20 de abr de 2018

REVIEW- SUITS S07E14-"Pulling the Goalie""



"Isso não é pessoal. São apenas negócios."




Eu estava tentando conviver bem com a informação de que em breve não teremos Mike e Rachel em Suits. E eu estava tendo sucesso nisso até que com esse episódio, Suits me lembrou das coisas que vou sentir falta e das coisas que vou lamentar por terem sido tão pouco exploradas. É que no fim das contas, acredito que o ponto mais alto de Suits não são os casos intricados, não é o glamour, não é o humor dos diálogos. O que realmente nos cativa em Suits é a dinâmica dos personagens, é o carisma e a química explosiva de cada um dos relacionamentos que estão ali desde o início da série. Ao que tudo indica, Mike e Rachel vão sair com a garantia de seu final feliz, porém ainda vamos ter que lidar com a separação de Mike/Harvey e Rachel/Donna.
Enquanto o relacionamento entre Mike e Harvey constituiu  uma marca da série e teve presença constante na maioria dos episódio, Donna e Rachel tiveram um tratamento bem menos dedicado. E é por isso que o temos a oportunidade de ver no 7x14 nos deixa com um gosto agridoce. Enquanto por um lado é maravilhoso ver estas duas mulheres fortes trabalhando como um time e vencendo batalhas pela Specter Litt, por outro nos perguntamos porque isso não foi trabalhado com mais frequência antes, no lugar de tantos plots vazios e personagens recorrentes que não acrescentaram grande coisa à série. Por que fomos privados dessa maravilha por tanto tempo?
Donna foi abordada por David Fox, proprietário do prédio onde a Specter Litt está instalada e numa conversa cheia de sorrisos e flertes (pra que?), David argumentou que a retirada do nome de Jessica da empresa causou alguma preocupação sobre a força do escritório e a capacidade de continuar cumprindo com os termos do arrendamento. Donna rebate esclarecendo que eles passaram por um processo de reestruturação e o escritório estava mais forte do que nunca. Baseado nisso, Fox pede que Donna prepare um documento relatando a restruturação, o que Donna faz prontamente. Tudo porém não passou de uma manobra para que Fox tivesse um documento comprovando a reestruturação da empresa, o que seria suficiente para invalidar o contrato de arrendamento e dar um aviso de despejo de 90 dias.
Donna recorre a Rachel para lidar com a situação e a advogada, reconhecendo a gravidade do problema , alerta que Louis e Harvey deveriam tomar parte ciência do assunto. A questão é que Donna não quer que isso chegue até eles, afinal Donna beijou Harvey e isso acarretou no término do relacionamento dele e Paula e assim Donna já está sentindo culpa (não sinta, Donna) suficiente para não ser responsabilizada por outro infortúnio. Desse modo, Rachel aponta para uma saída jurídica manejando um processo contra David Fox. O tiro sai pela culatra pois David esclarece que com isso ele tem o fundamento para despejar a empresa em não mais 90, mas 30 dias. David não tinha protocolado qualquer processo contra a Specter Litt e o fato de Donna ter iniciado um processo contra o locador se encaixou na cláusula contratual que previa a extinção do arrendamento nessa situação.
Talvez a intenção de todo o flerte foi trazer Donna para uma condição de maior vulnerabilidade na qual ela desligasse seu radar de alerta sobre gente canalha e depois, o estado de culpa e desespero pelo dano já feito fosse a justificativa para o segundo erro. Porém, não consigo deixar de pensar que foram erros primários e não encontram muito sentido dentro do perfil em que a personagem é escrita. É a Donna, poxa! A marca da personagem é que ela conhece as pessoas e as intenções por trás das falas delas. Fazer com que a personagem com a maior inteligência emocional da série e com treze anos de carreira num escritório de advocacia se engane tão facilmente sobre as intenções de alguém e ainda se equivoque sobre se um processo já foi efetivamente constituído é fugir demais da linha da personagem. É quase como fazer Mike Ross ter um lapso de memória.
Com o agravamento da situação, Rachel considera inevitável que Donna comunique a Harvey sobre o problema. Donna é convencid,a mas quando ia ter a conversa acabou pegando uma discussão entre Mike e Harvey na qual este reiterava o sacrifício que tinha feito há poucos dias. Foi o suficiente para Donna recuar.
 Felizmente, Donna acaba lembrando do seu talento especial em conhecer pessoas e o que as afeta. Assim, ela consegue compreender que Fox é um homem inseguro tentando usar a grandeza de suas propriedades para encobrir suas próprias fraquezas. Se ele não tiver isso para se vangloriar, então ele não tem nada. A dupla Donna e Rachel então concebe o plano genial de adquirir o controle dos direitos aéreos sobre as melhores propriedades de David Fox e ameaçam destruir a maravilhosa vista que os inquilinos desses locais tinham. Fox é obrigado a retroceder, reembolsar da aquisição dos direitos aéreos e ainda providenciar uma redução de 10% no valor do arrendamento que tem com a Specter Litt. Vitória das mulheres e somente delas. Foi gratificante que os roteiristas tenham escolhido seguir esse caminho em vez terem que trazer qualquer um dos homens da série para arrumar o problema que Donna acidentalmente causou.
 O duo masculino Mike e Harvey também teve suas batalhas a enfrentar. A juíza que atuou no caso de Mike reapareceu pedindo sua ajuda em um processo no qual ela é acusada de alterar um veredito para vantagem pessoal.  O caso é a oportunidade para Mike trazer alguma distração a Harvey depois de seu término com Paula. E já que é pra distrair, Harvey resolve ir pensar com mais clareza rebatendo bolas de baseball ( porque Tom Cruise falou em “Questão de Honra” que pensa melhor com seu bastão – sim, voltamos às citações de filme). Não demora muito pra Mike e Harvey perceberem que talvez a intenção da firma adversária seja apenas afastar a juíza Halls de algum caso futuro e por essa razão tentam negociar para que sua cliente rejeite atuar em casos deste escritório pelos próximos três anos.
A juíza Halls, porém, recusa a jogada proposta e Harvey e Mike seguem com sua tentativa de distração em um bar. A ocasião é a oportunidade de Mike perguntar a Harvey o que aconteceu para que ele e Paula rompessem. Me pergunto que tipo de resposta bruta Mike receberia se fizesse a mesma pergunta na primeira ou segunda temporada, mas estamos na sétima e esse Harvey é mais aberto para falar de seus problemas pessoais, finalmente. O interessante é que Harvey não menciona o ultimato de Paula para explicar o término. Ele resume a história a “Donna me beijou (...) Isso me levou a perceber que Paula não era a certa”. Daí entendemos que embora o término perpasse pela questão do ultimato, essa não foi a razão em si para a decisão que Harvey tomou. De igual modo, a escolha de Harvey por Donna não se resume apenas à lealdade profissional entre eles. A verdade é que o beijo acendeu em Harvey o alerta de que Paula não era a pessoa certa. “Por que Donna é?”, pergunta Mike, cheio da ousadia que Harvey deixou crescer, e Harvey nem confirma nem nega. Então Mike explica que pode ter colaborado para a atitude de Donna quando a aconselhou a falar para Harvey sobre como ela se sentia, mas que não imaginava que ela iria beijá-lo. Harvey entende, diz que ele não tinha como saber e então tem uma epifania sobre o caso em que estavam trabalhando.
Harvey e Mike resolvem forjar a assinatura da juíza Halls para fazer com que o escritório adversário acredite que ela ficará afastada dos casos deles e assim encerrem o processo contra ela, assumindo, de certa forma, que a coisa toda foi fabricada com esse propósito. Todavia a advogada rival rejeitou a proposta e trouxe a tona um caso mais antigo em que a juíza interferiu ilegalmente para ajudar um adolescente infrator que tinha um péssimo defensor público. É o que basta para Harvey querer abandonar o caso, mesmo depois da juíza declarar que negou um pedido de Anita Gibbs de grampear os telefones de Mike e Harvey, o que provavelmente teria levado os dois e não somente um para a cadeia. Temos então uma daquelas frequentes – e em breve, nostálgicas – situações em que Harvey bate o pé pelo lado profissional dos casos e Mike apela para as questões pessoais e sentimentais. A discussão engrossa, Harvey diz que a juíza só procurou Mike porque ele era um trouxa que se sentiria devedor dela e Mike acusa Harvey de nunca ter sacrificado nada por alguém. É a deixa para Harvey gritar o sacrifício que teve de fazer depois de todos os eventos decorrentes do tal conselho que Mike deu a Donna. “Você vai realmente tornar isso sobre Donna agora?”. Talvez seja porque o assunto Donna é uma constante na mente de Harvey.
A animosidade não dura e logo Mike e Harvey estão pedindo desculpas pelas ofensas trocadas. Os advogados também chegam enfim a uma percepção sobre o caso e se dão conta de que na verdade a firma rival pretende se livrar da juíza Halls em um caso antigo e tudo isso era parte de uma conspiração para alterar várias decisões judiciais que prejudicaram seus novos clientes. Acontece que isso é uma infração criminal e então a advogada é encurralada e Batman e Robin salvam o dia mais uma vez – talvez a última vez.
Já que profissional e pessoal se cruzaram o tempo todo nessa missão, Harvey resolve continuar a conversa pessoal que tiveram mais cedo para perguntar a Mike porque ele disse o que disse à Donna ( e a expressão de curiosidade de Harvey é adorável). Depois de ouvir que foi porque se importava com Donna e não queria deixar que ela passasse a vida sem saber, Harvey questionou se Mike não pensou no que isso poderia causar a seu relacionamento. “Eu achei que se você estivesse tão firme com a Paula, isso não iria importar”. Mike Ross falou isso na cara de Harvey. E mais: “Eu acho que talvez eu estava torcendo para a Donna ficar com você”. Esse é o capitão do meu ship! Contra isso Harvey não tem como  argumentar e responde apenas com um “É justo!” (Claro que é. Torcer por Donna e Harvey é a ordem natural das coisas). Harvey também diz que não está querendo ficar com ninguém nesse momento e então, segundos depois, ele está entrando no escritório de Donna, dividindo drinks com ela e trocando olhares (insira emojis com hearteyes). Assim fica difícil acreditar em você, Harvey.
Depois de ter acidentalmente se batido com o noivo de Sheila – e com a realidade – no último episódio, Louis se dá conta de que é o momento de deixa-la para trás. Contudo, Zander agora é quem aparece em seu escritório vangloriando-se de estar com Sheila e ferindo o ego de Louis. A disputa dos dois homens por Sheila me fez sentir saudade de quando Louis e Nigel brigavam pela gata Mikado – um duelo muito mais interessante, convenhamos.
Louis, com a ajuda devotada de Katrina, resolve ir atrás de Zander no Tribunal para provar a este e a si mesmo de que é um homem melhor que ele. Se ele vai ficar com a garota, então que Louis pelo menos tenha a garantia de ser melhor advogado. Mas as coisas não saem inicialmente como o esperado e quando estava prestes a perder, Louis passou perto de descumprir a palavra dada a Sheila e contar do caso deles, apenas para ter uma vitória sobre Zander. Lipschitz, como profissional íntegro e ciente de seu juramento (Paula nunca será), alerta que se Louis seguir por esse caminho então eles precisarão encerrar as sessões por ali, pois será a prova de que o tratamento não está funcionando e na verdade causando prejuízos a Louis.
Com o alerta e com a ajuda de Katrina mais uma vez, Louis encontra a forma de destruir Zander no Tribunal e comprovar que ele é o melhor entre os dois. Contudo, depois de um pedido de Sheila para deixar tudo isso de lado, Louis escolhe ceder, provando simplesmente que é um homem superior. O gesto revira todo o quadro. Sheila é tocada pela atitude de Louis, deixa o noivo por Louis, reconhece que o ama e derruba a maior barreira do relacionamento deles deixando que o destino decida sobre se eles terão ou não terão filhos. Louis fez seus sacrifícios e Sheila se dispõe a fazer os dela também. A personagem vinha tendo uma conduta detestável nessa temporada, mas não dá para negar que esse foi um belo ato de redenção.


Notas:

1.       É muito bonita a relação de lealdade que Katrina tem com Louis e foi muito tocante a cena em que ela beija a sua testa e lhe diz que ele é um homem bom. Katrina como personagem regular na próxima temporada será algo interessante.
2.       O amadurecimento de Harvey nesse episódio foi notável. Além de ter se mostrado mais aberto para conversar assuntos pessoais com Mike, a sua conversa com Louis também foi sublime. “Às vezes nós temos que sacrificar nossos negócios pelas pessoas com as quais nos importamos”. Ele não está falando de trabalho.
3.       As cenas de Donna contando a Rachel que beijou Harvey e de Harvey contando a Mike que Donna o beijou colocadas em paralelo só para fixar quem é a torcida de Darvey dentro da série. O melhor presente de casamento que Donna e Harvey poderiam dar a Mike e Rachel é ficarem juntos de uma vez.
4.      Chega de colocarem Donna se sentindo tão culpada pela única vez em que ela colocou seus próprios interesses à frente dos de outras pessoas. Paula não foi justa e honesta com Donna e aquele relacionamento nunca foi fundamentado em um sentimento legítimo, nunca passou de transferência mal trabalhada. Não tem porque colocarem Donna para se culpar tanto pelo fim de algo que nem era real.
5.         Ver Harvey e Donna sendo fofos, bebendo juntos e trocando olhares apaixonados é um alívio depois de 13 episódios de drama e sofrimento? Sim, mas não é suficiente. Principalmente quando Suits tem a capacidade de ignorar fatos passados e seguir como se nada tivesse acontecido. Os treze episódios dentro do tal plot Paula-Harvey-Donna até o momento não levaram a lugar algum e apesar de toda a introspecção desses personagens eles continuam não cientes do que verdadeiramente sentem. Então qual foi o ponto de Harvey namorar alguém projetando nela tantos elementos de Donna? Qual foi o ponto de Donna se sentir incomodada por ele ter alguém? Qual foi o ponto de beijar pra descobrir o que sente? Qual foi o ponto de Harvey ser afetado pelo beijo? Suits prefere percorrer por caminhos de ambiguidade e sinais confusos e embora no início isso pareça muito divertido para fãs hardcore ( que se sentem desvendando enigmas e sinais ocultos), hoje já é frustrante pois parece que a solução nunca chega. Dar sinais dúbios é uma escrita conveniente pois permite que a narrativa siga para qualquer lugar sem estar comprometida com uma lógica anterior. Seguir nesse caminho depois de sete temporadas torna tudo tedioso e desapontador para os fãs hardcore e confuso para os espectadores que assistem sem tanto compromisso.
6.       Finalizamos o episódio 14 sem ter ainda qualquer ideia sobre qual será o motivo para Mike e Rachel decidirem deixar a Specter Litt. A season finale terá bastante coisa para abordar.



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Assista a promo da season finale! Os episódios 15 (Tiny Violin) e 16 (Good-bye) serão exibidos juntos.







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