao que ele precisou esconder do seu pai do que ao adultério da sua mãe em si. Quando o problema de Marcus estava relacionado apenas a um suposto adultério, Harvey ficou afetado mas ainda assim com uma forte disposição a ajudar o seu irmão. Porém, é quando fica claro que Marcus repetiu um erro de Lily em fazer uma criança carregar a responsabilidade de esconder algo importante de alguém que ama que Harvey realmente se mostrou despedaçado e decepcionado com Marcus a ponto de, naquele momento, não estar mais disposto a representá-lo.
É uma conversa sensível e profunda com Lily que flexibiliza Harvey mais uma vez. Lily reconhece a sua responsabilidade pelo modo em que as personalidades de Harvey e Marcus foram moldadas. Ela sente como sua própria culpa o fato de Harvey ter tanta dificuldade para lidar com o erro do irmão e sente culpa pelas fraquezas de Marcus. Ela pede então que Harvey não deixe que Marcus sofra as consequências de um erro que tem origem nos erros dela própria.
A satisfação de Harvey poder ter cenas desse tipo com sua mãe é enorme. A maior parte do arquétipo que compõe Harvey foi moldada em cima da sua história com Lily. Os seus valores de lealdade são ligados a isso, o seu desconforto com adultério tem raiz nisso, os seus problemas de abandono tem fundamento nisso, a sua necessidade de sempre parecer forte e indiferente tem fundamento nisso, a sua dificuldade de assumir sentimentos e ter um relacionamento real (apesar de toda a admiração que ele tem pelo conceito de família) está completamente sedimentada nisso. Quando vemos Harvey sendo capaz de superar mais um pouquinho dos seus problemas a partir de uma conversa com a própria mãe – razão dos problemas – então vemos que a evolução do personagem é maior do que nunca e ele pode finalmente estar pronto para tomar as decisões e assumir os riscos que precisa para encontrar felicidade.
Harvey então compreendeu que se foi capaz de perdoar a mãe, ele também seria capaz de perdoar ao irmão – que errou, sim, mas cujo erro tinha uma menor dimensão e assumia maiores proporções apenas na mente de Harvey, atormentada pelos antigos traumas. A estratégia de Harvey, porém, não era das mais nobres. Para que o irmão não perdesse a guarda dos filhos, a única solução que Harvey encontrou foi questionar a responsabilidade de Katie na tarefa de ser mãe.  
Marcus, antes fraco e falho, agora teve a honradez de rejeitar o plano de Harvey e exigiu que ele encontrasse um outro jeito. E ele encontrou. O Harvey advogado feroz deu lugar ao Harvey negociador sensível, um Harvey que entende os significados de perdão e amor e a necessidade de valorizá-los quando o assunto é família. Harvey contou a Katie qual foi a posição de Marcus sobre o plano que ele pretendia empreender e isso certamente amoleceu o coração da cunhada.
Depois de conseguir resolver a situação, Harvey decidiu encerrar seu dia doloroso ouvindo a voz de Donna. Ela, leitora de mentes, interpretou que o objetivo da ligação era que ela desse o recado a Robert de que retornaria no dia seguinte. Já eu acho que Harvey tem o número do telefone do próprio Robert. O que já sabemos ( e que Donna também sabe mas estava tentando negar) é que Harvey precisava do ouvido e das palavras de Donna para diminuir sua agonia e tentar preencher um pouco do pedaço que ele lhe sentiu arrancado.


Notas:

1. STRAWBERRIES AND WHIPPED CREAM!! STRAWBERRIES AND WHIPPED CREAM!! Vocês acreditam que o Harvey realmente falou que fica “animadinho” (pra dizer o mínimo) pensando nas coisas que ele e a Donna usaram na noite que ficaram juntos? E ele falou isso para a própria Donna? E ela nem relembrou o compromisso que eles tinham de não tocar nesse assunto? Desde quando é permitido trazer esse tema à tona? E ainda mais para flertar descaradamente? Eu assisti ( e sigo assistindo) gritando. A cena é perfeita e a química desses dois é surreal, mas ainda preciso de explicações de como de uma hora para outra eles se sentiram com a liberdade de conversarem desse jeito e com tão pouca vergonha. Enfim, que continuem.
2.  “Pra mim parece que foi há 12 anos e meio”. Aposto que o Harvey conta os anos, meses, dias e horas desde quando ele comeu chantilly e morango diretamente da pele de Donna.
3. Exceto pela falta de beijinho de despedida antes de ir pra Boston, Harvey e Donna pareciam um casal casado nesse episódio. Falo com tranquilidade.
4. Dois episódios consecutivos sem Katrina. Não é pra isso que você promove alguém a personagem regular.
5.  Mais uma vez estou aqui implorando para que Donna seja mais do que a “cola” que une os personagens. Ela está ali sempre reparando o problema de todos, consolando a todos, mas continuamos sem ver Donna tendo os próprios enredos.
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