22 de out de 2013

Review - Criminal Minds – S09E04 – To Bear Witness

Por Débora Gutierrez  Ratto Clemente



Contém spoilers!


Desde a sétima temporada de Criminal Minds venho dizendo que os roteiristas são hábeis em tirar água de pedra, trabalhando frente a tantas adversidades - as famosas trapalhadas da CBS - mas parece-me que finalmente eles encontraram o caminho das pedras nesta nona temporada.  A série nada contra a corrente  e inverte o processo de desgaste que costuma ocorrer  com o passar do tempo em séries de longa duração. A narrativa vem naturalmente construindo um ambiente mais descontraído entre os agentes ( mostrando sempre algo a mais do que apenas resolver casos e assim humanizando-os) e ao mesmo tempo abordando casos cada vez mais criativos, onde prevalece o perfil. 

O destaque  “out of the case” desta semana foi a introdução do novo chefe de seção a substituir Erin Strauss e sua interação misteriosa com a JJ.  O episódio abre de cara com um encontro entre eles em uma corrida pela manhã em um parque para levantar a bola de um possível caso amoroso entre os dois. Claro que isto é apenas uma fagulha com o intuito de acender a curiosidade em torno do que virá a ser o tema principal da temporada, centrado na agente. A apresentação do chefe Mateo Cruz à equipe se dá de forma natural, e é durante o episódio que veremos a reação de cada membro do time  ao seu superior. Boa a opção de jogá-lo de cara em campo, pois não haveria melhor forma de avaliar a equipe que irá chefiar senão acompanhando-a de perto e, ao mesmo tempo, fazendo-se conhecer. Aqui faço um adendo: não poderia ser de outra forma, Derek Morgan, muito humano, dedicado, que sempre dá o máximo de si em cada caso, é sempre o primeiro a questionar novas decisões, novos membros, com seu jeito desconfiado, característico de quem nunca consegue estabelecer um vínculo de fé. Ele nunca confia em ninguém. E custa para qualquer um ganhar sua confiança. Totalmente compatível com sua personalidade e sua estória de vida. Já dá para ver que serão longos os embates prós e contra dele e de JJ, que por motivos ainda desconhecidos tomará as dores do novo chefe. A reação dela aos comentários do Morgan no carro já deram o tom do que está por vir.

Embora a motivação do assassino da semana tenha sido banal, sua execução não poderia ter sido mais elaborada, expondo uma crueldade sem limites. O clima altamente claustrofóbico gerado pela impossibilidade da vítima em se expressar foi de forma genial acentuada pela narrativa in off que nos remete ao horror de estar preso em seu próprio corpo, sem controle  sobre si mesmo. E o desempenho do guest star Franklin Killian foi de pura emoção, em tendo sua atuação limitada a pequenas expressões faciais e sua voz desvinculada da imagem correspondente.

Entre idas e vindas da investigação, caiu muito bem a sacada de incluir uma colaboração da ex colega de equipe Emily Prentiss, mantendo aquecido o território para sua sabida volta em uma participação no episódio de número 200. Uma ajuda vinda da Interpol coloca os agentes mais próximos de chegarem ao nome do criminoso e agrada aos fãs com a menção ao nome da querida personagem. A opção por utilizar-se de nanotecnologia é sempre muito arriscada  porque pode cair no descrédito da  ficção científica, então, fizeram bem em colocar explicações um pouco mais específicas à respeito, como o fato deste recurso ser caro ou utilizado em contra espionagem e dele existir ao alcance de qualquer um pelos obscuros caminhos da internet. E, ainda melhor foi a explicação vir do novo chefe, que parece familiarizado com tais recursos.

Foi um episódio com ampla participação de todos os membros do time por igual. Aos poucos, à custa do auxílio de Garcia no computador e diversas considerações dos agentes acerca de novas descobertas, eles chegam à nova vítima e por conseqüência ao unsub, que esperava ser preso a qualquer momento, já que afinal este era seu objetivo: chamar a atenção de todos, em especial de seu pai. O discurso firme de Hotch no momento da prisão com o criminoso, com a presença do novo chefe por testemunha traz  o melhor do agente  para o jogo. Quando Anton comenta, se vangloriando de que o que ele fez seria inesquecível  para o pai e para a irmã e pede sua opinião, pergunta: - Você esqueceria? Ao que o agente responde da forma mais fria possível: - Eu já esqueci! No melhor estilo Aaron Hotchner de ser.

Não sem razão o chefe de seção admite que Hotch é ótimo em campo e, posteriormente, afirma ao Morgan que a equipe é ótima. É interessante ele fazer este comentário justamente o Morgan ao sair, já que vem dele o maior desconforto com um novo chefe de seção. É provável que Mateo Cruz conheça melhor sua nova equipe do que eles mesmos imaginam. 

Voltando à  JJ e Cruz, será difícil manter o galo cozinhando durante dez episódio ( se não me engano, o episódio 200 é o décimo quatorze), principalmente porque, como ela mesma disse, qualquer olhar enviesado os exporia ( olhar este que já deixou o Rossi desconcertado ao entrar no elevador). Como Cruz acha que seu processo de recolocação  foi acelerado  pelo próprio Estado e JJ mencionou que o caso já tem cerca de três anos, podemos deduzir duas coisas a partir disto: como Emily irá voltar no episódio duzentos é provável que o caso esteja relacionado de alguma forma com a Interpol. Isto nos leva ao caso de ocultação na morte fake de Emily ( o que no momento não me parece muito provável, visto que o principal culpado foi morto pela equipe) ou um caso investigado por baixo dos panos por ambos ( como ameaça de terrorismo, por exemplo ) e que colocará em risco a vida de JJ e equipe. De qualquer forma, os roteiristas já nos mostraram como podem ser capazes de construir estórias pouco a pouco, coisa meio recente em Criminal Minds e acredito que o arco será consistente e bastante impactante. É esperar para ver. No momento minha curiosidade total está voltada para o episódio 9x05, Route 66, onde certamente sofreremos um enfarte junto com o Hotch, rs. Deixem suas opiniões!!

Observações finais:

* Garcia dizendo “Oi”!!!!!
* A construção de um entrosamento perfeito entre Reid e Blake tem se firmado a cada episódio. Perfeito usar palavras cruzadas para isto!
* Enquadramentos do ponto de vista da vítima perfeitos para ajudar a construir  o clima claustrofóbico do episódio. O mesmo para a utilização da trilha sonora, muito bom.
* Ponto para a escolha do ator Esai Morales que entra para o time dos engravatados do Bureau com a mesma firmeza e simpatia com que atuou em diversos filmes e seriados, sendo seu papel mais conhecido o do investigador Tony Rodriguez no extinto NYPD Blue ( ou Nova York Contra O Crime aqui no Brasil). Gostei.
* Parece que Reid e “o pente” fizeram as pazes. E os anjos dizem AMÉM, rs,rs...
Abraços a todos e até o próximo episódio! 

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