3 de mar de 2017

REVIEW- SUITS S06E16- “Character and Fitness” Season Finale



Chegamos ao fim da sexta temporada e dessa vez temos mais do que um agrupado de episódios se encerrando, temos verdadeiramente o fechamento de um ciclo, de uma era. A premissa inicial da série é concluída com Mike finalmente deixando de ser uma fraude. Devemos admitir de logo que não é toda série que tem a coragem de dar o desfecho de sua enredo capital não estando ainda na finalização do show. E ainda bem que isso aconteceu. A verdade é que, embora a história de Mike tenha sido o tronco principal da série, outros ramos cresceram no caminho e por muitas vezes vínhamos preferindo olhar para eles.
Assim é que temos Louis, pela segunda vez, detonado pelo fim de um relacionamento e ainda resta a dúvida sobre o amadurecimento do personagem. Louis vinha seguindo um caminho de evolução nesta temporada; seu comportamento foi menos impulsivo, menos afetado pelas suas emoções, ele vinha realmente se esforçando em otimizar cada uma de suas relações, sendo tão compreensivo e colaborativo quanto podia. Porém, a honestidade, um dos pontos mais altos desse progresso, iniciou o desmoronamento da relação mais recente mas também mais significativa. O noivado com Tara que surgiu como um foguete teve fim com a mesma velocidade, deixando a questão no ar se um amargurado Louis continuará a jornada de crescimento do apaixonado ou se voltaremos para o tempo de sua conduta destemperada e ressentida.
Indefinidos também estão os próximos passos de Donna, profissionalmente e pessoalmente. Para quem não se afeiçoou com o plot The Donna, tenha pelo menos em mente que esse foi o dispositivo usado pelo roteiro para trazer a discussão sobre os desejos da personagem. Uma vez Donna deixou de lado o sonho de ser atriz para seguir a carreira de secretaria ao lado de Harvey, sendo a coluna firme que ele precisava. Doze anos depois, a portátil robô de si mesma veio pra lembrá-la do peso dessa decisão e do como ela tem sempre negado a si mesma em favor dos seus amigos e dos interesses deles. Isso fica bem claro em suas falas nesse episódio como “I don’t mean to sound insensitive but this is incredible important to me”, “I’m tired of putting my wants on hold” , e finalmente:“I want something more. And I’ve never said that out loud but I can’t pretend that’s not true anymore”. A propósito, a ambiguidade dessa última frase é brilhante e deixa na gente a dúvida se o “mais” que Donna está se referindo é apenas sua vida profissional ou ela também está cansada de por seus sentimentos por Harvey pra debaixo do tapete. Não são coisas excludentes de todo modo. O futuro de Donna provavelmente envolve ela não ser mais uma secretária e as repercussões disso no seu cenário sentimental com o chefe. A insinuação foi lançada para Harvey e só a sétima temporada poderá nos dizer se ele finalmente vai ser capaz de lidar com as questões de Donna. Espero que isso finalmente aconteça agora que estamos nos deparando com um Harvey mais maduro emocionalmente
Este episódio nos mostrou um pouco mais da evolução do personagem e de seu enfrentamento com questões emocionais e de abandono. Harvey se martirizou por não estar conseguindo encontrar algo que ajudasse Mike, ele externou sua vulnerabilidade para Donna e esteve disposto a tomar a bala só pra ver Mike ter uma chance. Felizmente isso não precisou acontecer, ou teria arrastado o próprio Harvey e a empresa para o buraco. Mas, de qualquer forma, a sua predisposição ao sacrifício é uma prova de que estamos diante de um Harvey diferente do que conhecemos na primeira temporada (o novo Harvey até abraça). Este Harvey é forte o suficiente para mostrar que se importa. Forte para deixar o orgulho de lado, reconhecer que precisava de ajuda e fazer a ligação que mudou o curso das coisas. Forte para ouvir mais uma vez que “she’s gone”. E é essa força que agora o deixa pronto para tomar as rédeas da empresa.
O jeito que Harvey e Mike vinham lidando com os problemas era tão tresloucado que eu cheguei a mencionar o quanto eu sentia falta de Jessica Pearson. Pelo passado da série a gente sabe que ela era a figura sempre escolhida para tirar o coelho da cartola e resolver a situação na mais fina classe e elegância. Mas nem nos meus mais loucos sonhos eu imaginei que ela estaria nessa season finale. Quero dizer, eu acreditava que Gina Torres reapareceria algum dia, em algum episódio especial, mas não tão cedo como foi. Fico feliz de ter sido desatenta e não ter visto o nome dela nos créditos ou teria perdido uma excelente surpresa. Além de sua simples aparição, Jessica me surpreendeu porque teve um papel além do que eu imaginava. Ela foi incrível porque podia escolher puxar uma briga com Anita Gibbs, mas preferiu a renúncia e a persuasão.Fora da firma, a sua preocupação se ampliou para além da PSL e se estendeu a Mike. A atuação da advogada foi o ponto chave para que Mike conquistasse sua admissão e Jessica conseguiu fazer isso mantendo o escritório a salvo, poupando seus colegas, mas sem deixar de se expor em um certo tanto ( ainda que ela tenha dito que em Chicago ninguém se importa, não acredito que fica assim tão imune).
Assim, aos trancos, barrancos, acordos, chantagens e estratégias, Mike conseguiu sua aprovação e se tornou um advogado legítimo. Não tenho tanta convicção de que ele é alguém diferente de quem era quando foi preso, não tenho tanta certeza de que ele se arrepende de ter sido uma fraude por tanto tempo. Creio sim que Mike sente por ter enganado as pessoas, mas o que temos visto da personalidade dele é que frequentemente os fins justificam os meios. Se tem que fingir que estudou em Harvard para ser um advogado e ajudar pessoas... que pena, mas ok. Se tem que mentir para colegas para garantir uma chance de ser advogado e ajudar pessoas...é triste, mas posso suportar. Se é necessário fazer um acordo obscuro para realizar o tal sonho de ser advogado e ajudar pessoas...Resisto, me sinto mal, mas topo. É verdade que o caminho de Mike Ross não é o mais convencional e íntegro, mas há méritos nele também. É inegável que Mike tem a disposição de lutar pelos outros com o mesmo (ou quase) empenho que luta por si mesmo e nesse ponto ele merece ser um advogado e merece também estar de volta na PSL (mas pegar o escritório de Harvey já é abuso rs).

A proposta de Harvey de um caso de interesse da firma e um caso de interesse de Mike dá espaço para a série ampliar os seus assuntos jurídicos. A série tem a oportunidade de retratar casos com os quais o público talvez tenha mais identificação. Mas também não fecha a janela para o direito corporativo, porque, afinal, a gente também gosta das batalhas de ego e poder nas brigas de cachorro grande.
Enfim, fico contente com o desfecho do enredo de Mike. Acredito que se tivessem se delongado mais nele haveria um risco alto da série se tornar cansativa e repetitiva. Suits foi bem-sucedida ao implantar novas histórias em todo o seu percurso; temos outras temáticas firmes e personagens cativantes que queremos ver mais. Esse é o momento em que eles podem finalmente ganhar espaço. Sem o peso da fraude de Mike, surge um novo frescor para a série e se renovam a animação e a curiosidade sobre o aprofundamento dos enredos atuais e sobre as histórias que ainda surgirão.
Até a próxima temporada, Suitors!

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Notas:


  1. Sabem quem merece ainda mais ser uma advogada? Rachel! Ela está cada dia melhor.
  2. E o casal de noivos fazendo paralelo com a cena de sonho de Harvey do 6x11? Não foi assim que eu imaginei o sonho se tornando real.
  3. Reparem que Mike pediu Rachel em casamento na quarta temporada. Acabou a sexta temporada e esse casório ainda não aconteceu. Preciso que seja logo porque tenho pressa para ver Harvey e Donna “coughing”.
  4. Não posso deixar de deixar registrado que mais uma vez Aaron nos trollou, e embora a 6b tenha tido uma promoção imensa em cima disso, Darvey ainda não aconteceu. Mas a sétima temporada está aí e as definições de trouxice foram atualizadas.
  5. Donna precisa parar de responder “I don’t know”  quando Harvey pede clareza. Foi assim nesse episódio e no 4x16 quando ele perguntou “So you are saying  you want everything?”. Parem com isso, ela é Donna, ela sabe.
  6. Em dois momentos Donna e Harvey tiveram a oportunidade de se abraçar e não aconteceu. Na cena que ela chora na frente dele e na cena da notícia sobre a admissão de Mike. Esses dois não podem se tocar mesmo hein? Mas falando em abraço, que lindo o brotp de Jessica e Harvey!
  7. Rick Hoffman deu um show na sua última cena. A mudança na expressão enquanto ouvia a mensagem de voz passando da tensão até o choro compulsivo foi algo impressionante.
  8. Pra quem não sabe esta definitivamente não é a última vez que vemos Jessica Pearson. A personagem protagonizará um spin-off de Suits que já está em pré-produção.

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