6 de abr de 2018

REVIEW- SUITS S07E12-"Bad Man"




"Você realmente é um bad boy!"
"Não, Sheila. Eu sou um bad man."

No episódio dessa semana, Suits infligiu dilemas morais e emocionais aos três personagens masculinos de seu elenco principal. Mike, Harvey e Louis se depararam com situações que os puseram a se perguntar que tipo de homem querem ser, pelo que querem lutar e que marcas do passado ainda serão significativas para definir suas decisões do presente. Não quer dizer necessariamente que eles tenham chegado a respostas definitivas e acertadas ao fim do episódio, mas a jornada pode ser interessante.
Corroborando com o parecer de Donna da semana passada de que Mike ainda não estava pronto para uma promoção, o sócio junior acabou se enfiando numa enrascada ao ser demasiado ingênuo e acabar sendo passado para trás pelo (até então) aliado, Oliver. Se por um lado Oliver prejudicou Mike, por outro Mike acabou cheio de orgulho do seu pupilo (olha como nosso menino Mike cresceu. Já tem até pupilo que está ficando mocinho também) e enxergou a si mesmo no atrevimento do então adversário (Oliver foi um Mike, mas foi um Mike com muito menos carisma, eu diria). A ousadia de Oliver teve o intuito de confrontar Mike em seus ideais. A quem ou a que Mike sente que deve fidelidade no fim das contas? Ao pequeno ou aos grandões do mundo dos negócios?
Se Oliver resolveu assumir a persona de Mike, então Mike viu a necessidade de encarregar-se da posição que em outros tempos cabia a Harvey em sua parceria: ser leal a seu cliente, jogar com a arma que estiver disponível e deixar que se doam quem tiver de se doer. Mike extraiu sua lição dos eventos do passado de que não é possível jogar em dois times ao mesmo tempo e que a fidelidade é devida somente ao time que te contrata. Com a ajuda de Rachel, conseguiu o que precisava e saiu vencedor no embate contra Oliver. Conquanto isso tenha funcionado no episódio, é inegável que certos compromissos e propósitos ainda pairam na mente de Mike e, a longo prazo, essa alternância entre times pode não ser mais conjugável com seus ideais de vida. Mike pode acabar escolhendo um time para jogar e um outro apenas para torcer de longe.
Harvey também se viu fazendo escolhas imprevistas quando Jessica lhe pediu que parte do pagamento que lhe era devido fosse feita através de um depósito em uma conta irrastreável. A manobra não era possível de ser feita através das contas e registros da Specter Litt (sim, a mudança já é visível nas paredes e nos timbres de papel) e o dinheiro precisava vir por por fora. A solução dolorosa foi apresentada por Donna que sugeriu que Harvey reivindicasse um antigo débito do produtor musical de seu pai. A dor está no fato de que, para que o pagamento acontecesse, o produtor precisava vender a empresa e junto com ela todo o acervo musical de Gordon Specter, arriscando que sua música nunca mais fosse tocada em outro lugar além da vitrola de Harvey.
A importância desse legado para Harvey fica bem clara em um adorável flashback do Harvey, ainda menino, admirado com a música e o talento de Gordon. No presente, Harvey precisava escolher entre a lealdade à sua mentora ou proteger o legado do seu pai, mas como Donna lhe esclareceu, não era sobre fazer uma escolha, era sobre fazer a coisa certa e foi o que ele fez.
Flashbacks também foram necessários para permear o plot de Louis. Voltamos a 1986 para entender quais experiências da vida de Louis determinaram qual seria o seu padrão de comportamento na relação com as mulheres. A escolha do ator para interpretar o jovem Louis foi mais do que acertada e todo o flashback foi muito divertido, exceto pelas partes em que foi triste. No flashback descobrimos que o jovem Louis tinha o perfil do garoto certinho e cumpridor das regras, namorado devotado e apaixonado. A sua namorada, porém, tinha um fraco para bad boys e, sem dispensar Louis, vivia um relacionamento duplo para ter um pouco de cada coisa. O jovem Louis, mesmo descobrindo toda a situação, não conseguiu se desvencilhar do relacionamento. A história foi adequadamente decodificada pelo Dr. Lipschitz (Eu amo UM terapeuta e SOMENTE UM nessa série) e compreendemos que a experiência/decepção amorosa sofrida por Louis incutiu em sua mente a ideia de que ele era indigno de ter uma mulher 100% disponível, de que ele deveria se contentar com o pouco que lhe era oferecido. Não fica difícil entender o quanto é tentador para Louis estar acessível para ser apenas uma aventura de Sheila, ao mesmo tempo em que ele a ama profundamente. Louis acaba cedendo à tentação da ex-noiva mas muda seu arquétipo. Ele não é mais o menino bonzinho e satisfeito com as migalhas e com as regras de outros. Ele quer ser o bad boy, ou melhor, o bad man e ditar como as coisas vão acontecer. Se essa é a postura que vai conduzí-lo a um caminho mais feliz ainda não se sabe, mas ao menos é uma mudança de atitude e ele está seguindo o que realmente deseja.
Enquanto Louis tem um bom psicanalista que de fato lhe ajuda a compreender os eventos de sua vida, a processá-los e conseguir algum tipo de evolução psicológica e de comportamento, Harvey continua lutando para manter um relacionamento fantasioso com sua antiga terapeuta.
Na semana passada, o episódio foi encerrado com Harvey revelando “a verdade completa” para Paula e contando de sua noite com Donna há 12 anos. Paula pediu tempo para processar a informação e nós fomos presenteados com Harvey extravasando suas emoções no ringue de boxe (o que é sempre uma boa ideia e o público feminino agradece). Babações a parte, aqui não se deixa de observar que embora Harvey ache que está sendo honesto e contando toda a verdade, Paula continua não sabendo da missa um terço. Harvey deveria começar contando do dia em que ele disse a Donna que a amava e de como isso desencarrilhou para ela deixando de ser sua secretária  (o que levou aos ataques de pânico e à terapia no fim das contas). Ou sobre o outro sonho em que ele teve de uma vida feliz com ela na noite seguinte em que eles tiveram um momento de mãos dadas. Ou ainda sobre a noite em que Donna disse que “queria algo mais” e ele entrou no modo pânico e convidou Paula pra sair dois dias depois. Ou, se quiser um fato mais recente, sobre como foi tomar alguns drinks com Donna enquanto eles ouviam um disco de Gordon Specter juntos.
O que Harvey faz no fim do episódio é despejar sobre Paula uma boa quantidade de bullshit – pra usarmos um termo da série. Eu já ouvi nessa temporada Harvey dizer a Paula que ela é a pessoa que melhor o conhece e já ouvi ele chamá-la para morar com ele, e eu ri nas duas ocasiões. Porém, ouvir Harvey dizer que foi Paula e não Donna quem o ajudou a fazer as pazes com a mãe foi o que me deu mais tristeza e raiva do personagem.
 Por outro lado, essa é a maior prova de que Harvey está com a mente seriamente perturbada e distorce a realidade. Se você não está com a mente tão prejudicada quanto a dele, deve se lembrar que foi Donna que, no passado e no presente, esteve junto a Harvey insistindo e apoiando para que ele se reconciliasse com Lily, que foi Donna que no fim da noite estava o ajudando a pendurar o quadro/fotografia de sua mãe (se não lembra, recomendo fortemente rever o episódio 6x12). Os roteiristas e a direção dessa série com certeza lembram e não é à toa que logo antes dessa cena de Harvey dizendo bobagens, temos Donna atendendo um telefonema na sala dele e a câmera dá o perfeito enquadramento para focalizar Donna e o tal quadro, lembrando ao telespectador qual foi o papel dela na restauração desse relacionamento.
Ainda que Donna não tivesse feito isso e a reconciliação com Lily se devesse apenas ao que Paula disse durante as sessões, paremos para pensar no quanto é absurdo Harvey pautar a sua motivação para querer estar com Paula sobre que ela fez na terapia, sobre o que ela fez na execução do trabalho para o qual foi contratada. Imaginem se todos os pacientes que Paula supostamente ajudou no consultório resolvessem achar que por isso tem motivos para namorá-la. Ficou claro agora por que um relacionamento amoroso entre terapeuta e paciente é tão problemático? Para Paula ainda não está claro. É certo que ainda há muitas coisas que ela não sabe, mas a quantidade de informação que ela recebeu – e considerando que ela era a terapeuta dele – é suficiente para somar um e um e ver quem está sobrando na história. Ela não consegue perceber nenhuma dessas coisas e retorna para os braços de Harvey, sem um pingo de amor- próprio e, aparentemente, sem também um pingo do conhecimento que a Faculdade de Psiquiatria de Harvard lhe ofereceu.

Notas:
1.      Temos a cena mais engraçada/constrangedora/perturbadora na banheira de lama de todos os tempos? Temos sim.
2.   As primeiras peças para o spin-off de Jessica já foram lançadas. Em breve devemos descobrir como esse dinheiro e a nova história dela em Chicago se relacionam.
3.     Pearson! Paulsen! Que cena maravilhosa entre essas duas mulheres incríveis. Poucas vezes fomos abençoados com Donna e Jessica dividindo uma cena sozinhas e toda minha gratidão por essa ter sido tão encantadora. Fiquei com a sensação de que esse telefonema foi a semente para um evento no futuro...talvez Donna queira checar oportunidades em Chicago.
4.     Já está mais do que na hora na série dar nome aos bois e explicar o que se passa na cabeça de Harvey. Tudo leva mesmo a crer que ele está em um processo de transferência e projeta sobre Paula aquilo que Donna representa para ele. Mas é preciso que o roteiro diga isso com palavras e não mais com sinais. Para o telespectador que tem a mesma desatenção de Paula, talvez Harvey esteja apenas apaixonado e tentando viver um relacionamento sério, enquanto Donna acaba ficando no meio disso. Mais clareza no roteiro diminuiria tais interpretações equivocadas.
5.  Sabe a música que Gordon tocava sob os olhos admirados do pequeno Harvey Specter? Segundo Nathan Perkins , produtor de Suits, o título da música é Boopin’ with Donna. Gordon Specter, um artista, um vidente!

CINEMA: Veja as principais referências que encontramos em Jogador Número 1!

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Assista a promo do próximo episódio: Inevitable.





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