13 de abr de 2018

REVIEW- SUITS S07E13-"Inevitable""

"Não se engane, eu gostaria de poder ficar mas eu sei que não posso"





A sinopse desse episódio já nos alertava que o impossível seria requerido de Harvey. Frise-se, o impossível, não o difícil, ou o desconfortável, ou meramente embaraçoso. O IMPOSSÍVEL. E um pedido impossível obviamente leva a conclusões INEVITÁVEIS. E assim, no título e na sinopse, Suits já indicou os caminhos por onde esse episódio iria e deixou bem claro que nem sempre é a imprevisibilidade o que nos segura numa história. Às vezes o segredo é entregar, com uma boa dose de drama, as cenas que os espectadores anseiam por ver.
Após terem feito as pazes no episódio passado, Harvey e Paula usufruíam da paz no relacionamento com um normal café pela manhã. Espera, eu disse normal? Não, nada de normal. Tem algo extra nesse café. É baunilha. Ou melhor dizendo, é Donna, já que foi a ruiva a responsável por fazer Harvey gostar desse toque especial em seu café (Episódio 4x16 pra quem quiser conferir a referência). Essa é a forma sutil de Suits dizer que o relacionamento de Harvey e Paula tem a presença de Donna o tempo inteiro. Mas se você não pegou a sutileza, não se preocupe, Suits dá a mesma mensagem de forma escandalosa também.
Lily resolveu aparecer na cidade e disso resultou um jantar onde a mãe de Harvey conheceria a pessoa com quem seu filho estava saindo. Não importa o que comeram no jantar, a sobremesa com certeza foi torta de climão. Lily acreditou que Paula fosse o tal “alguém muito especial” que Harvey mencionou que o encorajou a encontrar com ela e reatar a relação e, como típica mãe que causa confusão (obrigada, Lily!), ela trouxe o assunto pra conversa e agradeceu a Paula pelo que ela (não) fez. Embora no episódio passado Harvey tenha dito o absurdo de que Paula foi a responsável pela reconciliação com Lily, e não Donna, a ficha de Paula caiu nesse momento e ela percebeu que não era a pessoa muito especial a que Harvey se referiu.
A situação desconfortável resgatou toda a insegurança de Paula e ela acabou dando um ultimato a Harvey: ou ela ou Donna. Harvey precisaria demitir Donna se quisesse que aquele relacionamento prosseguisse. Convenhamos que não foi uma jogada inteligente. Paula conheceu Harvey quando ele parou no seu consultório, tendo ataques de pânico porque Donna tinha deixado sua mesa. E agora Paula esperava que Harvey fosse simplesmente abrir mão dela assim? Eu diria #quiautoestimadap... , mas na verdade autoestima e segurança – e ética – é o que falta em Paula.
O desespero se abateu em Harvey e ele não via possibilidades de fazer o que Paula lhe pedia. Paralelo ao barulho na sua cabeça e seu coração, Harvey ainda ouvia outros exaltando o valor de Donna na empresa e como ele deveria lutar para mantê-la ali. Confuso, Harvey tenta uma medida estúpida de fazer com que Donna queira de afastar e combina com Stu para que ele faça uma oferta de emprego a Donna. Não fui convencida de que Harvey, por um segundo sequer, acreditou que Donna se interessaria pela oferta, depois de treze anos trabalhando naquela empresa que ela amava e depois de ter lutado tanto para ocupar o cargo em que estava. Foi uma medida desesperada, coisa de quem só quer dizer que tentou, mas desde o princípio ele sabia que aquilo estava fadado ao fracasso.
O espectador pode olhar pra situação e imaginar que Harvey deveria imediatamente ter escolhido Donna, deveria ter despachado Paula no segundo seguinte ao seu ultimato. Afinal, afora todos os sentimentos confusos entre ele e Donna, a COO foi uma amiga e funcionária leal por treze anos e Paula acabou de chegar. Porém é preciso olhar pelo ângulo de Harvey, e na ótica dele ele estava vivendo um momento particular em sua vida em que, depois de ter se reconciliado com sua mãe, ele realmente queria abrir espaço para ter um relacionamento real e sólido. Harvey de fato acreditava que Paula poderia ser a pessoa que daria isso a ele (Por que ele acreditaria que seria Donna? Se Donna tem uma regra? Se Donna diz que não sentiu nada quando o beijou?). E então quando vemos Harvey se atormentando para fazer um escolha e tomando medidas tolas como a proposta de emprego de Stu, ele não está lutando com a ideia de dispensar Donna – por que ele sabe que é incapaz de fazer isso. “Eu não posso ser eu sem você” – ele está brigando com a hipótese de ter que terminar com Paula e assim abortar seu plano de homem maduro com um relacionamento sério. Harvey estava lutando contra o inevitável.
Quando Donna o confronta sobre a oferta que ele fez Stu propor, é possível enxergar nitidamente pela postura e tom de voz de Harvey, o quanto ele estava apequenado, estático. A imponência e segurança de Harvey Specter simplesmente desapareceu. Ele nem era capaz de rebater os argumentos de Donna porque ele concordava com absolutamente tudo mas não sabia o que fazer. Talvez Donna soubesse.

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Donna decidiu ter uma conversa direta com a causadora desse terremoto: Paula. Donna pediu desculpas e implorou em lágrimas que Paula, como mulher e profissional, voltasse atrás e não a colocasse na posição de perder o emprego que ela amava. Porém, se você quer minha opinião, Paula não sabe o que significa ser profissional e como mulher ela também desaponta muito. Eu já não via nenhuma disposição no olhar de Paula para ceder ao pedido mas ainda assim ela quis saber de Donna se ela poderia jurar que aquilo que aconteceu não iria se repetir. Donna emudeceu. A mesma Donna que outro dia garantiu a Harvey que aquilo não aconteceria de novo e que não sentiu nada com o beijo.
Por um lado eu detesto a cena por colocar Donna se humilhando perante Paula, a pessoa para quem Donna um dia confessou que “Harvey não tinha ideia do que estava perdendo”, a pessoa que desde o início sabia dos sentimentos entre Harvey e Donna e mesmo assim decidiu se colocar no meio da história. Por outro lado, a cena é excelente para deixar clara a diferença entre Donna e Paula. Donna, humilde e altruísta se desculpando pela única vez em que decidiu colocar a sua própria vontade à frente da de outras pessoas. Paula, revestida de uma arrogância burra, exigindo que uma mulher perdesse o emprego porque ela a fazia se sentir ameaçada em seu relacionamento de três(?) meses, exigindo que o namorado tirasse de sua vida a pessoa que foi seu alicerce por treze anos.
Claro que é possível encontrar alguma identificação com Paula e dizer que qualquer um de nós sentiria alguma insegurança se um parceiro tivesse uma relação tão próxima com outra pessoa como Harvey tem com Donna. O ponto é que Paula sabia disso desde o início. E ela sabia que havia mais do que uma relação próxima, havia sentimentos não resolvidos, não esclarecidos e ainda assim se interpôs entre eles.  O ponto é que Paula se aproxima dos meros seres mortais e falhos – e põe falhos nisso – enquanto Donna a cada dia mostra que é um ser superior que esse mundo não merece.
Porque não queria ser a responsável pela destruição do relacionamento e suposta felicidade  de Harvey , Donna decide se retirar (entendeu como funcionam o altruísmo e o amor, Paula?). Um dia Suits ainda vai me matar com essas cartas lidas com voice over, acompanhadas de uma cena dramática e um fundo musical emocionante. A realidade atinge Harvey com a carta de demissão de Donna deixada em cima de sua mesa e ele imediatamente decide que precisa desfazer aquilo. A sua aflição é tão grande que, pela primeira vez em sete anos, vemos Harvey nem sequer esperar seu motorista mas pegar o primeiro táxi que apareceu em sua frente.
Mas não é para a casa de Donna que Harvey se dirige de imediato, ele sabia que antes precisava fazer sua decisão inevitável. Harvey foi até Paula e contou da demissão de Donna. Embora tenha escolhido ser passivo o suficiente para deixar isso acontecer agora ele escolhia agir para desfazer. A imponência de Harvey reaparece quando ele levanta, abotoa o terno e declara a sua escolha com convivção. A sua escolha é Donna e é o fim para Paula. Harvey agora vai até o apartamento de Donna e só espera ela abrir a porta pra rasgar a sua carta de demissão. Ele conta a ela que o relacionamento com Paula acabou e Donna pergunta se ele está bem. “Você vai voltar?” “Sim.” “Então eu estou bem” – já vimos que Harvey é capaz de lidar com qualquer problema em sua vida, mas não com a ausência de Donna. A ruiva faz o convite mas Harvey não entra em seu apartamento, não nessa noite. Ninguém disse nada sobre outras noites e aguardamos por elas nos próximos episódios.
Os plots de romance não ficaram somente entre Harvey e Donna. Mike/Rachel e Louis/Sheila também estavam vivendo seus percalços e aventuras. Eu não tenho ideia de pra onde essa relação entre Louis e Sheila irá, mas é inegável que o casal proporciona cenas engraçadíssimas e quebra a tensão de outros enredos. Nesse momento, Louis/Sheila resgatam a leveza que era muito mais presente em Suits em temporadas passadas e que faz tanta falta, mas acredito que essa relação também não está longe de desembocar no drama.
Houve um doce momento entre Rachel e Louis em que ela dá apoio ao amigo qualquer que seja a sua postura em relação a Sheila, contanto que ele esteja feliz. Louis declara que está feliz com a forma com que sua relação com Sheila está sendo conduzida, que está cheio de confiança e se sente um rei. Mas será? Ou Louis está na verdade se diminuindo até caber nos propósitos de Sheila? Até certo ponto ele pareceu muito satisfeito com essa relação delimitada a quatro paredes e um bocado de fantasias sexuais, mas a gente sabe quem ele é. Ele é Louis Litt, o personagem mais emocional dessa série e em algum momento a realidade tinha que cair sobre a sua cabeça. E isso aconteceu quando acidentalmente Louis conheceu o noivo de Sheila. É natural pensar que num encontro constrangedor como aquele, a figura humilhada seria a do traído, mas é Louis quem acaba ultrajado. É ele quem acaba sendo o alvo das piadas,  é ele quem no fim das contas não vive o dia-a-dia com Sheila e é ele quem não está presente na vida dela de verdade. E o que Louis vem querendo em todas essas temporadas não é ser parte da vida de alguém? Parece que é o fim da fase bad boy.
Mike e Rachel seguiram com os planos do casamento e neste episódio faziam aconselhamento pré-nupcial com o padre Walker. Mike acabou não preenchendo um formulário com perguntas sobre o que ele quer do futuro e Rachel ficou inconformada. O casal já é tão sólido e estabilizado que nem dá pra gente chamar aquilo que tiveram de conflito. Fica porém a mensagem do padre de que parceiros devem ser honestos um com o outro e a gente deseja que Harvey e Donna, Louis e Sheila também pudessem ouvir esse conselho. Mas além disso, vocês viram os diálogos aqui e ali cogitando as hipóteses de Mike e Rachel partindo? O momento está chegando.
Pra não dizer que só falamos de romances (Ei, não olhe pra mim, a culpa é de Korsh, mas eu não reclamo) houve um pouco de caso jurídico essa semana. O cliente, Teddy, foi um antigo amigo de Harvey que já havia aparecido na quinta temporada, na época em que Donna tinha deixado de ser secretária de Harvey – interessante, não? Nesse tempo Teddy vendeu a sua empresa, mas agora queria retomá-la para garantir a segurança de seus funcionários que perderiam o emprego em uma nova aquisição da firma. Foi um outro pedido impossível a Harvey em que a solução só apareceu quando se conseguiu perceber os benefícios da lealdade e parceria. Firmando um acordo de desconto com antigos fornecedores e um ajuste de sociedade com os funcionários foi possível levantar o valor suficiente para que o cliente readquirisse a sua empresa. O caso foi interessante para resgatar o bromance entre Harvey e Mike. As piadinhas e referências a super heróis estavam lá mais uma vez e é bom ver isso enquanto há tempo.

Notas:

1.     A Gretchen não cansa de ser maravilhosa. Todas aquelas referências para dizer que Louis estava tendo um caso com Sheila e depois a cena com Rachel foram hilárias.
2.    Harvey incomodadíssimo que Stu e Donna estavam compartilhando algumas palavras em código que ele não entendia e se negou a ser menino de recado nessa situação.
3.     Parte de mim vibra a saída de Paula, outra parte ainda lamenta que a série esteja sendo omissa para intitular a verdadeira natureza dessa relação, para pontuar o quão antiético foi (ainda que se diga que respeitaram um prazo, Harvey nunca teve alta da terapia) e esclarecer como Paula abusou de sua posição de ex-terapeuta e manipulou um paciente.
4.     Onde estão os prêmios de Sarah Rafferty? A mulher destruiu em todas as cenas em que apareceu.
5.  Você percebeu os personagens insistentemente reforçando o valor de Donna para a empresa e pontuando todos os talentos que ela tem? Bem, isso é uma resposta para aquela parcela do público que insiste em dizer que Donna não merecia a promoção, que ela não tem qualificação pra isso. O engraçado é que essa mesma parcela não se incomodou com Mike Ross se tornando advogado sem diploma. Entendam que os talentos de Donna e Mike são diferentes mas tem o mesmo grau de excepcionalidade e importância para a empresa.
6.    Há quem pense que Donna voltou pra empresa fácil demais. É preciso lembrar que ela nem queria sair em primeiro lugar. Ela só o fez para atender o pedido que Paula fazia a Harvey e ele mesmo não conseguiria demití-la. Donna acreditava que Harvey estava em um relacionamento maduro pela primeira vez e não queria ser culpada por destruir isso. Mas uma vez que Paula e seu ultimato estão fora do jogo, Donna não tem motivos para hesitar do pedido de Harvey para que ela voltasse. É a empresa que ela ama, é o cargo pelo qual ela batalhou e é a casa dela.
7.      Diga que você não me quer/Diga que você não precisa de mim/Diga-me que eu sou um tolo/ Diga-me você foi torturado/ Diga-me você sofreu pelo que eu fiz para você”. Essa é a tradução de “Unknown”, música tocada quando Harvey vai até o apartamento de Donna. Vale lembrar de algumas falas do episódio 7x11: “Não quer dizer que eu queira mais”/ “Pra constar, eu também não. Eu não senti nada quando eu te beijei Harvey. O que quer que eu pensei que estivesse lá, não estava”.


 Curta Suits BRASIL!

PRIMEIRO OLHAR: REBOOT DE PERDIDOS NO ESPAÇO DA NETFLIX.


Assista a promo do próximo episódio: Pulling the Goalie.








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