3 de fev de 2017

Review- Suits S06E12- "The Painting"







"Gordon was proud of a lot of things in his life, but none of it compared to how proud he was of them."


Costuma-se dizer que ninguém pode ser bom em tudo. Eu me arrisco a dizer que se Suits não é, pelo menos chega tão próximo quanto possível. Sim, porque quando Suits é “juridiquês”, nós encaramos os casos mais intricados e as resoluções mais sagazes (e todo mundo começa a considerar se não deveria seguir a carreira legal). Porque quando Suits apela para a comédia nós recebemos os episódios mais divertidos, de fazer inveja às mais famosas sitcoms. Mas quando Suits faz drama...Ahh..esteja com seu estoque de lenços porque você vai precisar. E esse foi o caso do episódio dessa semana.
Em The Painting tivemos a oportunidade de ver nossos protagonistas em duas tramas distintas na busca por seus caminhos. Harvey em uma jornada de reconciliação com a sua mãe. Mike recebendo uma nova oportunidade de retornar ao universo jurídico, dessa vez concretizando os seus primeiros ideais.
E a oportunidade de Mike veio pelas mãos de Nathan Krueger (Peter Cambor) que, pra quem não lembra (tudo bem, ninguém é obrigado a ser Mike Ross) já deu as caras em um flashback na quarta temporada e comanda uma clínica jurídica desde aqueles tempos. A contratação representou uma dupla vantagem: Mike ganha um emprego, Nathan ganha um profissional de ponta a preço de banana.
O porém é que Mike chegou no terreno novo já cantando de galo como chefe. Convenhamos, essa não é a forma de chegar mais compatível com alguém que acabou de sair da cadeia e estava, humildemente, tentando retomar a carreira. Eu encontrei eco na voz de Marissa que disse as verdades necessárias para tirar Mike da posição de conforto e abrir o jogo sobre a sua situação. Mike recebendo reprimendas por “não se importar com os clientes” foi algo interessante de ver. Logo ele que, na primeira temporada era confrontado por Harvey por se importar demais. Engraçado como as posições se invertem em Suits.
Se eu critiquei Mike na semana passada, nessa tenho que dar o braço a torcer e reconhecer seu amadurecimento. Não tornar tudo um segredo de novo mostra que ele aprendeu uma lição valiosa. Resolver a situação de uma cliente às suas próprias custas é sinal de honra ao seu ideal original: advogar para ajudar pessoas. Não retroceda, Mike.
Mas se vamos falar de evolução dos personagens, então o ponto alto é mesmo Harvey Specter. Por mais que, ao longo das seis temporadas tenhamos conhecido cada camada do advogado, foi nesse episódio que a armadura caiu de vez.
Em um flashback – mais uma vez fantástico, como já é de praxe em Suits – pudemos regressar ao dia da morte de Gordon Specter e aos eventos do seu funeral. Descobrimos que Harvey já tinha tentado se reconectar com sua mãe, mas a investida foi frustrada pela interrupção de Bobby, trazendo de volta todos os fantasmas do adultério de Lily Specter. Percebemos também que a cicatriz de Harvey é mais profunda que o adultério da mãe. Sua chaga é também ter sido colocado na posição de esconder esse segredo do pai, e depois, na posição de contar e, enfim, na posição de quem apertou o gatilho que destruiu sua família.
Seja no passado ou no presente, a tentativa de Harvey de acertar as coisas com sua mãe não vem sem o prévio encorajamento de Donna. Nos dois momentos, a sábia ruiva reiterou seu papel de consciência de Harvey, dizendo a ele o que era preciso ouvir e dando o impulso necessário pra que ele avance e supere. Não há relação de suporte em Suits mais bonita que a desses dois.
Como já se esperava, a reconciliação no presente não correu de forma fácil. Foi até relativamente simples para Harvey dizer à Lily que estava pronto para perdoá-la, o que ele não estava pronto para ouvir era que ela também se achava merecedora de um pedido de perdão. Confesso que eu também não estava pronta. Sim, Harvey tem suas falhas por ter se afastado da família tão brutalmente, mas não acho que Lily, como causadora de toda a situação, pudesse ser a pessoa a cobrar isso. Eu aceitaria isso vindo de Marcus, mas não dela.
Harvey ouviu de Marcus sobre todo o mundo que girava naquela família enquanto o advogado estava completamente ausente. As verdades despejadas em sua cara se encarregaram de quebrantar Harvey para mais um encontro com sua mãe. Dessa vez, cumprindo todos os pontos que a cartilha da reconciliação pede: confissão de pecados, revelação de dores, pedidos de perdão recíprocos, choro, abraço, declaração de amor e até presente pra guardar o momento e levar pra casa (escritório, na verdade).
O Harvey que volta à PSL é um Harvey diferente, tem sorriso de satisfação e olhar suavizado. Seu primeiro passo no retorno é se desculpar com Louis e fixar o estado de paz entre os sócios deixando ambos como responsáveis interinamente pela gerência da Pearson Specter Litt – que, a propósito, mantém o sobrenome da inesquecível Jessica (afinal, “nunca se sabe quando ela vai voltar”, né Gina Torres?).

A cena final é belíssima, significativa e simbólica. É mais uma daquelas cenas sem diálogo que Suits faz com primor. Qualquer palavra é desnecessária. Harvey havia pedido a ajuda de Donna para posicionar o retrato com ele e sua mãe no lugar onde ficava a antiga pintura que ele tinha dela. O simbolismo está em Harvey abrir um espaço pessoal, familiar pra Donna. Ele quis que ela participasse desse passo da vida dele, quis que ela estivesse presente nesse momento que nada tem de profissional, é só sentimento e emoção. A cena dos dois observando o quadro imediatamente me remeteu à cena final do 6x10, em que o par, de mãos dadas, encarava o mundo lá fora. Naquela ocasião o olhar era de ânsia e preocupação, agora há contemplação e esperança em suas faces. Há um novo começo para Harvey Specter, um começo mais feliz.





Notas:
1. Como pode haver tanta química numa simples ligação telefônica entre Donna e Harvey?
2. “Por que agora?” / “Alguém muito especial pra mim me convenceu de que eu precisava”/ “Seja quem for. Fico contente que ELA fez”. Mãe é bicho que sabe das coisas.
3. Agora sabemos de quem Harvey puxou a postura agressiva. Mamãe Specter também não é fácil.
4. Harvey colocou os sobrinhos pra dormir. Esse homem quer ter a própria família. Isso está claro pra mim.
5. Louis também deu sinais de amadurecimento ao perdoar Harvey e cuidar do seu cliente. Gosto mais que o clima entre os dois seja de provocação do que de briga naqueles  tons.
6. Gabriel Macht foi simplesmente magnífico nesse episódio. Seja qual fosse o sentimento que a cena pedisse ele soube entregá-lo da forma mais real possível. Destaque para a cena de Harvey chorando no velório ao ouvir o discurso de Lily. As lágrimas no rosto mostrando a comoção, mas a postura corporal tensa e as pernas cruzadas para demonstrar a sua tentativa de resistir. Ele foi perfeito!
7. Pode haver quem tenha se enganado na primeira temporada e achou que Suits era uma série sobre a vida luxuosa de um advogado frio, calculista, conquistador e badass que ganhava todos os casos e levava pra cama a mulher que quisesse. Suits não é isso. Harvey não é esse cara. Isso não foi mais do que a armadura que ele usou todo esse tempo pra esconder as suas feridas. Mas não esqueça, as feridas sempre estiveram lá (até mesmo na primeira temporada você pode ver os sinais), foi você que não notou. Então não, Suits não virou um drama emocional, o drama sempre esteve lá. Haverá episódios em que ele terá destaque e haverá episódios em que a emoção será um pouco deixada de lado para dar lugar aos casos jurídicos. Mas convenhamos que a série não sobreviveria a seis temporadas se fossem só casos jurídicos e nada de desenvolvimento dos personagens. Reconheçamos que o Harvey de agora é uma pessoa melhor que o Harvey da primeira temporada, mas tem a mesma competência.

Curta Suits BRASIL no Facebook!

            Promo e stills do próximo episódio:
















0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...