4 de mai de 2013

Review - Criminal Minds - S08E20 - Alchemy


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Por Débora G.R.Clemente


Sei que estou me tornando cansativa, mas é inevitável repetir a frase: episódio sensacional!

Talvez o grande pecado da série em seu início tenha sido não explorar melhor os dramas vividos pelos seus agentes de forma mais pessoal, coisas que no passado eram apenas levemente mencionadas, como o problema do Reid com drogas, as dificuldades do Hotch em seu casamento, seu luto claramente mal explorado após a perda da ex esposa como consequência de seu trabalho, entre outras várias coisas. Por outro lado, sempre que tentavam explorar melhor um assunto pessoal relacionado à alguém da equipe, o episódio saía perdendo em conteúdo no que dizia respeito ao caso da semana, acabava faltando espaço para informações, as coisas ficavam mal resolvidas ou resolvidas com muita rapidez ( isto, em minha opinião ficou evidente, por exemplo, no episódio Big Sea ( 6x23) onde a resolução do caso disputou espaço com cenas do Morgan e sua tia que buscava a filha desaparecida). São em média quarenta e cinco minutos para serem distribuídos entre as duas coisas. E um dos  lados sempre saía perdendo algo, em detrimento do outro.

O roteiro preciso de Sharon Lee Watson e a direção brilhante de Mattheu Gray Gluber parecem ter resolvido este problema. De forma cirúrgica eles encaixam as duas situações, sem que qualquer delas fique mal explicada, usando uma como pano de fundo para a outra.

O tema principal do episódio é a dor do luto ou, melhor dizendo, o luto mal resolvido. Toda perda é dolorosa, mas a forma como lidamos com ela é o que determina como seguiremos em frente.

Reid, em uma evidente busca por encher-se de trabalho para compensar o fato de não saber como lidar com seus sentimentos, encontra elementos suficientes para convencer a equipe de que há um novo serial killer agindo e espalhando corpos em uma reserva indígena. Como não há tempo suficiente para lidar com cenas que virão a seguir tratando do luto de Spencer, de forma inteligente o roteiro opta por substituir as longas cenas em necrotérios com legistas ou cenas de crime, por diálogos rápidos, cheios de informação, onde fica muito claro o método para se traçar um perfil (  esta temporada voltou, depois de muito tempo a valorizar isto, o desenrolar do raciocínio dos agentes havia dado espaço para cenas que apenas mostravam o modus operandi dos unsubs ).


Não demora muito para a equipe notar a ansiedade e o aparente descontrole de Reid e cabe ao Rossi confrontá-lo, como era de se esperar, de forma muito paternal e ajudá-lo a lidar com o luto. É um embate de dois atores dando o seu melhor em um texto inspirado, em uma cena comovente, principalmente para pessoas que já perderam alguém próximo.


Paralelamente, o caso vai tomando forma e descobrimos que a dor é também a motivação maior para uma assassina que, ao final do episódio, descobrimos ser também, de certa forma, vítima de um sociopata, que  claramente a manipulou e fez uso de sua dor para dar vazão aos seus instintos assassinos. A forma como o caso ganha uma reviravolta no final do episódio é muito interessante, pois embora para os mais atentos os sinais estivessem todos lá ( a empregada curiosa, o funcionário ignorando suas perguntas e aconselhando-a a ignorar tudo o que se passava no Chalé, o olho espiando a mulher agindo, entre outras coisas), a motivação para os crimes acaba tomando uma dimensão muito maior do que nós espectadores podíamos imaginar.

Matthew faz uso de cores sóbrias, pouca iluminação e decoração retrô nas cenas com a unsub no Chalé, bem como nas cenas com Reid expressando seus sentimentos, em contraponto ao restante do episódio, o que valoriza amplamente a trama. De todos os episódios que ele dirigiu este é o mais sensível, e o primeiro que fala de seu próprio personagem, acho que deve ter sido muito especial para ele. O diretor também gosta muito de tomadas diferenciadas, ângulos que fujam do lugar comum e sai-se muito bem na tarefa ( a cena da porta na saída do Hotch da delegacia da reserva e a girada incrível de câmera na cena do sonho são bons exemplos disto).


Cabe ao final, alguns comentários especiais:


- Gosto muito quando os roteiristas introduzem no episódio elementos que nos lembram que eles são humanos: a cena onde JJ, Morgan e Blake debatem sobre o perfil enquanto fazem um lanche, o Rossi flertando com a prostituta e fazendo piada disto com a JJ, Reid bebendo café no avião, além do toque humorístico da Garcia, contrariada por não poder concluir seu comentário para lá de quente sobre Morgan. São pequenas distrações que suavizam o tema sempre pesado da série.


- Matthew parece gostar de filmar cenas que beiram ao terror ou ao sobrenatural e sabe valorizá-las como tal. Elas sempre aparecem em seus episódios ( menos em Lauren, pois o assunto não lhe dava esta abertura) e isto está virando uma espécie de assinatura em sua direção ( aqui ele usa o mesmo tom onírico que usou em Heathridge Manor ( 7x19 ), explorando as alucinações e sonhos ).


- A cena final de Alchemy é um primor. Além de muito  bem filmada, resolve o assunto de forma definitiva, deixando claro que Reid optou por seguir em frente. Além disto ela oferece aos fãs aquilo que eles não puderam ver acontecer de verdade: uma cena que selasse o amor de ambos, uma lembrança de um amor que existiu mas não foi consumado. Sem dizer da frase dita pela Maeve: - Vamos dançar, antes que eu seja um fantasma em suas memórias. Sensível e eficiente forma de dizer a ele: - Agora você já pode e deve seguir em frente!


De forma geral, a oitava temporada tem tido excelentes episódios, optando por mesclar o Replicador, casos com unsubs muito interessantes e o desenrolar da vida pessoal dos agentes. Alchemy sem dúvida é um conjunto primoroso de roteiro, direção, detalhes técnicos e interpretações que vai entrar para a estória de Criminal Minds como um episódio inesquecível.


Esperando agora por um desfecho perfeito para uma ótima temporada!

Até o próximo!

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