23 de set de 2013

Review - Dexter - S08E12 - Remember The Monsters? - SERIES FINALE

Debster: maior motivo para sentir saudade de Dexter.

Cuidado, spoilers!
        Depois de oito anos, “Remember The Monsters?”, o tão esperado episódio final de Dexter, vai ao ar. A sensação, para alguns, é de “já vai tarde”. Para outros, o sentimento é saudade – e eu sou desse time, embora tenha sérias restrições ao series finale, exibido nos Estados Unidos ontem.
Para iniciar a review de hoje (é a última de Dexter, afinal de contas!), devo dizer que não acompanho Dexter desde o começo: comecei a assistir a série esse ano mesmo, durante as minhas imensas férias entre a aprovação no vestibular e o início das aulas (ah, as federais...). Vi as sete temporadas em aproximadamente um mês. Após a excelente season finale da sétima temporada, esperei, como todos os outros fãs, pelo primeiro episódio da oitava temporada – o início da despedida. Os trailers apontavam para uma temporada eletrizante do início ao fim: o que tivemos, foi um bom começo de temporada, depois uma série de episódios mornos e, para conduzir ao final, capítulos novamente empolgantes. Não serei injusta de dizer que o series finale não teve um bom ritmo: por mais que eu tenha achado a maneira para Debra morrer péssima e o destino final de Dexter patético, tédio não foi um sentimento meu durante o episódio. O problema, creio, foi mais grave: os eventos, em si, do roteiro, não somente a execução dele.
No episódio anterior, Debra levou um tiro de Oliver Saxon e o agente federal Marshall, que está seguindo Debra e Dexter procurando por pistas de Hannah McKay, ajuda Saxon a escapar, achando que ele era vítima de um maníaco, e é esfaqueado, também por Oliver. Quando o socorro chega à cena do crime, Marshall já está morto, mas Debra não. Ela é levada para a ambulância e Quinn a acompanha até o hospital: ela, então, diz para ele que achou que talvez só estivesse recebendo de volta o que merece. Confesso que esperei uma confissão do assassinato de LaGuerta, uma espécie de confidência do leito de morte, mas Maria sequer é citada no episódio. Ok, posso viver com essa decepção.
Depois de despistar Elway no aeroporto e com o cancelamento de todos os voos por causa da tempestade Laura, Dexter segue para o hospital onde a irmã está passando por uma cirurgia e é consolado pelo pessoal da Miami Metro e por Matthews. Sobre Matthews, aliás, gostaria de dizer que me decepcionei um pouco com o personagem: a essa altura, já me parecia improvável que ele soubesse de algo sobre o Código de Harry, mas, por algum tempo, eu tive essa esperança e, creio, outros fãs também.
Ao término da cirurgia, Debra e Dexter protagonizam uma das cenas mais legais entre os dois da temporada (no quesito “cenas Debster”, para mim essa é a melhor temporada. Mas atenção, apenas nesse quesito): ela pediu para que não o informassem do tiro, mas lá está ele, se culpando por ter arruinado a vida da irmã – que responde “minha vida não é sua para que você a arruine”. Embora eu não creia muito nessa lógica – apenas para citar um exemplo da própria série, a vida de Rita certamente foi estragada por uma escolha que não foi dela, já que ela não sabia desse lado serial killer do esposo dela - a cena é muito legal de se ver. Provavelmente o que mais sentirei falta em Dexter é justamente a interação entre os irmãos Morgan (e da própria Debra, minha personagem predileta na série desde a primeira temporada, com seus palavrões). Debra pede para que Dexter vá para Argentina – afinal de contas, a médica está esperançosa a respeito do estado de saúde dela – e logo eles se encontrarão, para fazerem escaladas nas montanhas do país. O “goodbye” não deveria ser definitivo – mas foi.
Hannah acaba por embarcar num ônibus de evacuação de Miami sozinha, com Harrison, a fim de seguir para Buenos Aires com o garoto, onde, depois, se encontrarão com Dexter. Saxon ainda está à solta, e é necessário para Morgan consertar o erro que ele cometeu ao não matar o Brain Surgeon. Palmas, Dexter, palmas. Todos os erros das temporadas anteriores, no que tange a deixar assassinos à solta, não foram suficientes para que ele aprendesse a fazer a coisa certa. Daniel Vogel (ou Brain Surgeon. Ou Oliver Saxon) corta a língua de um veterinário a quem estava coagindo para dirigir até o hospital onde Debra está e, com a atenção de todos voltada para o rapaz, entra no hospital. Aparentemente ninguém assiste TV em hospitais, porque ele é um homem procurado desde o dia anterior e ninguém o reconhece. Mas vamos esquecer este imenso furo e seguir: Vogel troca alguns olhares com Morgan na porta do quarto de Debra, Dexter está pronto para atacar – mas não é necessário, pois a polícia, que estava vigiando o quarto, o algema.
Dexter abre a porta do quarto da irmã, somente para descobrir que ela não está lá: algumas complicações ocorreram (ela sofreu um derrame) e agora Debra está na UTI, em estado vegetativo. A mim tudo isso parece extremamente dramático: eu realmente preferia que Debra tivesse uma morte mais, digamos, instantânea, ou que Dexter fosse forçado a matá-la no bom estilo de sempre, com direito ao corpo todo cortado em pedaços, ou que ela fizesse um pacto suicida com o irmão, ou que fosse para a cadeira elétrica pela morte de LaGuerta e cumplicidade com o Bay Harbor Butcher, DROGA, TUDO, MENOS DEBRA EM ESTADO VEGETATIVO. Foi muito heart-breaking, um destino muito cruel, mesmo para uma personagem que só vinha se dando mal desde a primeira temporada. Saudades Jennifer Carpenter, tá de parabéns pelo trabalho que fez durante a série. De verdade.
Após o interrogatório da Miami Metro, Saxon vai ser examinado por Dexter. Dexter não trabalha mais na Miami Metro, mas, claro, isso não é problema para nosso serial killer, que – finalmente - mata o Brain Surgeon com uma... canetada no pescoço. Batista e Quinn assistem ao vídeo e concluem: defesa própria. Acredito, pela expressão dos atores, que nenhum dos dois personagens crê nisso, mas, como aparentemente é desejo geral ver o filho de dra. Vogel morto, eles “aceitam” a versão.
Agora, vem a parte mais complicada do episódio: a eutanásia de Debra. Assim como fez com Camilla na terceira temporada (para quem não se lembra, Camilla era funcionária da Miami Metro e grande amiga de Harry), Morgan mata por misericórdia. Ele desliga os aparelhos da irmã e, sem ser notado (outro grande furo do roteiro), carrega o cadáver dele até o barco, Slice of Life. Lá, ele joga o corpo da irmã ao mar e desaparece na tempestade Laura.
Embora não seja um episódio primoroso (eu não ousaria indica-lo sequer como o melhor da temporada, ao contrário: mesmo até aqui, é possivelmente um dos piores), até aqui “Remember The Monsters?” poderia ser salvo. Bastava que fôssemos levados a crer que, sim, Dexter morreu durante o furacão que, curiosamente, leva o mesmo nome de sua mãe biológica, em alto mar e lá seu corpo ficará, como as vítimas dele e a recém-morta irmã. Todos em Miami acreditam na hipótese, já que os destroços do seu barco foram achados. Hannah, já em Buenos Aires com Harrison, lê a notícia na internet e parece comovida, mas disfarça o choro para não preocupar a criança, que apenas quer um sorvete.
Acreditar que Dexter humanizou-se o suficiente para sentir-se culpado e abalado com a morte da irmã, não querer fazer com que Hannah e Harrison sofram o mesmo que Debra e Rita sofreram e, com isso, suicidar-se ao jogar-se na tempestade, seria um final decente. Não digno do que Dexter foi em outras temporadas – nem de longe -, mas decente. Assusta-me que nas manchetes dos jornais que anunciam a morte de Dexter não haja menção ao sumiço de Debra do hospital (uma pessoa que, dado seu estado vegetativo, não poderia ter saído de lá sozinha) ou ao próprio Harrison, mas, paciência, podemos até deixar passar isso. Mas nosso Bay Harbor Butcher virou um lenhador, de barba e camisa flanelada xadrez, em algum lugar muito distante da Flórida. Não há explicações, não há trilha sonora, apenas o olhar de Michael C. Hall com uma expressão meio cansada, talvez meio culpada.
Michael C. Hall, você atua muito bem, mas, me desculpe, sem palavras estão os fãs, para um final tão... anti-clímax. 

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