14 de jul de 2017

REVIEW- SUITS S07E01- “Skin in the Game” Season Premiere




7x01. Para qualquer brasileiro esse é um número que sempre trará más lembranças. Suits acrescentou mais  uma. Skin in the Game não é exatamente um episódio ruim. Não é um daqueles episódios que te faz ficar entediado. Na verdade, cada cena faz aumentar o alvoroço. Não é daqueles em que o tempo parece parado, pelo contrário, os 44 minutos passam até bem rápido. Mas de uma forma estranha e paradoxal você também pensa: “Quando esse inferno vai acabar?”. Tal qual na famigerada goleada, falhas graves aconteceram e algumas coisas pareceram não fazer qualquer sentido.
A volta de Mike à PSL, o término do relacionamento de Louis, a tomada de rédeas de Harvey no escritório e a ânsia de Donna por “algo mais” são os pontos de onde partem a tensão que perpassa os plots desse episódio.
Começando por Louis, era esperado que sua nova decepção amorosa fosse resultar em alguns passos pra trás no amadurecimento do personagem. A rispidez de Louis foi elevada a níveis nunca vistos antes e no meio dos seus gritos, Litt revelou discursos cheios de arrogância, pedantismo, despeito e até sexismo.  Além dos associados, Rachel também não escapou das ofensas e mesmo Donna, que até então sempre conseguia resgatar Louis de seus surtos, acabou se tornando alvo dos insultos desarrazoados. Louis tentou usar da hierarquia para rebaixá-las. Completamente fora de si e com sua personalidade em níveis tão baixos, essa foi a única forma que ele encontrou de parecer grande. Só quando Louis percebe seus erros, desce do salto e reconhece a capacidade de suas colegas é que seu valor cresce outra vez. Esse tem sido o padrão de escrita do personagem ao longo dessas temporadas; nem sempre satisfatório, algumas vezes interessante, outras vezes cansativo, mas sempre rendendo uma belíssima atuação de Rick Hoffman.
Nenhum grande plot foi dado a Mike nesse episódio e, considerando o foco muitas vezes exaustivo nesse personagem por toda a sexta temporada, eu agradeço por isso. Mas foi, sim, agradável vê-lo de novo na parceria com Harvey, seguindo o comportamento fanfarrão e abusado com seu chefe e  claro, sendo um bêbado bastante divertido. “SVETLANA!”
Mas vamos agora aos pontos realmente críticos desse episódio. Donna. Harvey. A relação dos dois, mas também cada qual considerado individualmente.
Eu esperava que houvesse um tempo maior para que Donna concluísse o que significava o seu “algo mais” (e talvez não seja apenas o que ela disse nesse episódio) mas o fato é que bem rapidamente Donna resolveu que deveria se tornar sócia da Pearson Specter Litt e levou isso até Harvey. Donna, mesmo sendo o personagem fantástico que é, continua sendo subvalorizada na série, quase não ganha plots próprios e quando ganha, eles são resolvidos com uma velocidade muito grande, como aconteceu mais uma vez.
Mas não foi só esse o problema. Eu também não esperava que Donna fosse se deparar com certa negligência de Harvey sobre o assunto. Ela o confrontou, ele deu a sua palavra de que ia pensar na questão e não cumpriu. Alegou ter estado ocupado, mas para o público pareceu claro que isso apenas não estava na sua lista de prioridades. Nunca escondi ser da torcida pelo ship, mas além da questão romântica, senti que Harvey não soube ser o bom amigo que Donna precisava e merecia. Até quando finalmente ele tomou a acertada decisão de aceitá-la como sócia, a coisa toda soou como livre e espontânea pressão exteriorizada em um “Você venceu” pelo telefone. Presta atenção, Harvey, essa é a mulher que nas suas próprias palavras fez você ser quem você é. São mais de 12 anos de apoio incondicional e lealdade. Donna merecia mais.
De um jeito ou de outro ela conquistou o status que demandou e como Mike lhe disse na minha cena preferida do episódio: “Já era tempo”. Há quem esteja achando muito esquisito Donna pular da posição de secretária para de sócia-sênior, anda mais considerando que ela não é advogada. Mas, reconsidere: se fomos capazes de aceitar que Mike se tornasse um advogado legítimo sem nunca ter cursado a faculdade, porque não aceitaríamos Donna sendo sócia sem ser advogada? Se você vai assumir que são coisas diferentes então das duas uma, ou você a diminui por ser mulher ou você a diminui por ser secretária. E convenhamos que as funções de Donna sempre excederam em demasiado as funções de uma secretária comum. Ela sempre foi a inteligência emocional personificada, a leitora de personalidades, a mediadora e até mesmo um um tipo de “vidente”, sem falar de sua extrema dedicação e lealdade – que já quase a levaram para a cadeia.
Dentro daquele círculo de poder formado por advogados que leem brechas em contratos, processos e leis, Donna é aquela que lê pessoas (e sua visão além do alcance é algo tão surpreendente e fantástico quanto a super memória de Mike Ross). Então não, Donna não era apenas uma secretária e sua nova posição realmente só formaliza o que ela sempre foi dentro daquela empresa.
Sai cubículo, entra escritório. Mas tendo conquistado tanto ainda incomodou que Donna pareceu sozinha no fim das contas. E então voltamos a Harvey e em como ele parece ter sido substituído por alguém que não conheço durante esse hiatus. Onde foi parar o Harvey do “NÓS viramos sócios”? O que lembrava do ritual do abridor de latas nas comemorações?
A primeira cena do episódio nos mostrou que era um outro Harvey, afinal.  O que temos é que depois de ter sido surpreendido com um “Eu quero algo mais” de Donna, Harvey fugiu. Fugiu antes mesmo de saber o que isso significava. E nesse escape ele foi parar na porta da sua ex-terapeuta, Dra. Paula Agard. Não para uma consulta mas para propor um encontro romântico. Sim, porque agora foi revelado que Harvey tem uma forte queda pela terapeuta. A terapeuta que nem sequer teve o nome citado no último ano. A paixão repentina de Harvey não faz qualquer sentido e a recíproca por Agard é ainda pior.
Visualize: Agard tinha uma queda por Harvey durante seu tratamento. Agora imagine ela ouvindo os inúmeros relatos de Harvey sobre Donna, o sonho com Donna. Imagine Agard ouvindo de Donna que “Harvey não tem ideia do que está perdendo” e sorrindo. NONSENSE.
Lembre-se do 5x15, quando Harvey vai atrás de Donna em busca de aconselhamento nos últimos trâmites do processo de Mike e Donna pergunta porque dessa vez ele não procurou Agard (tendo feito antes quando o assunto eram questões da PSL) e ouviu: “Porque aquilo era profissional e isso é pessoal”. Quando então as coisas viraram pessoais com Agard? Hiatus não conta.
Toda essa nova narrativa criada dá outra roupagem a situações do passado e estraga um importante plot da quinta temporada. Afinal, sabendo agora que Agard fantasiava sexualmente com Harvey durante o tratamento, que validade têm as suas análises? Que integridade tem a profissional que prosseguiu com as sessões mesmo depois de desenvolver sentimentos pelo seu paciente?
Fosse para trazer um interesse romântico para Harvey e mais uma vez retardar seu inevitável caminho em direção a Donna (ainda que isso já esteja ficando cansativo), faria muito mais sentido trazer de volta Zoe, Esther ou até Scottie( e olha que nem de longe eu aprovo esse par). Agard era a última mulher para ocupar esse espaço. Ela era a única personagem feminina introduzida no show para interagir amigavelmente com Harvey e que nunca havia demonstrado o mínimo sinal de desejo por ele. E isso era bom, porque a frequência em reduzir tantas mulheres da série a interesse sexual de Harvey muitas vezes se torna um falocentrismo maçante.
Esse devaneio do roteiro corrompe o personagem de Agard e compromete o desenvolvimento do personagem de Harvey que agora retrocede uma dúzia de casas no tabuleiro. Tendo resolvido suas questões com a mãe, Harvey tinha dado indícios de estar pronto para prosseguir em pontos pendentes em sua vida. Mas Skin in the Game mostrou que ele ainda tem fragilidades e temores. Medo de assumir o posto deixado por Jessica. Medo de assumir seus reais sentimentos. Medo de admitir que precisa de ajuda.
Agard ainda foi afiada em seu diagnóstico: Harvey está no meio de uma crise e precisa de ajuda para superar. E Agard, apesar se não estar seguindo a sua consciência profissional, sabe que é antiético terapeutas se envolverem com seus pacientes porque é “natural para o cliente transferir sentimentos de desejos para o terapeuta que não são reais”. É esse o caso. É a conclusão que imagino que em algum ponto se chegará. Provavelmente o romance não vai mesmo durar, mas isso não muda o fato de que a história foi mal escrita e de que deixa uma mensagem problemática. Relacionamentos entre médicos e pacientes não são adequados, não devem ser encorajados. A esposa do showrunner Aaron Korsh, que é terapeuta, contou isso para ele mas ele não ouviu (https://goo.gl/yprpLP).
Como já disse em outras reviews, a evolução do personagem de Harvey é um dos melhores feitos de Suits e esse enredo com Agard de certa forma maculou o processo. O Harvey da sexta temporada era sim melhor que o Harvey da primeira. Depois de tudo, não me interesso por um Harvey garanhão que tem medo de assumir relacionamentos, ou por um Harvey que se recusa a transparecer vulnerabilidades com medo de parecer fraco. Isso é fase superada, ou deveria ser. Sigo com esperanças de que ao menos a história leve a algum lugar significativo mais à frente, já que sentido nunca terá.


Notas:
1. Alguém dê um prêmio a Sarah Rafferty e Rick Hoffman por arrasarem nesse episódio.
2. Impressionar uma mulher com um carrão? Sério? Ainda estamos nesse ponto?
3. Você pode ter se perguntado onde Donna achou 500 mil para pagar assim. Bem, acho que ela não ganha mal, mas de qualquer forma seu empreendimento com The Donna lhe rendeu um bom dinheiro.
4. Cruel colocar uma cena de Donna sorrindo com o abridor de latas logo antes da cena de Agard e Harvey se beijando. Cruel!
5. Back to Black foi arruinada em minha mente, mas fez sentido na cena: “You go back to her and I go back to us”.

Curta Suits BRASIL!

Assista a promo do próximo episódio, "The Statue" (ou não, no caso de você realmente ter ficado enojado com o novo romance de Harvey).









3 comentários:

  1. EU CONCORDO COM ABSOLUTAMENTE TUDO. Tudo que foi dito nesse texto foi o que pensei durante o episódio e após ler os comentários (principalmente na questão de Donna ter virado sócia).
    Eu tô mt enojada com essa relação de Harvey com essa terapeuta q eu nem o nome sabia. Deus me dê estômago suficiente pra assistir o próximo episódio. Mas não tô conseguindo conter a raiva que tô sentindo dos escritores. Esse vai ou não vai de Darvey já deu. É um desrespeito depois de seis anos continuar fazendo isso.

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  2. A terapeuta na história... Não foi legal... Harvey tinha que beijar a Donna de surprise rs

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  3. Muito mimimi se não tá com a Donna não presta... A série é mais que isso, o personagem é mais que isso é a própria Donna é mais que isso. O relacionamento com a terapeuta faz sentido sim, ela é uma mulher bonita, inteligente e esperta e Ele tá diferente desde que acertou as coisas com a família. Nova vida, novas metas e novas mulheres. Donna era interesse amoroso no passado.

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