17 de fev de 2017

Review- Suits S06E14- "Admission of Guilt"






Em “Admission of Guilt” Suits nos reconduz exatamente para o ponto em que nos deixou na semana passada: Mike aceitando fazer parte do plano que o levaria a se tornar um advogado. Prosseguiu-se à ideia de encontrar uma ação legítima contra a Velocity Data Solutions, capaz de derrubar o valor de suas ações. A estratégia de Harvey, porém, não previa envolver a Pearson Specter no processo, de modo que a Clínica Legal onde Mike trabalha seria a responsável por conduzir o caso. Mas nem tudo saiu como o previsto.
A investida da dupla acabou por fazer surgir um Mike diferente do que temos visto nos últimos episódios. O Mike do caminho da redenção, aquele que se interessava pelo Direito com a finalidade altruísta de ajudar as pessoas, deu lugar a um Mike que abre processos por ganho pessoal, um Mike que mente sobre suas reais intenções e afoga outras pessoas em sua própria bagunça.
Assim, Oliver foi o primeiro a ser arrastado nessa correnteza. Conquistar os serviços diligentes do jovem advogado não foi difícil. A fragilidade de Oliver em lidar com um tribunal contou a  favor de Mike. Oliver tinha agora o dever de provar sua competência apesar dos erros cometidos. Mike usou isso e ainda injetou mais motivação para o caso pintando a Velocity em todos os tons de vilania que ele pudesse. “Eu só não gosto quando as pessoas acham que podem se safar de algo só porque ninguém está vendo”, disse aquele que passou anos se safando de ser uma fraude.
Nathan, menos ingênuo que Oliver, desconfiou das reais intenções de Mike com aquele caso, supondo que se tratasse de uma forma de voltar para a PSL. Pra usar do vocabulário da série, Mike despejou outra carga de bullshit para ocultar seus interesses verdadeiros. (Os primeiros atritos com o chefe surgiram e não vou me espantar se num futuro próximo isso resultar na demissão de Mike, levando-o ao seu destino inevitável na Pearson Specter Litt).
Mais a frente, acuado pelo poder da grande empresa a ser processada, Mike sentiu a necessidade de esquentar suas costas e o aquecedor usado foi a sua antiga firma. Veja que o plano original de Harvey era praticamente deixar Mike por conta da conquista de sua admissão na BAR: Mike encontraria uma razão legítima para o processo, Mike convenceria Nathan a proceder o caso pela Clínica, Mike ganharia seu carimbo de advogado; enquanto isso ele estaria empenhado na parceria com Louis para reerguer a empresa. O improviso de Mike lhe pegou desprevenido, mas em pouco tempo o advogado já estava abraçando a ideia. Interessante foi ver Mike utilizando as antigas lições do mentor para justificar suas decisões. Além da menção à alegoria da briga de faca, mais tarde Mike ainda parodia o famoso quote: “A vida é isso(mão em nível baixo), eu gosto disso (mão em nível mais alto)”
Fato é que Harvey é um defensor incansável do seu pupilo, e se envolver a PSL no assunto é o risco que ele tem que assumir para voltar a trabalhar com Mike, ele faz isso sem muita resistência (e até ferindo uma promessa feita a Rachel). Não dá para deixar de notar que todo o empenho de Harvey vem da esperança de ter Mike de volta ao escritório, coisa que Mike repetiu diversas vezes durante o episódio que não fará. Você já consegue ver o drama surgindo?
Harvey e Mike seguiram pressionando o CEO da Velocity para uma admissão de culpa. O excesso de confiança, porém, turvou a visão dos dois e eles não previram que James Palmer seria capaz de perceber que aquilo tudo estava diretamente ligado a Craig Seidel e fazia parte de um acordo questionável para garantir o status de advogado a Mike. Não satisfeito, Palmer ainda pretendeu minar a carta na manga que Harvey detinha a respeito do roubo da tecnologia, expondo que aquilo nada tinha a ver com algum adultério de Craig.
Harvey, todavia, é mestre em fazer limonada com os limões da vida e transformou as novas informações em vantagem. Specter enterrou o “toma lá” e ficou só com o “dá cá” de seu acordo escuso, garantido pelo velho e eficiente recurso da chantagem.
Enquanto Harvey e Mike foram colhendo os bons frutos de sua trajetória duvidosa, Louis, andando completamente na linha, não teve a mesma felicidade e acabou perdendo uma cliente da firma. Apesar disso, o enredo da apresentação anual, trazendo uma imprevista parceria entre Rachel e Katrina, foi muito agradável de se ver. É sempre bom quando os enredos retratam relacionamentos femininos de forma saudável, a lenda de que mulheres sempre são rivais é ultrapassada e cansativa.
Por último mas não menos importante, o plot The Donna fez sua marca e merece algumas observações. Primeiramente, já causou felicidade por proporcionar mais uma cena divertida entre Harvey e Donna. Mas para além do flerte, não se deixe de notar que o roteiro já inseriu Harvey nessa história. Além dos dois diretamente envolvidos – Donna e Benjamin – ele é o único que tem conhecimento sobre o projeto. Acredito que isso deve ter alguma repercussão no futuro.
The Donna ainda nos deu a oportunidade de enxergar novidades a respeito de Donna. Ver a secretária consolando alguém não é incomum, mas observar o sutil foco no próprio desapontamento da ruiva no fim da cena com Benjamin foi um momento raro. Raro porque o show dificilmente dá ênfase aos sentimentos e emoções de Donna. Donna sempre tem o papel de esclarecer os sentimentos alheios, os dela quase sempre não são mostrados.
O plot The Donna não está ligado a Suits se metendo com ficção científica, se trata mais de um recurso do roteiro para desvendar outras nuances na personagem, seus anseios e necessidades. The Donna tem o intuito de mostrar que sua matriz é mais do que a secretária onisciente, ou que as vezes, ela não consegue ter todo esse poder. É até irônico, mas a robô Donna vem pra dizer que Donna é humana, apesar de magnífica. Com o insight do final, esse arco ficou ainda mais interessante.
Temos apenas um episódio até a season finale, muitos plots em desenvolvimento, quase nenhuma noção de como essas histórias vão se fechar e uma ansiedade muito grande pelo próximo episódio.
Arv

Notas:
1. Toda semana alguém visita o apartamento de Harvey. Só está faltando Louis. De qualquer forma, eu sempre agradeço a oportunidade de ver Harvey em roupas casuais.
2. I had the exact same dream” / “Really?” / “No, not really”. Claro, Harvey, a gente sobre o que você sonha, e não é com Louis.
3. O disco que Oliver retira da estante de Harvey é de Otis Redding, que por sinal é o cantor da música que tocou no sonho de Harvey.
4. Do you have your emotional  intelligence yet? When it can top that, you might have something”. O que você quis dizer, Harvey? Você acha que ela não tem mais inteligência emocional? Tem algo sobre você que ela não está sacando? O que ela vai ter? Me fala mais.
5. Louis, did you just call me chocolate?”/ “Why I would do that?You are my White swan, Katrina is my black swan. That math ain’t that hard”. Louis vê o lado interior rsrs.
6. E não é que o casal Tara e Louis está funcionando? Louis tem surpreendido positivamente com o seu amadurecimento, e isso está gerando bons resultados na sua relação romântica. Porém, não senti Tara completamente confortável com a ideia de ter um filho com Louis. Ele já sofreu essa decepção com Sheila, espero que não sofra de novo.
7. As movimentações da câmera acompanhando o andar dos personagens foram muito boas e deram ao telespectador a sensação de estar dentro da cena. Um ótimo trabalho do diretor Michael Smith.


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Promo e stills do próximo episódio




















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