1 de set de 2017

REVIEW- SUITS S07E08- "100"



"Mas o que você não entende  é como é descobrir duas vezes no mesmo ano que a pessoa que
você achava que era o amor da sua vida não te quer."
"Eu entendo mais do que você pensa
"



Poucas séries conseguem atingir o invejável marco de cem episódios. As que conseguem com certeza foram capazes de arrebatar um grupo fiel de fãs que lhe dá apoio por todo esse tempo. Por isso, os centésimos episódios das séries costumam ser marcados por um evento muito aguardado pelos fãs, pelo retorno de algum personagem querido do passado, pela simples reunião dos personagens em torno de um momento especial, enfim, por qualquer coisa que reacenda a paixão dos fãs, que os relembre do que eles amam na série e que os faça sentir como um aniversariante recebendo um presente. Não foi isso que Suits fez em seu episódio (criativamente) intitulado “100”. Qualquer um que resolver maratonar a sétima temporada na Netflix no próximo ano, não fará ideia de que se tratava de um episódio especial (a não ser pelo título).  É só mais um episódio de Suits. É só mais um caso jurídico se fechando. E nem é um caso dos bons.
A lenta construção da trama jurídica dessa primeira parte da temporada só mostrou a sua dimensão na semana passada, dando sinais leves de que podia empolgar. Mas mal ela atingiu esse ponto, o episódio dessa semana já tratou de fechar o caso. Antes que pudéssemos ser fisgados pela história, antes que as complicações realmente atingissem níveis em que nos importássemos. Tal qual Robert Zane, eu não dou a mínima para Alex Williams. Suits não me deu tempo ou desenvolvimento para isso. Para ser ainda mais sincera, essa foi uma vez em que ver tudo ser resolvido na canetada e pilhas de dinheiro foi frustrante. Só não vimos os vilões irem para a cadeia porque isso arrastaria Alex junto, mas, de novo: quem se importa com Alex Williams?
O caso não permitiu nem mesmo ver o time todo da PSL reunido em um mesmo propósito, com cada um executando a tarefa de um plano que se encerraria com um desfecho e ficaríamos extasiados com o poder dessa equipe. A trama do episódio, na verdade, dividiu os personagens em três caminhos: o primeiro com Harvey, Mike, Robert – e, sim, Rachel – lidando com o caso da prisão; o segundo com Louis levando outra pancada da vida quando seu passado resolveu reaparecer de repente e o terceiro com Donna também se afundando mais em aspectos emocionais de sua vida (esses dois últimos caminhos se relacionando e entrando em paralelo).
A trama jurídica teve como ponto positivo trazer para a tela a discussão de temas importantes como a encarceramento da população negra. A briga foi entregue nas boas mãos de Robert Zane e ele lidou com o caso de forma brava e admirável. A discussão é importante e ver a série se importar com temas sociais é algo respeitável.
Vale ainda mencionar que Robert fez um verdadeiro milagre com Frank Gallo ao trazer à tona algo de decente nesse personagem. Por toda a sentimentalização em torno de Gallo e a busca do perdão da sua filha, confesso que uma pequena parte de mim até lamentou a sua morte.
A personagem de Rachel também teve participação essencial nesse caso e foi um alívio vê-la, finalmente, ter um papel mais significativo nessa temporada. Com sua postura, Rachel deixou claro o seu valor como advogada e como uma mulher forte que não precisa ser protegida o tempo inteiro.
No campo do drama do episódio tivemos o retorno de Sheila Sazs jogando a bomba na cara de Louis de que estava noiva, e não só isso, também tinha deixado Harvard pelo tal noivo. Em seguida, Sheila conturbou ainda mais a situação lançando a proposta indecente de uma última noite com Louis em um telefonema que eu ainda não decidi se meu deu mais gargalhadas ou traumas. Proposta que Louis foi incapaz de resistir tamanha a infelicidade que tem lhe acontecido nos últimos tempos.
Em paralelo, Donna tentou uma reaproximação com seu ex-namorado Mark no melhor estilo “Oi, sumido!”. Nessa trama, ainda senti que Suits pecou por apresentar que Donna e Mark tivessem uma conexão tão profunda (em um namoro de seis meses) e os espectadores não tiveram, realmente, uma oportunidade de ver isso acontecer. O espectador só teve que aceitar por uma brevíssima construção de dois episódios que, sete anos depois do término, Donna e Mark ainda pensavam bastante um no outro.
Acontece que agora Mark está casado. Isso porém, não o impediu de seguir adiante e propor a Donna um papel de amante (que, felizmente, ela não aceitou), já que ele era infeliz no casamento. Sinto muito por Donna. Dos homens que vimos ela se envolver, um era assassino, o outro está casado e usando a velha conversa do “Meu casamento é uma droga. Durma comigo.” e o terceiro tem sérios problemas de relacionamento e está tentando substituí-la pela própria terapeuta.
Depois de dias sem retornar as ligações da não-terapeuta (eu me recuso a chamar de namorada porque realmente não consigo levar esse relacionamento a sério) Harvey a telefona segurando as chaves que Donna lhe devolveu dias atrás – interessante, Donna devolve as chaves e Harvey fica dias sem falar com Agard. Não posso deixar de destacar a falta de orgulho próprio de Paula que como uma adolescente boba ignorou o gelo, foi toda sorrisos e imediatamente marcou um jantar (mas ok, isso é bobagem pra quem já reconheceu que ele tem sentimentos por outra mulher).
O jantar celebra os dois meses que Paula e Harvey estão juntos (que a propósito, Harvey não lembrou; embora ele tenha lembrado dos seis meses de namoro de Donna e Mark no episódio passado...hum, interessante também). Na ocasião, Paula ganha dele as cópias da chaves do apartamento de Harvey. Sim, aquela mesma chave que Donna devolveu. Estariam os escritores dando um sinal material do processo de transferência que Harvey está fazendo? Ainda me pego fazendo esse tipo de especulação, mas admito que está ficando cansativo e não vejo a hora de Suits começar a vocalizar e dar explicações mais literais.
Suits escolheu fazer seu episódio especial sem entregar qualquer coisas que os fãs ansiassem por ver. E eu sei que o público de Suits tem opiniões diferentes sobre o que eles queriam ver mas não enxergo nenhum segmento realmente satisfeito com o que foi mostrado. Pra quem assiste pelos grandes casos jurídicos, esse não foi um dos mais interessantes. Pra quem gosta do relacionamento de Mike e Rachel, as cenas românticas/sensuais foram esquecidas. Pra quem gosta do bromance de Harvey e Mike também não houve muito. Pra quem ainda espera por Darvey, não houve sequer uma cena em que os dois personagens interagissem.


Notas:

1. Suits provavelmente nunca vai parar de falar sobre adultério.
2. Uma cena entre Donna e Paula era algo que eu queria mesmo ver. Achei impagáveis as alfinetadas e as nítidas expressões de irritação de Donna.
3. Enquanto Robert ia pra cima de Harvey eu xingava Mike por tentar impedir. Alguém ia finalmente vingar a raiva que tenho tido de Harvey nessa temporada.
4.  Outro dia Mike achava que Oliver já estava um pouco crescido para gostar de quadrinhos. Imaginem que Mike pensa que ele e Harvey são os próprios Batman e Robin.
5. Tantas aparições de Jessica Pearson nessa temporada, mas justo quando mais queríamos ela não apareceu
6. A direção de Patrick Adams foi mais uma vez espetacular e dou destaque a duas cenas. A primeira é a transição do vídeo de Frank Gallo do tablet para a filmagem real. O efeito foi realmente bom. A segunda é a sequência em paralelo das cenas de Louis a caminho de decidir entre a integridade moral e um breve momento de felicidade. O enquadramento da câmera e o ritmo da cena deram o tom necessário pra alimentar a tensão do espectador.
7. Mais uma vez Sarah Rafferty brilhou. A atuação de Sarah salta aos olhos principalmente quando ela não precisa abrir a boca. A expressividade de Donna falou por si só.
 Curta Suits BRASIL!

Assista a promo do próximo episódio, Shame (fique livre para fazer sua piada sobre o título):




4 comentários:

  1. Perfeito! De qualquer maneira, Suits consegue mesmo não fazendo nada de especial, deixar-nos ansiosos pelo próximo episódio. Eu acho graça dessa raiva que temos de alguns personagens em alguns momentos mas, que mesmo assim é uma raiva que não nos faz esquecer ou desgostar da série. Sobre o Harvey, em particular, eu tô achando lindo o que está acontecendo com o seu personagem desde a sexta temporada; na minha opinião o escudo de Capitão América caiu quando dormiu na casa do irmão, depois que seu pai faleceu, e de lá pra cá a série tem humanizado bastante este personagem, especialmente. Que dá uma chateação o romance Darvey não ter se concretizado, dá, mas na vida real também é assim também, ainda mais com pessoas duronas e orgulhosas como os caricatos que os personagens representam. Paula, infelizmente um dia sofrerá muito, porque não vejo nenhuma possibilidade de Donna continuar na série e o relacionamento de Paula e Harvey dar certo.

    Sobre Mike e Rachel, tenho uma dúvida: li em algum lugar que depois do casamento com o príncipe, dar-se-á um jeito da atriz sair porque pretende morar com o príncipe na Europa. Estão sabendo de alguma coisa nesse sentido? Os últimos conflitos dela com o Mike me fizeram refletir se a direção não estaria nos preparando pra um possível rompimento do casal.

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    Respostas
    1. *também também, foi mal. KKKKK.

      Se tiverem algum grupo de Suits me ponham!

      68 9 9957 6760

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  2. Oi amei a resenha! Eu achei bem chato o episódio no geral. Claro houveram partes muito boas mas esta 7 temporada no geral esta a ser bem difícil para mim se assistir sem dar aquela avançada básica. Para mim o pior de tudo e mesmo o romance Harvey/Paula. Ok eu posso ser uma "fa" de Darvey mas me afastando um pouco disso eu não entendo o sentido de o Aaron estar a forçar e a levar tão longe este romance; até com Scottie o romance era mais plausível, mais real. Então gostaria de saber se você podia explicar melhor o que quer dizer com "a transferência que Harvey está fazendo" porque pra mim está bem chato. Ultimamente ele só pensa no próprio umbigo e ainda que ele meio que sempre tivesse sido assim ele não costumava magoar a Donna ou o Mike e nesta temporada 🙄🙄. Sobre Sara ela está MARAVILHOSA não tenho palavras para a atuação dela. Gosto também que aos poucos a Rachel está a construir o caminho Dela ainda que isso leve a constantes problemas com Mike. Ao menos Louis mantém-se fiel a si mesmo. E eu sempre acabo rindo ou chorando nas cenas dele. É bom ver que este personagem mantém uma certa continuidade desde o início. Fiel a si mesmo.

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  3. Olá,Andreia! Muito obrigada! Bem,eu falei um pouquinho sobre a transferência nas reviews anteriores (acho que nas dos dois primeiros episódios), se você quiser dar uma olhada. Mas, basicamente, o que eu acredito sobre essa relação de Harvey/Paula, de acordo com o que os episódios tem mostrado e de acordo com algumas entrevistas de Aaron Korsh, é que Harvey está projetando os sentimentos que ele tem por Donna em Paula.Esse é um fenômeno psicológico que pode acontecer com um paciente e seu terapeuta.A própria Paula cita isso no primeiro episódio e a série de paralelos que a série tem criado entre Donna e Paula são outros sinais. Acho que esse POST deve te ajudar a entender melhor https://m.facebook.com/suitsnobrasil/photos/a.317146741640762.91678.235701783118592/1488148004540624/?type=3&source=57

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