21 de ago de 2017

REVIEW- SUITS S07E06- "Home to Roost"






Não tenho outro jeito de começar essa review senão dizendo: MELHOR EPISÓDIO DA TEMPORADA! Texto brilhante, incrível trabalho de direção, trilha sonora no ponto e enredos chegando na temperatura que gostamos de ver. Suits parecia estar vindo em banho-maria nessa sétima temporada, adicionando seus ingredientes em um ritmo lento demais para o que conhecemos como o padrão da série. Havia um risco alto de ninguém mais se interessar nessa receita. Não quero já dizer que tudo se mostra resolvido com Home to Roost (porque nunca se sabe), mas é inegável que esse episódio me deu esperanças (e altas) de que o restante dessa temporada será muito melhor do que vimos nos primeiros episódios.
O título “Home to Roost” refere-se à expressão “Chickens come home to roost” (Galinhas voltam para o poleiro). Em bom português, trata-se da famosa lei do retorno. O que nossos personagens andaram fazendo nos episódios anteriores voltou direto sobre eles com seu preço.
Louis  foi o  primeiro a receber sua fatura (Louis lidando com o carma não é nem uma novidade). Stephanie, na sua razão, resolveu processar o sócio da PSL pelas coisas terríveis que ouviu dele. Em outros tempos poderíamos esperar Louis enfrentando isso com uma resposta ainda mais agressiva, mas agora parece mesmo que estão querendo desenvolver uma redenção e evoluir o personagem. Ainda que ele tenha tido seu momento de soltar os cachorros pra cima da ex-associada, isso não soou mais como seu comportamento habitual, mas sim uma recaída (da qual ele se arrependeu e consertou). Louis foi consciente de que precisava eleger uma outra pessoa para lidar com o conflito (e palmas para Rachel pela escolha de Katrina), teve hombridade para reconhecer seus erros e coragem de expor suas vulnerabilidades mais íntimas. É preciso notar que é um avanço enorme para o Litt problemático que conhecemos. Louis sempre será Louis e vez outra ainda deverá dar umas escorregadas, mas parece que não transitaremos mais entre o amor e o ódio pelo personagem de um episódio para o outro.
Mas se a birra por Louis diminui, a por Mike aumenta. Movido pelos seus belos ideais – que tranquilizam sua mente, fazem ele se enxergar como mais honrado que seus colegas da advocacia corporativa e lhe permitem dormir como um bebê –, Mike está se afogando na inconsequência de suas ações. Vejam, não se trata de julgar Mike por ele ter escolhido defender  o lado mais fraco , o fato é que ele não escolheu um lado de verdade. Ele quer ser defensor dos oprimidos mas não se privando dos benefícios de trabalhar também para o lado opressor. Mike quer chupar cana e assoviar. Mesmo tentando ser leal aos seus princípios, Mike acaba falhando nas duas missões. De um lado, ele descumpre a palavra que deu a Harvey, compromete Rachel e coloca seus amigos em perigo quando faz apostas altas com Gallo. Tudo isso não parece uma postura muito grata por tudo que foi feito em favor dele. De outro lado, Mike também falha com aqueles que ele tentava ajudar. A sua imprudência é a razão das coisas não terem se resolvido e no caminho que vai, não está muito longe dele destruir por completo a chance dessas pessoas encontrarem justiça.
A sorte de Mike é que Alex Williams também não parece muito limpo nessa história e essa pode ser a chance dele mudar o rumo das coisas a seu favor (a favor dos seus clientes, a favor de sua amizade com Harvey).
Falando em Harvey, a sua decisão despropositada de começar um relacionamento  com a ex-terapeuta também fez o advogado brincar de verdade ou consequência; e ele acabou tendo dos dois. Harvey vinha mantendo o relacionamento fora do conhecimento de Donna (por que será, hein?) e numa cena que, sem dúvida, quis traçar um paralelo com a cena do seu sonho do 6x11, ele resolveu ter uma conversa consulta com sua não-terapeuta sobre o assunto. Paula, obviamente, reforçou que ele deveria contar a verdade. As confusões causadas por Mike acabaram atrasando a confissão de Harvey e isso acabou desembocando em uma DR que eu estava ansiosa para ver acontecer. Paula disse em voz alta o que se passa entre Harvey e Donna, que Donna o ama, que ele tem sentimentos por ela (vamos combinar que ela foi eufemista aqui só para não ferir o próprio ego).
A sétima temporada me ensinou a não gostar de Paula Agard. Não por ela ser o entrave atual atrapalhando meu ship. Longe de mim odiar uma personagem feminina por isso. O problema é terem apagado a integridade profissional de Agard pelo belo par de olhos de Harvey. O problema é ela, enquanto psiquiatra, ter perdido sua percepção clínica e não notar (ou escolher ignorar) que Harvey ainda tem questões a resolver, que Harvey nunca concluiu a terapia de fato e só deixou as consultas porque “Donna voltou para ele”. O problema é ela ter tão pouco amor-próprio a ponto de entrar num relacionamento em que ela sabe que o outro está envolvido sentimentalmente com outra pessoa e vice-versa. O problema é Paula estar arrotando um discurso de sinceridade quando ela mesma não está contando a Harvey de seu encontro com Donna, de Donna dizendo que “Harvey não sabe o que está perdendo” (o que é, na verdade, a única evidência que Paula tem de que Donna ama Harvey). Tudo o que me fazia admirar Paula como uma personagem feminina forte se foi e isso é lamentável, mesmo que eu veja que a história que construíram com ela é para desenvolver a história de Donna e Harvey.
Mas, enfim, depois de ter ouvido as palavras de Paula, de não ter se ofendido ou negado nada sobre o que ela disse sobre sentimentos entre ele e Donna (aconselho que você reveja a cena e note como Harvey quase que pede para que Paula explique a razão deve ter dificuldade de contar a Donna, para que ela diga em voz alta o que se passa ali. Outra consulta), Harvey abre o jogo com Donna e a cena não poderia ser mais incrível. Donna conteve uma decepção com um sorriso e fez toda a sua coisa de Donna de identificar os sinais que deduravam Harvey, mas ela mesma só se dava conta de tudo isso enquanto falava. A cabeça de Donna sabia de tudo, o coração escolhia não ver nada. Harvey, claro, acreditou que Donna já sabia (mas fez cara de "Poxa, Donna. Você nem se abalou. Paula disse que você me amava"), Paula se surpreendeu e ficou com um pé atrás.
 A superioridade de caráter de Donna é algo notável. Mesmo machucada com a notícia, mesmo odiando ter ficado “incomodada” com isso, Donna odiou ainda mais esconder algo de Harvey. Ela precisou contar a ele que sim, a novidade a pegou de surpresa, que sim, ela se abalou com isso, que não, não “significa que...” (e significa o que, seus idiotas?). Donna devolve uma chave do apartamento de Harvey (que nem sabíamos que ela tinha) como uma sinalização de que ela estava fechando aquele ponto e seguindo em frente. Será? A inclusão dessa chave só me faz pensar que há uma história do passado a ser contada e/ou uma história do futuro sendo construída.



         Notas:
1.    As escolhas de direção para a cena entre Harvey e Paula no quarto são muito interessantes no ponto de que contrastam totalmente com a cena do sonho de Harvey (6x11). No sonho o quarto era ensolarado e a iluminação quente, já nessa cena o ambiente é frio e as cores estão mais fechadas. Donna usava branco, Paula preto. Donna trazia duas xícaras, Paula só trouxe a de Harvey (relacionamento unilateral?). Naquela cena o clima era feliz, nessa as expressões são de preocupação
2.    Que ideia de gênio aquele enquadramento dos escritórios de Donna e Harvey lado a lado, eles dois com caras de sofrimento/arrependimento/ desgosto pela vida, Harvey voltando seu olhar para o escritório de Donna.
3.    A referência a Harriet Specter e Michelle Ross me fez muito feliz. Adoraria ver essa dupla em ação de novo. Alias, tenho achado importantíssimo esse destaque maior na amizade entre Donna e Rachel.
4.    Louis Litt sabe ser adorável quando quer. A roupinha de bebê com a inscrição “you just got spitt up” vai para a lista das coisas mais fofas que já vi.
5.    Oliver começou a crescer? Começou a fazer valer os anos gastos na faculdade? Amém por isso!
6.    Esse episódio foi escrito por Sandra Silverstein que, a propósito, ela é brasileira.

Curta Suits BRASIL!

Assista a promo do próximo episódio, Full Disclosure:



         

2 comentários:

  1. A chave entregue pela Donna ao Harvey, era o segredo da Jessica, de como entrar no ap do Harvey.. vários eps mostraram Donna ou Jessica no ap e Harvey perguntando como elas conseguiam entrar.

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    1. Sim, mas ainda assim isso é uma suposição.Nunca foi confirmado antes que ela tinha essa chave e era assim que ela entrava na casa dele. A escolha da chave pra representar ela meio que quebrando um vínculo é um tanto esquisita, o abridor de latas seria mais simbólico. Acho que eles tem um motivo pra escolherem a chave e devem contar mais algo sobre ela, seja no passado ou no futuro.

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