15 de out de 2013

Review – Criminal Minds – S09E03 – Final Shot

Por Débora Gutierrez Ratto Clemente

Contém spoilers

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, segundo o "Pai da Química" Antoine Lavoisier, ou se copia,segundo o mercado publicitário. E quer saber? Em Criminal Minds, nove temporadas depois, isto ainda funciona muito bem. É bem provável que por isto o show se mantenha na casa dos quase onze milhões de espectadores, quando séries novas minguam , lutando para não serem canceladas antes dos fatídicos  oito episódios de aprovação. Com um pouco de tudo aquilo que os fãs amam ver, Final Shot consegue construir uma estória inteligente, utilizando-se de recursos que nos remetem a vários outros episódios.

Se para nós brasileiros a cena inicial é muito aflitiva, imagino o quão brutal deva ser para os americanos , ver na tv cenas que lembram  uma dolorosa e cruel rotina  que vem se estabelecendo nos EUA, as mortes aleatórias cometidas por desajustados sociais que saem atirando para matar quem estiver pela sua frente ( a equipe menciona o ataque na Maratona de Boston, mas sabemos que existem vários casos deste tipo, como o rapaz que atirou em uma escola, matando vários alunos, inclusive sua mãe, uma professora, antes de se matar ou o fuzileiro naval  que matou oito inocentes antes de atirar contra a própria cabeça,entre outros).

Gosto desta iniciativa dos roteiristas de voltar a explorar a utilização do perfil detalhado, que, como disse na última review, em última análise, é o objetivo primeiro da série. Prefiro, ao contrário de muitos, abrir mão da ação em detrimento dos aspectos psicológicos que são abordados para que os profissionais cheguem ao criminoso.

Quando Hotch e Rossi chegam à delegacia, a preocupação primeira é explorar a hipótese do terrorismo doméstico (ou não doméstico, os EUA nunca se recuperaram do episódio do Onze de Setembro). Ver Eve LaRue no papel de uma investigadora em Criminal Minds é muito estranho para quem a acompanhou por tantos anos em CSI Miami e isto apenas reforça o quão alguns atores ficam marcados por seus personagens de longa data ( fiquei esperando quando ela iria abrir a maleta de CSI e colher digitais, rs). Os comentários de Rossi sobre o orçamento do FBI ( em um momento em que os EUA atravessam uma crise financeira e de credibilidade) e da Garcia sobre existir um segundo atirador no caso Kennedy ( sim, também comungo desta opinião conspiratória), são um bônus para fãs atentos à fatos reais e conferem  veracidade à trama. Outro fator interessante, são os depoimentos que levam a falsas pistas - a garota no hospital dizendo que viu um homem careca atirando ou a possivel ligação do caso com um membro de uma comunidade ariana que luta pela supremacia branca. Esta última informação não nos leva ao assassino, mas rende uma cena sensacional. A interação de JJ e Morgan funciona perfeitamente como provocação e o momento em que nosso agente negro toca nas mãos do prisioneiro é brilhante em mostrar o racismo latente naquele homem branco, crente de sua superioridade racial.  Uma triste realidade infelizmente não apenas americana, mas repugnantemente mundial.

Quando acontece o segundo ataque, a equipe passa a ver o caso com outros olhos, sempre focando em informações que tracem um perfil mais aproximado do atirador ( é interessante ver que informações como a posição do assassino e o trânsito local possam levar a uma conclusão que defina a pessoa que eles estão procurando). Em contrapartida, vemos em mais de um momento, cenas da vítima, sendo protegida por um homem por quem, a partir da construção dos diálogos nos afeiçoamos, nos sensibilizamos com  sua estória de vida, com sua compaixão em ajudar quem precisa. Estas cenas são cruciais para que o impacto desejado ao final do episódio seja atingido com perfeição. Não restam dúvidas de que estamos assistindo a estas cenas em tempo real, e a cada instante, sentimos o atirador mais próximo de seu alvo. A opção por levar Reid de volta à cena do crime como recurso visual sempre foi uma marca nos episódios iniciais da série e volta a ser utilizado com eficiência (bem como as cenas de flashback com fotografia e iluminação diferenciadas e mesmo a utilização do tema, pois temos atiradores aleatórios em pelo menos dois momentos da série : LDSK – 1x06 e Pay It Forward – 8x19).

Quando pensamos que a crueldade maior do unsub é matar pessoas aleatórias, eles tomam folego e nos impactam com outra realidade mundial dura de engolir: a violência doméstica que arruína a vida de centenas de milhares de mulheres no mundo todo. Desta forma o caso ganha nova reviravolta, e passamos a saber mais sobre a rotina e procedimento de abrigos que ajudam estas mulheres a escapar de tamanha crueldade. Bem quando eu já ia reclamar sobre a vítima aprender tão rápido sobre como memorizar objetos eles  engrenam na busca por aquele que seria o marido buscando vingança da mulher que ousou desafiá-lo e abandonar a vida de maus tratos. Me soou meio bobo o homem fugir da polícia, já que facilmente ele teria infinitos recursos financeiros para se defender da acusação, mas a morte dele caminha para encerrar o episódio com ação e mais uma surpresa.  A desconstrução do ambiente  nos choca quando descobrimos que o homem que a protege é o mesmo que a persegue. O recurso de imagem que leva a sobrepor  realidade à fantasia também não é novo ( foi utilizado no 4x06 – The Instincts), mas é muito eficiente. Até quase o final do episódios somos levados a crer na fantasia do atirador e o abraço que Rebecca dá nele ao final chega a ser comovente. Ao mesmo tempo em que vamos nos acostumando com a reviravolta, Hotch nos explica o que é “fantasy integration” (integração fantasiosa em uma tradução ao pé da língua, na falta de conhecer o termo técnico específico usado aqui no Brasil para estes casos), um exercício mental a que atiradores de elite se submetem para manter-se acordado por até tres dias, mantendo-se totalmente focados em suas vítimas. E, por fim, para agradarem os fãs que não abrem mão de um pouco de ação, Hotch alvejando o assassino da mesma forma que o proprio atingia suas vítimas, com um tiro certeiro à longa distância, deixando extasiados os fãs do personagem. Um final sob medida para os fãs que vivem reclamando da revelação da identidade do unsub logo no início do episódio.

Não se pode negar o esforço dos roteiristas desde a temporada anterior em voltar às origens da série, resgatando os perfis detalhados, a sobreposição de imagens dos agentes nas cenas de crimes, os enquadramentos diferenciados e ainda alguma ação, ainda que este último ítem nunca tenho sido princípio básico da série. E o resultado não poderia ser melhor: mais do mesmo, reescrito com cuidado e atenção para parecer diferente e esperarmos ansiosos pelo episódio da próxima semana. Tá de bom tamanho para você? Deixe sua opinião!

Observações finais:

·          *  Desde já, em pequena cena ao telefone, e em seguida em diálogo com Reid,eles já começam a plantar a idéia de um problema com JJ. Em minha opinião, eles jamais colocariam a agente para trair seu marido.Tenho para mim que eles vão vasculhar o passado da moça ( ela tem um caso de suicídio na família - a irmã) e acho que eles podem explorar um pai abusivo ou omisso ou um namoro que deu errado e o novo chefe do departamento a teria apoiado firmente nesta situação, formando assim um laço forte entre eles. Não esperem por adultério, por favor!  
·       
             *  A mesa da Garcia parece o quarto do meu filho quando tinha dez anos de idade. Está um pouco exagerado, eles podiam maneirar no look.

·         *  Por sinal, a Kristen emagreceu horrores desde o início da série. A cena dela em pé na porta do elevador  mostrou a gritante diferença.

·         *Finalmente deram um jeito no cabelo do Thomas!

·         *  E sobre o Hotch vestindo aquela camisa branca e colete, bem, eu, ah!, eu...deixa para lá, quem me acompanha sabe bem o que eu quero dizer, rs..


Esperando ansiosa pelo próximo episódio. Até lá!

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