30 de mar de 2018

REVIEW- SUITS S07E11-"Hard Truths" (Mid-season premiere)

"Se nós não pudermos contar aos outros duras verdades, então o que nós estamos fazendo?"


 Tudo se trata de confiar nos julgamentos e, no que toca a esse episódio de retorno da sétima temporada, eu diria que os responsáveis pela escrita dessa série ainda têm os bons instintos para construir um episódio sólido, com diálogos mais do que interessantes e com um bom progresso em seus plots.
Voltamos a Suits exatamente do ponto em que ela nos deixou. No choque absoluto de Harvey após o beijo que recebeu de Donna. A cena me agrada desde os ângulos de filmagem até a trilha sonora e tudo se encaixa perfeitamente para entendermos alto e claro que Harvey, naquele momento, perdeu as condições para lidar com qualquer assunto – até mesmo os inadiáveis.
Não sobrou muito tempo para Harvey processar seus pensamentos sozinho pois foi surpreendido pela presença de Paula em seu apartamento (em uma cena que muito me lembrou o retorno de Donna no 5x11 e não acho que eles façam isso de forma despropositada). Harvey escolhe não abrir o jogo naquele momento e em vez disso só deixa mais clara a profundidade de sua perturbação. Alguém que me diga que Harvey está sendo uma pessoa estável e equilibrada ao convidar Paula (ex-terapeuta com quem ele se relaciona há dois meses) para morar com ele, certamente desconhece os significados de equilíbrio e estabilidade. Em verdade, essa cena só deixa mais nítido que o tal relacionamento de Harvey com Paula tem muito mais a ver com Donna do que com a própria Paula. Cada passo que Harvey deu em relação a Paula, foi na verdade uma reação a alguma atitude de Donna: Harvey iniciou toda essa coisa com a ex-terapeuta logo após Donna lhe dizer que “queria algo mais”; ele deu a Paula a chave de seu apartamento depois de receber essa mesma chave de Donna; ele convidou Paula para morar com ele simplesmente porque Donna lhe deu um beijo. Felizmente, esse foi um dos momentos raros em que Paula teve bom senso (Paula será mais sensata na 7B do que foi na 7ª? Espero.) e rejeitou a oferta.
Enquanto Paula aguardou Harvey em sua sala, Donna esteve à sua espera no escritório dele. Reafirmando os já conhecidos traços de sua personalidade, Harvey escolhe a arrogância no lugar de processar suas emoções e trata Donna com grosseria a fim de afastá-la bem como todas as questões sentimentais que ela representa. Ainda assim, na descarga de rispidez, Harvey fez Donna garantir que o que ela fez na noite passada não tornaria a se repetir, o que ela assentiu com muita tranquilidade. Mas quem é que acredita que não veremos outro beijo desses dois?
 Harvey pode tentar evitar Donna o quanto quiser, mas para o azar ou sorte dele, Donna é sua colega de trabalho e inevitavelmente algum assunto da empresa colocaria os dois dentro de uma sala mais uma vez. Em adição aos dois veio um candidato a sócio sênior, completamente perdido em relação ao fato de que estava mais metido em uma DR do que em uma entrevista de fato. A cena é inteligente e hilária. Eu ri desde o momento em que Harvey foi birrento até pra abrir a porta. O sócio gerente foi imaturo o bastante pra não ser capaz de conduzir uma entrevista profissional e acabar dirigindo todas as perguntas para Donna em vez do candidato. “Eu odiaria pensar que você ama sua empresa e está comprometido com eles e Donna aqui simplesmente marcou uma reunião pra te provocar a sair”. Provocar, Harvey? É isso que você acha que Donna estava tentando fazer com você? “Eu não viria à reunião se não estivesse procurando por ALGO MAIS (lembram de alguma coisa?)”. Uma coisa é certa, nunca mais esse candidato vai querer a cara de Donna ou Harvey outra vez.
Toda a tensão criada na entrevista conduz à Harvey e Donna finalmente terem a conversa que estava sendo adiada. E eu nem digo que essa conversa está sendo adiada desde o beijo, mas há muito tempo antes disso. Um dos pontos fortes desse episódio é finalmente vocalizar coisas que o espectador apenas percebia por gestos, olhares, entrelinhas, entre as linhas... E como Donna bem esclareceu, as linhas entre Harvey e Donna sempre foram turvas: “Eu sou a pessoa a pessoa que você chama às seis da manhã ou à meia-noite quando precisa de alguém. Nós sorrimos, nós bebemos, nós flertamos”. Essa é a perfeita definição da relação desses dois. Não se pode dizer que viveram esse anos como amantes, mas o que eles compartilhavam ultrapassa muito os limites da amizade.
Harvey, porém, segue num rancor irredutível e Donna tenta tranquilizá-lo lhe dando a garantia de que ela não sentiu nada com o beijo (ATA). Ou ela está mentindo pra ele, num esforço para se proteger e não parecer alguém implorando reciprocidade, ou ela simplesmente está mentindo para si mesma. Mas não há forma de Donna dizer que o beijo não a afetou e isso ser verdade. Harvey, entretanto e para minha surpresa, não negou que o beijo o afetou. Sério, eu jurava que ele negaria até a morte e custaria ao menos uns três episódios pra alguém tirar a verdade dele. Mas ele foi claro com isso assim como também foi a respeito de o beijo ter mexido com suas questões de infidelidade. Aqui vale um adendo: por mais que se questione o que Donna fez, não se pode dizer que ela tornou Harvey um infiel. Se o beijo foi só da parte dela, a responsabilidade é toda dela e não haveria motivo pra Harvey se culpar ou esconder algo de Paula. Se ele faz isso então é porque sabe que há mais participação dele no beijo do que ele imaginou. “Foi só um beijo, Harvey. Nós fizemos mais do que isso antes”. O assunto da “outra vez”, antes negociado entre eles para ser intocado, agora é gritado no saguão da empresa. Estamos chegando ao fim da fase dos segredos.
A fúria de Harvey apenas se aprofunda mais quando Donna lhe dirige conselhos que envolvem nada mais nada menos do que processar seus próprios sentimentos e ele escolhe magoá-la e desvalorizar a sua opinião. A opinião de Donna foi a razão para Harvey contratá-la em primeiro lugar, para promovê-la e também fundamenta todo o lado não-profissional da relação deles. Menosprezar o julgamento de Donna é a forma mais certeira de ferí-la.
A discussão foi forte demais e nos deparamos com Donna dando uma de Harvey Specter e bebendo whisky sozinha em seu escritório. O momento é a oportunidade de Louis aparecer para uma bonita conversa emocional e fazer por Donna o que ela faz por ele há tanto tempo. O interessante aqui é que Donna estava abrindo seus sentimentos e tinha a oportunidade de falar pra Louis o que falou pra Harvey, que não sentiu nada com o beijo. Mas ela não o faz. Donna apenas reafirma que uma das razões que ela teve para beijar foi aquele discurso de Louis sobre perder o amor da vida dele. Louis entende a situação mas também aconselha a amiga a se desculpar.
Ao passo que isso acontece, Harvey vai se encontrar com Paula a fim de lhe contar toda a verdade (ou só a metade?). Paula chora, bate na mesa e grita que Harvey e Donna tem sentimentos um pelo outro. Era pra eu sentir pena? Eu não sinto absolutamente nenhuma. Ela era a terapeuta de Harvey e deveria saber mais. Harvey foi parar do consultório dela com ataques de pânico porque Donna saiu do seu escritório para ir para o escritório do vizinho. O tempo todo esteve bem na cara dela que havia uma relação extremamente profunda entre Harvey e Donna. Paula(muito provavelmente pelas fantasias que vinha tendo com seu paciente) resolveu ignorar essa relação e creditar todos os sintomas de Harvey às questões dele com a sua mãe. Se Paula até esse momento está fazendo papel de tonta e não sabia sequer que Harvey e Donna já tinham dormido juntos, isso é culpa dela que falhou como terapeuta e não fez as perguntas devidas. Bem, Paula, é por esse e outros motivos que não deve haver relacionamento amoroso entre terapeutas e seus pacientes.
Já na empresa, Donna alcança Harvey no terraço do prédio (porque ela sentiu que ele estava lá) e lhe diz que ainda que pudesse desfazer o que fez, ela não sabia se faria diferente. Porém, de todo modo, ela sente muito. Harvey não pode retribuir o gesto no momento mas pouco depois bate no escritório dela em busca de obter sua opinião. Sim, porque ele valoriza as opiniões dela, sempre valorizou e demonstrar isso agora é o melhor caminho para se redimir das palavras coléricas e vazias que disse antes. Harvey não só reconhece isso como também reconhece que Donna sempre o colocou em primeiro lugar por todos aqueles anos. O escritório que no episódio passado deu lugar ao notável beijo, agora comporta um adorável abraço do par. E apesar do “sempre” de Harvey, é na verdade a primeira vez que vemos um desses acontecer. Devo dizer que a reconciliação nesse mesmo episódio também foi outra surpresa para mim. Aaron Korsh gosta mesmo de transitar por caminhos não imaginados, mas nem por um segundo ele me convenceu de que Harvey e Donna vão conviver bem na simples amizade a partir de agora.
À parte de todo esse romance, ainda temos uma série jurídica aqui e no plano dos negócios Mike trabalhava em um caso entregue a ele por Alex. O tema da confiança nos instintos e julgamentos esteve mais uma vez presente e Mike primeiro lidou com a descrença de Alex e depois da própria Rachel. Repisando o que já acontecia com Harvey e Donna, a lição que ficou é que é necessário e sempre aconselhável confiar nos julgamentos dessas pessoas importantes e com talentos especiais. O enredo ainda abriu espaço para que Rachel e Mike enfim percebessem que seu tempo juntos deveria ser empregado no que era realmente importante e decidiram retomar os planos do casamento. Ops, eu abri esse parágrafo dizendo que não era sobre romance,não foi? Então, sigamos ao próximo ponto.
Harvey e Louis estiveram tentando encontrar uma forma de garantir que Jessica não saísse da empresa com uma mão na frente e outra atrás. A saída foi ir atrás de um dos sócios da era Gordon Schmidt Van Dyke e o primeiro nome desse trio foi o escolhido. A assinatura do antigo sócio era necessária para um plano de dissolução e reestruturação da empresa que teria como efeito assegurar um pagamento à sócia nominal que estava de saída – sem ao mesmo tempo atrair a fúria de todos aqueles sócios que saíram da PSL sem um centavo quando Mike acabou preso.
Obviamente, Stanley Gordon não é nenhum fã de Jessica Pearson e não estava disposto a colaborar quando percebeu às reais intenções da oferta de Louis e Harvey. O desejo de Stanley era ver o nome de Jessica na lama e foi isso que Louis e Harvey precisaram fazer para fechar um acordo. O nome Pearson deixa a parede com a fama de antiética, egoísta e irresponsável. “Então o que você quer que eu diga sobre ela é o que devíamos estar dizendo sobre mim”, são as palavras de Harvey Specter.  A cena é fantástica e dolorosamente bem encaixada com a trilha sonora. Essa é provavelmente a última vez que veremos “Pearson Specter Litt” no enquadramento da câmera.

Notas:
1.Foi interessante ver o nome de Mike ser cogitado para sócio sênior, mesmo a gente sabendo que, até pelas razões fora da tela, isso não vai acontecer.
2. “Carma é uma vadia. Aliás Jessica também é”. Alguém estava pedindo um soco na cara.
3. “Ai meu Deus! Você dormiu com ele de novo?”. Bem que podia ser, Louis, bem que podia ser.
4. Harvey: “Isso não significa que eu quero MAIS”. Donna: “Se quer saber eu também não”. Foquem na reação de Harvey, ele não ficou bem com isso.
5. Todas as duas cenas de Harvey abrindo o jogo com Paula se passam no consultório dela e a escolha de cenário tem seu simbolismo. O relacionamento que Paula e Harvey desenvolveram manteve os traços de uma análise, na qual Harvey sempre aparece expondo suas questões e Paula tenta de alguma forma iluminar a sua mente. A cena final é um reforço disso. Quando Harvey conta da noite que ele e Donna passaram juntos e encerra com “Diga alguma coisa”, o que eu enxergo é um paciente pedindo explicações à sua terapeuta sobre como todos esses fatos da sua vida estão relacionados e o que significam.




 Curta Suits BRASIL!
Assista a promo do próximo episódio: Bad Man.

 


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