22 de jul de 2017

REVIEW- SUITS S07E02- “The Statue”



Ainda que Suits sempre tenha tentado mostrar uma perspectiva psicológica do comportamento dos seus personagens, essa temporada me parece a que isso será abordado com mais profundidade. The Statue , em especial, procurou tocar nos pontos dos medos e inseguranças dos personagens. O medo de Louis de nunca ser pai e a sua insegurança frente ao novo/antigo amigo de Harvey. Mike, temeroso com o seu passado sempre vindo à tona. Harvey precisando mostrar ao mundo que ele não é Jessica para poder se sentir seguro na nova posição.
Pessoalmente, gosto muito da ideia de incluir sessões de terapia nas cenas de uma série. Elas são a oportunidade do espectador entender melhor o que se passa na cabeça de um personagem. O personagem verbaliza tudo que até então só víamos exteriorizado em suas ações. O terapeuta liga os pontos entre o comportamento, experiências do personagem e seu perfil psicológico. E algumas coisas o espectador finalmente entende, em vez de subentender.
Assim, tivemos a oportunidade de entender mais sobre o que Louis vem passando. Entendemos que seu momento de angústia tem menos a ver com o término com Tara em si e mais com a perda da oportunidade de ser pai agora. Agora também fica ainda mais clara a necessidade enorme que ele tem de ser reconhecido como amigo por Harvey. Na semana passada Louis me irritou ao extremo, nessa ele foi mais que adorável. Louis é sempre essa inconstância de emoções, e nós seguimos sendo inconstantes em relação a ele também. Mas talvez a ideia de mostrar suas sessões de terapia seja o passo para finalmente deixar as oscilações de Louis de lado e concretizar a evolução do personagem.
Algo semelhante também pode estar acontecendo com Mike. As idas e vindas sobre uma mesma questão da sua vida parecem ter se fechado nesse episódio. Afinal, desenterrar o seu passado como fraude a cada volta e meia não parece interessante. Nesse ponto, valorizo a escolha da narrativa em mostrá-lo enfrentando a situação – após certo receio – e colocando uma pedra no assunto, em vez de ter passado a bola para Rachel e carregar esse fantasma sabe-se lá por mais quanto tempo. Dentro da ótica da história, Harvey teve razão no conselho que deu e, se Mike fugisse do problema, o seu passado o atormentaria sempre. Do ponto de vista do show, a fraude foi a premissa a série, mas já foi trabalhada por seis temporadas e foi dada a uma conclusão, portanto, a jornada agora é outra.  
E enquanto vemos estes personagens enfrentando e superando suas questões, temos Harvey vivendo uma completa bagunça. Justo ele que parecia tão bem resolvido no final da sexta temporada. Mas Harvey está irreconhecível agora. Ele me lembra o Harvey que conhecemos na primeira temporada, mas uma versão piorada em que a arrogância e agressividade mal dão espaço para seu humor. A confusão em sua mente tem feito que ele tome uma série de decisões precipitadas e desacertadas, tanto em seu trabalho como em sua vida pessoal. Ele tinha tanta ansiedade em fazer sua marca como novo sócio-gerente que estava disposto não só a trazer seu amigo Alex como sócio-nominal mas a passar por cima de qualquer um que discordasse da ideia. O Harvey que conhecemos é o melhor advogado negociador de Nova York – ele não assente aos termos dos outros, ele é quem dita as regras dos seus acordos (exceto quando é um acordo com Donna, nesse caso a última palavra é dela). Felizmente, dessa vez ainda pudemos contar com a intervenção da suprema Jessica (que é chefe dele até quando não é mais a chefe dele) e com mais alguns outros sacodes que Harvey ouviu no episódio até tomar a decisão certa.
Porém, enquanto a sua vida profissional está aberta pra o mundo e o mundo questiona a suas ações profissionais, a vida amorosa de Harvey ainda passa incógnita a todos e ninguém pode abrir seus olhos. E falando sobre manter esse assunto em oculto, quão impagável foi a expressão de Harvey ao pensar que Donna já estava ciente do relacionamento com Paula. Mas porque o segredo dessa vez? Donna sempre soube de todos os relacionamentos de Harvey, seja com Scott, Zoe, Esther... O que há de diferente? Talvez de algum modo Harvey saiba que há algo errado nisso.
Todas as passagens desse episódio sobre o relacionamento Harvey/Agard me fizeram reforçar a ideia de que se trata de transferência de sentimentos. De alguma forma, Harvey reflete as características de Donna em Paula e projeta os sentimentos que tem por uma na outra. Esse relacionamento não é a parte saudável da vida de Harvey no momento; na verdade é a parte que mais denota as suas disfunções.
O texto de Suits é complexo e, por vezes, de uma só frase você consegue extrair uma dúzia de interpretações. Quando Harvey diz pra Paula que “Você deve me conhecer melhor do que qualquer um” algumas coisas precisam consideradas. Primeiro: sim, Paula conhece Harvey, mas ela conhece porque foi sua terapeuta. Ela o conhece do ponto de vista clínico, sabe seus traumas e desajustes psicológicos e sabe que comprimido ele deve tomar. Segundo: Não, Paula não conhece Harvey. Ela não sabe seus gostos, suas histórias, suas motivações. Ela não sabe que a letra dele inclina quando ele toma muito café ou que ele veste azul quando ganha muito no poker. Qual é..Paula nem sabe que era uma Ferrari 72 e não um Chevy 57. Terceiro: há um outro alguém que sabe todas essas coisas.
Quando Harvey retirou de Donna o título dado semana passada, Donna já tinha engatilhada a proposta para ser COO, porque ela sabia que ele não a faria sócia-sênior. Donna foi estrategista e no fim das contas conseguiu o que queria. Ela joga o jogo de Harvey e ganha dele. Porque Donna conhece Harvey, e ela o conhece melhor do que ninguém.
Não sei por quantos episódios isso durará, mas uma hora alguém abrirá os olhos sobre o quadro todo: ou Paula, ou Harvey, ou Donna.


Notas:

1.   Para cada vez que Jessica voltar para uma participação especial eu estarei gritando “YEAHHH” do outro lado da tela.
2.    Tenho que comentar como foi adorável Louis ter se esforçado para usar uma analogia esportiva com Harvey, apenas para agradar o amigo. Tão adorável que Harvey não teve coragem de dizer que Super Bowl é um campeonato de futebol americano e não de basquete.
3.   Há alguma regra que diz que os psicólogos do show devem ser ingleses?
4.  Por alguma razão que ainda não foi esclarecida, Harvey se sente devedor de Alex em relação a algo que aconteceu no passado. Espero um episódio flash back para contar essa história.
5.       Para os curiosos, uma definição do novo cargo de Donna:
COO (Chief Operating Officer): O Diretor de Operações é geralmente o “braço direito” do CEO. Também chamado de “VP de Operações” no Brasil, ele cuida das finanças, RH, administrativo e etc. Ele é responsável por Tudo que é relativo à operação de rotina da empresa, ou seja, todas as áreas que formam as engrenagens do negócio. Ele pode ser visto como um diretor-geral. Seu nome é executivo-chefe de operações, mas você pode chamá-lo de braço direito do CEO. Enquanto o chefe pensa a estratégia, o COO cuida mais de perto da rotina do negócio.( https://goo.gl/jDGwte)
6.     Donna pode não ser mais sócia-sênior, mas seu novo cargo ainda é muito bom e atende às reivindicações de realismo que as pessoas fizeram no episódio passado. Apesar de que não entendo bem por que procurar realismo em um show que partiu da premissa de um não-advogado com memória fotográfica sendo contratado como advogado em uma entrevista na qual ele deixou cair uma maleta cheia de maconha. ¯\_()_/¯


Curta Suits BRASIL!


Assista a promo do próximo episódio, Mudmare


2 comentários:

  1. Amo essa série e este é o único lugar que encontro sua crítica semana. Parabéns pela escrita e estamos juntos para mais uma temporada desta bela série!

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