17 de set de 2017

REVIEW- SUITS S07E10- "Donna" (Mid-season finale)



Em uma temporada que começou morna, cheia de eventos desagradáveis e tramas que não se encaixavam, Suits apresentou uma mid-season finale memorável, um episódio que entra para a lista dos melhores de toda a série. “Donna” é um alívio, é a demonstração clara de que este grupo de roteiristas ainda tem a habilidade de criar um episódio com uma trama sólida, envolvente e que vai nos deixar em ânsia pelo fim de mais um hiatus.
Os arcos jurídicos trabalhados nos dois últimos episódios foram muito mais interessantes que todo o enredo legal projetado nos primeiros oito episódios e foi só com eles que eu senti que a sétima temporada tinha realmente começado.
Se nos primeiros episódios dessa temporada Rachel parecia apenas orbitar nas histórias de Mike, nos episódios mais recentes a personagem cresce e firma seu lugar. O caso sobre discriminação é o artifício para explorar o lado profissional de Rachel, mas também o ângulo familiar, indo mais a fundo na sua relação com seu pai e resgatando uma história familiar.
Em um  flashback  de 25 anos atrás fomos apresentados à mini-Rachel, ao jovem Robert Zane (excelente escalação, a propósito) e a Jasmine, a tia de Rachel que sofria assédio do patrão, o infame CEO contra quem a dupla Zane litigava no tempo atual. A situação toda foi uma oportunidade de ver um Robert afetado pelas suas fraquezas, pelas suas culpas, e ver uma Rachel engenhosa e firme, capaz de administrar as questões pessoais e profissionais com equilíbrio. São de Rachel todos os planos para encontrar uma solução para o caso e ela não se abalou nem mesmo quando o sórdido Arthur Kittredge direciona pra ela seu assédio repulsivo.
Repito o que disse antes: esse momento é a oportunidade de mostrar Rachel como mais que o par romântico de Mike. Quando ela tem as próprias histórias, ela pode ser uma personagem grande como qualquer outro no show.
O novato Alex também trouxe uma boa história para este episódio, parecendo ter encerrado as sequelas de ter deixado sua antiga empresa e com o adicional de estreitar a sua relação com Louis – e com seu ditafone. A Bratton-Gould iniciou uma jogada de aquisição da Pfizer por um de seus clientes, ameaçando que Alex perdesse seu maior cliente. Louis trabalhou junto com Alex buscando todas as possibilidades existentes para que isso não acontecesse.
Antes de encontrarem a bela saída da gravação, a dupla tentou incluir o Dr. Lipschitz em um plano que, em termos simples, exigia que ele fingisse ser outra pessoa e simulasse uma negociação. No percurso de tramas que jogam com as escolhas éticas dos personagens, Lipschitz representa o lado mais íntegro, sobretudo se você foca no grupo dos personagens psiquiatras. Lipschitz é competente e profissional e estabelece que fará tudo para ajudar Louis, desde que dentro das paredes do consultório. Lipschitz não confunde relações. Lipschitz reconhece que ainda que algo não viole sua licença, isso ainda pode ser antiético e ele decide por não fazer. Por essas colocações, você já deve ter entendido a quem ele faz um contraponto. E assim, Suits ganha a chance de não se queimar com toda a classe dos profissionais de psiquiatria.
Falando sobre a tal psiquiatra, Mike menciona a Rachel que Paula o telefonou pedindo ajuda para a escolha de um presente para Harvey (Sabe-se lá por que essa mulher insiste em dar presentes a Harvey). Mas ué? Ela precisa de ajuda nisso? Não era ela a pessoa “que deve conhecer Harvey melhor do que qualquer um”? Rachel sabe que não e que ela não pode ligar pra pessoa que melhor conhece Harvey de fato. A conversa com Rachel é o que Mike precisa para esquecer o que Paula pediu ( e a própria existência dela) e ir até Donna instigá-la a declarar o que sente a Harvey. Donna agradece e assegura que ela e Harvey não querem ficar juntos. Ahh...A negação!
Partindo para a trama central do episódio descobrimos logo cedo que a promessa do julgamento simulado feita pelo episódio 9 não vai se cumprir. Utilizando-se do argumento do privilégio profissional, Louis (acha que) conseguiu encontrar um jeito para que Donna escape do depoimento no tribunal, tornando o júri simulado desnecessário ou pelo menos inconveniente do seu ponto de vista e do de Harvey – uma vez que Donna e Mike ainda cogitavam a validade de prosseguir a simulação mesmo assim (e como estavam certos).
Fato é que o argumento não serviu, pois Malik não planejava falar do caso Clifford Danner e sim do Coastal Motors e surpreendeu o time da PSL. O que não era surpresa nenhuma é que Andrew iria se utilizar da relação Harvey e Donna para distorcer os fatos e colateralmente humilhar Donna da maneira mais vil que pudesse. Enquanto todos nós conhecemos seus méritos, sua integridade, sua regra de não se envolver com homens com quem ela trabalha, Andrew conseguiu construir uma versão plausível de que Donna escalou na carreira à base de sexo/ cometimento de ilegalidades. E isso está agora registrado nos autos do processo pra quem quiser ver. Doeu demais ver Donna nessa posição.
Com toda raiva, tristeza e razão, Donna responsabilizou Louis por não a ter preparado como ela pediu. Inicialmente, Louis reagiu na defensiva (como de costume) mas depois reconheceu seu erro (como de costume) e confessou que seu acovardamento tinha a ver com a própria situação amorosa em que estava envolvido naquele momento. Louis se imaginou colocado também no tribunal sendo inquirido sobre suas questões e não foi capaz de fazer o mesmo com Donna. Donna entendeu e aceitou as desculpas. A cena seguiu para um dos discursos mais bonitos da série, no qual Louis falou sobre estar perdendo sua alma gêmea, sobre ela estar com outra pessoa, sobre ele não ter feito nada quando teve a chance, sobre ter que conviver com isso pelo resto da vida. O discurso era sobre Louis mas cabia como uma luva para Donna (ou como um tapa na cara). E ela recebeu a mensagem muito profundamente.
Naquelas circunstâncias de abalo emocional e medo, Harvey entrou no escritório de Donna e ela não teve outra reação se não a de se lançar nele e beijá-lo (Insira seus gritos aqui. Eu ainda não parei de gritar). Harvey não se afastou – aliás se você já repetiu a cena tanto quanto eu, você deve ter visto que ele se inclina na direção dela.  Não foi Harvey quem parou o beijo. Donna se afasta com um pedido de desculpas e nos atordoa mais com a fala “Eu só precisava saber”. Harvey, você e eu terminamos o episódio embasbacados pelo que acabou de acontecer.

1.        O discurso de Louis move Donna a fazer o que fez, mas não podemos esquecer que o aconselhamento de Mike se soma pra ela tomar essa atitude. Obrigada, Louis! Obrigada, Mike!
2.        A cara que Rachel faz quando o nome de Paula é mencionado é a cara daquela sua melhor amiga quando alguém cita alguma dita-cuja que você não gosta. A inimiga da sua amiga é sua inimiga também.
3.        Donna beijou Harvey enquanto ele está em um relacionamento. Sabemos as questões de Harvey com infidelidade e isso terá consequências. Mas o ponto não é que Harvey foi beijado por outra enquanto estava comprometido, o ponto é o que Harvey sentiu no beijo.
4.        Não tem como condenar Donna pelo que ela fez. Não depois de tudo que ela passou e ouviu. Ou ela fazia aquilo ou correria o risco de viver o mesmo pesar que Louis está vivendo. Ela também sabe das questões de Harvey com  infidelidade, mas ela precisava fazer isso por si mesma. Por dez segundos Donna colocou as necessidades dela acima das de Harvey. E ela teve razão em fazer isso. Além do mais, Paula também não foi lá muito leal com ela. Paula ouviu Donna dizer “Harvey não tem ideia do que está perdendo”. Paula sabe onde se meteu mas todos os dias ela escolhe ignorar e comprar presentes.
5.        Interessante como os dois arcos jurídicos trabalharam a questão feminina no meio de trabalho. Umas tendo suas vidas destruída por não cederem ao assédio do chefe, outra sofrendo insinuações de que só cresceu no cargo por favores sexuais.
6.        O efeito colateral da guerra contra Malik foi a perda da licença de Jessica e a provável retirada do seu nome da parede. E o nome da empresa muda mais uma vez. Parece que teremos uma Specter-Litt quando a temporada voltar.
7.   Eu adoro aquele jogralzinho que eles fazem quando vão em dupla falar com os adversários. Um completa a fala do outro. Ninguém interrompe ninguém. Timing correto. Coisa fina.
8.     Sarah Rafferty é o nome dessa temporada.



                 Curta Suits BRASIL!
                 Assista ao teaser da segunda parte da temporada (assiste mesmo, tem o beijo).










Um comentário:

  1. Tbm percebi essa inclinadinha do Harvey 😍
    Espero q não ignorem o fato do beijo dessa vez, pq o te amo (pra mim) foi ignorado, o eu quero mais tbm.. Espero q dessa vez resolvam! E q eles FALEM como se sentem de vdd!

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