26 de ago de 2017

REVIEW- SUITS S07E07- "Full Disclosure"





Você lembra daqueles momentos em que estava assistindo Suits e via o pessoal da Pearson se meter em uns problemas tão intricados que você pensava: “Ferrou! Não tem como saírem disso. O que eles vão fazer?”. Pois é. Aconteceu de novo. De uma forma muito inteligente, os enredos sobre o caso da prisão, sobre  a chegada de Alex Williams e sobre o passado de Harvey e seu amigo se combinaram e criaram um plot sólido e estimulante.
Voltando sete anos, época em que Harvey ainda era um associado demandando o título de sócio-júnior, descobrimos as histórias que conduziram Harvey a, hoje, se sentir em débito com Alex. Harvey, para quem a palavra e a lealdade são tão importantes, acabou voltando atrás no compromisso que fez com Alex de deixar a empresa de Jessica e partir para a Bratton Gould. Essa foi mais uma das vezes em que vimos como Harvey enxergava em Jessica a figura materna que o protegeria dentro da empresa. Quando começou a se sentir desrespeitado e desvalorizado no escritório, Harvey decidiu que era o momento de seguir adiante, porém, mais uma vez a série trouxe à tona o valor que mais importa para ele: Família. E isso foi o que reverteu a decisão do advogado. Harvey muda de ideia somente quando vê Jessica agindo de forma protetiva e se dispondo a um sacrifício por ele. Entre lealdade e família, Harvey escolheu o a segunda, mas isso não quer dizer que ele não se sentiu culpado por ter quebrado a palavra com o amigo. Harvey declarou-se seu eterno devedor, mas só nos dias atuais é que descobriu o tamanho do débito.
Depois do fiasco em tentar trazer Harvey para sua empresa, Alex entrou para a lista negra de seu chefe e foi colocado numa rotina exaustiva de trabalho inútil até, por fim, restar comprometido em um caso criminoso. Que é, afinal, o caso em que Mike tem trabalhado. O esquema era mais ou menos o seguinte: Os detentos da Reform Corp (rede de penitenciárias) trabalhavam para a construção de novas prisões feitas pela Masterson (empresa de construção cliente de Alex); o custo da mão-de-obra era na verdade 1/5 do valor que era declarado ao governo; assim, o valor que o governo pagava em excesso era dividido entre as empresas. As brigas dentro das prisões eram manipuladas para estender as sentenças e garantir mais mão-de-obra. Tudo isso com o aval do escritório Bratton Gould. Quando Alex descobriu o conluio viu também que já estava afundado até o pescoço nessa situação. Cada comissão do advogado foi associada a datas chave do processo criminoso e assim, quando alguém resolvesse investigar os fatos, acharia que ele estava orquestrando tudo.
Harvey precisou parar Mike de alguma forma e o jeito que ele encontrou foi passar a representar também a Reform Corp. Desse modo, todas as provas que Mike tinha encontrado não podem mais ser usadas pois estão protegidas pelo sigilo profissional. Mike já está a par de toda essa situação, mas pela reação que vimos não parece que ele está muito disposto a abandonar o caso. O que ele precisa é de uma forma de continuar a caçada e não prejudicar Alex e eu não faço ideia de como isso é possível (se é possível).
                Tivemos uma sexta temporada inteira de Harvey se sentindo culpado por Mike ter ido para a cadeia e virando mundos para tentar recompensar isso. Agora a história se repete com Alex. Quando foi com Mike, a trama teve pontos cansativos, me preocupo mais agora que é com Alex, um personagem que mal conhecemos e não podemos dizer que nos importamos muito. Até o momento, os roteiristas construíram algo que ainda prende meu interesses, mas talvez seja melhor ter algum dos nossos personagens veteranos também correndo riscos nesse drama.
Os flashbacks desse episódio foram além para explicar as situações emocionais de outros personagens: Louis e Donna.
Sobre o primeiro descobrimos pontos interessantes como quando ele começou a frequentar a terapia e como ele iniciou a supervisão dos associados. Era de se esperar que Louis não tivesse recebido o título de sócio-júnior com humildade, ainda mais perante Harvey. Como ele disse na terapia, é o respeito de Harvey que ele mais busca em meio a todas as outras pessoas. Dr. Lipschitz explica que o sentimento de desrespeito de Louis é interno e ele o projeta nas pessoas à sua frente; estas, por sua vez, desrespeitam de volta. O psiquiatra esclarece que não fará o mesmo que essas pessoas. O trabalho do psicanalista de Louis é realmente admirável e eu me pergunto por que trazer numa mesma temporada dois psicanalistas em núcleos diferentes, aparentemente sem nenhuma relação entre si? Um numa relação profissional absolutamente saudável, ética e irretocável. A outra vivendo uma relação amorosa com um ex-paciente, numa situação moralmente (eu diria eticamente também) questionável, e num quadro de cegueira em seus conhecimentos profissionais. Os sentimentos de projeção que Harvey lançou para Paula, ela os lançou de volta. A opção por criar estas tramas com os personagens de Paula e Lipschitz me parece uma algo intencional para traçar um anti-paralelo.
Nos flashbacks  de Donna vimos mais como sua vida sempre esteve tão conectada à vida de Harvey e como isso pode ter sido um peso em alguns momentos. Quando Harvey começou a trabalhar a ideia de deixar a Pearson ele nem cogitou a possibilidade de Donna não querer ir com ele, por isso ele nem a consultou a respeito. Claro que Donna não gostou disso, não que ela realmente não fosse acompanhar Harvey para onde ele fosse, mas não dar a ela a oportunidade de decidir é ofensivo.
O incômodo com essa situação fez Harvey ser o assunto desagradável surgindo no meio do aniversário de seis meses de namoro de Donna e Mark. Ainda que ela tenha pedido para que Harvey não interrompesse o encontro, Donna acabou auto-sabotando seu momento e seu relacionamento. Mark confrontou Donna e seu sentimento de ligação a Harvey indagando que se ela não poderia separar-se dele para optar por ficar no trabalho que ela amava, então ele questionava se era o trabalho mesmo o que ela amava. Quando Donna não pode prometer que não vai seguir Harvey pelo resto de sua vida, Mark tem sua resposta e é o fim do relacionamento. Caso você não se lembre, Mark é provavelmente o namorado de Donna citado por Louis julgamento simulado do episódio 2x7 (Sucker Punch), na cena que resultou na torturante sequência de “Você ama Harvey Specter?”.
Tudo tem sido desenhado para mostrar que Donna não faria hoje as mesmas escolhas que fez no passado. A chave devolvida na semana passada foi o sinal de que Donna quer seguir em frente. Mas quando os roteiristas pintam todas as placas para uma direção eu começo a pensar que eles na verdade vão seguir no sentido oposto.
Na próxima semana teremos o centésimo episódio!

Notas:
1. Corrigindo o que eu disse em reviews anteriores, Dr. Lipschitz é alemão e não inglês. Aparentemente eu não sei  muito sobre sotaques.
2. Tem me incomodado o fato de Rachel não ter um plot próprio nessa temporada. Ela só está ali, orbitando.
3. Quem compra um cartão-presente para o aniversário de seis meses de namoro da secretária? Quem?
4. Excelente a sequência em paralelo sobre o segredo de Alex: Donna x Harvey/ Mike x Alex.
5. Gina Torres não saiu realmente da série, ela só quis fazer com que suas aparições fossem ainda mais especiais.


 Curta Suits BRASIL!

Assista a promo do próximo episódio, 1oo:


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