30 de abr de 2018

REVIEW- SUITS S07E15("Tiny Violin") e SUITS S07E16 ("Good-bye")

"Está na hora, Harvey. Está na hora"




Algumas decisões inéditas foram tomadas a respeito desta season finale. Uma foi que se tratou de um episódio duplo com a exibição dos episódios 7x15 e 7x16. A segunda é que a season finale funcionou também como backdoor para o piloto do spin-off de Jessica Pearson. Some essas novidades ao fato de que a season finale também precisava dar conta de fazer a despedida de dois dos personagens centrais do show. Mike e Rachel estavam de partida e o seu casamento foi o grande mote na propaganda destes últimos episódios. O que temos é que havia um mundaréu de assuntos a tratar e mesmo um episódio duplo pode ser insuficiente para satisfazer todas essas histórias.

7X15- “Tiny Violin
Na primeira hora da season finale somos introduzidos a dois excelentes plots jurídicos, o tipo de enredo que de fato atrai a atenção do público e que tem tido poucas aparições no período mais recente de Suits. Do lado da clínica jurídica, um caso comovente envolvendo crianças intoxicadas por chumbo em virtude do funcionamento de uma fábrica de baterias próximo a uma escola. Do lado da Specter Litt, uma ameaça real da empresa vir abaixo por um processo orquestrado pelos antigos sócios (tudo bem que isso não é lá um tema muito novo, mas ver todo o time organizado pra lutar pela empresa sempre enche nossos olhos).
O caso das crianças tomou porte de ação coletiva e se tornou uma bagagem grande demais para Nathan carregar somente com seu pessoal, de forma que a ajuda de Mike foi requisitada. Impossibilitado de prestar auxílio financeiro em nome da SL, restou a Mike (com a benção de Donna) tão somente colaborar com horas de trabalho e uma mente brilhante.
Acontece que de cara Mike recebeu o problema de Nathan ter perdido um prazo para a devida protocolização de documentos do caso e o processo corria risco de ser arquivado. Segurando-se à verdade e à infinita gravidade do caso em comparação com meros prazos, a clínica conseguiu fazer com que o processo prosseguisse para julgamento. Porém julgamento não era ainda o objetivo final deles, afinal a clínica continuava sem os recursos necessários para suportar uma ação coletiva contra uma empresa daquele porte. De qualquer forma, eles tinham o trunfo para que um acordo fosse negociado.
Em paralelo, Mike recebeu a proposta de trabalho dos sonhos: gerir um escritório de advocacia que atenderia os oprimidos pelos grande figurões e ao mesmo tempo não tinha problemas financeiros para encarregar-se dos seus processos. Enquanto ainda não pensava em de fato aceitar a oferta, a proposta fez Mike refletir sobre o quanto estava limitado no caso em que trabalhava e que mesmo que conseguisse o melhor dos resultados, ainda seria incapaz de reverter a situação infeliz daquelas crianças. Robin não podia salvar o mundo. E assim, quando uma proposta (generosa aos olhos de Nathan) chegou, Mike expressou sua negativa imediatamente. A atitude causou revolta e preocupação em Nathan que, mais ciente das privações daquele mundo, sabia que a história poderia não acabar bem.
O golpe veio logo em seguida quando a clínica acabou perdendo seu financiamento de repente e junto com ele a sua capacidade de seguir funcionando normalmente. Mike juntou às peças do jogo e foi até o autor da oferta milagrosa acreditando ter sido ele o responsável pelo corte no financiamento da clínica, afinal, descuidadosamente, Mike tinha revelado a ele as deficiências financeira que passavam. Mesmo confrontado, Andy Forsyth negou até o fim que tivesse feito tal coisa.
Mike não acreditou e contou a Nathan sobre o fato na mesma ocasião em que lhe sugeriu mudar a forma como trabalhava, seguindo a ideia do emprego que lhe havia sido oferecido. Mike propôs que Nathan abandonasse a limitação dos seus honorários, fizesse dinheiro com aquele caso e com isso teria garantias de seguir gerindo seu escritório sem se preocupar com financiamentos e doações. Ainda que Nathan quisesse dizer sim a isso, ele precisava de dinheiro para lidar com a Discharge Power no tribunal.
Mike vai até Donna mais uma vez, mas dessa vez com o pedido firme de um empréstimo no valor de meio milhão. Obviamente, Mike tem seu pedido negado, afinal a SL é um empresa de Direito Corporativo e sua prioridade precisa estar em seus próprios clientes. A conversa com Donna é ainda a oportunidade para Mike confrontá-la sobre ela ter dito que ele não estava pronto para ser sócio sênior. E de fato Mike não está. Não porque ele não tenha capacidade ou maturidade pra isso, mas pelo simples fato de que o Direito Corporativo não é o assunto pelo qual Mike está de fato investido. No fim do dia, o coração de Mike move-se por outras causas. Como eu não deixo de enxergar Donna como uma figura materna para Mike, eu diria que ela é daquelas mães que repreende o filho que pede demais, mas enfim seu coração amolece e ela acaba dando um jeito de ceder a seu pedido. Donna apresentou a urgência de Mike a Louis que, numa linda postura de generosidade e apoio, doou de seu próprio bolso o dinheiro que a clínica precisava para ir a julgamento contra a Discharge Power. É um doce momento entre esses personagens (e por todas as deficiências do episódio seguinte, acredito que é o mais próximo que temos de uma despedida deles).
Não foi só a clínica que se viu na iminência de perder tudo nesse episódio. Enquanto Harvey e Donna tinham mais um momento de deleite alegrando-se pela noite anterior em que esvaziaram um garrafa completa de whisky juntos (contem-me mais sobre isso), acabaram interrompidos por Stanley Gordon e uma bomba em forma de processo. Gordon representava os antigos sócios que agora processavam a Specter Litt pelo dano causado às suas carreiras em virtude da contratação da fraude Mike Ross. A declaração emitida por Harvey sobre Jessica foi tudo que esses sócios precisaram para fazer suas argumentações totalmente plausíveis.
O valor pedido no processo igualava-se à mesma quantia que os tais sócios pagaram como entrada na sociedade, levando Louis e Harvey a acreditarem que no fim das contas era sobre isso que o processo se tratava. Nosso antigo desafeto Jack Soloff era parte desse processo, logo ele que já havia recebido de Jessica (sem comprovação) seu pagamento na medida em que ela se responsabilizou pela quantia de entrada de Soloff na sociedade de Robert Zane. Harvey tentou usar disso para apertar Jack a convencer os sócios a recuarem do processo, mas Soloff sustentou o papel de quem não teve outra saída e disse que não podia ajudar daquela forma sem acabar prejudicado também.
Enquanto tentavam provar que a fundamentação do caso era equivocada e que os sócios na verdade estavam atrás do reembolso do valores de entrada, Harvey e Louis receberam outro golpe. A parte adversária contava com uma declaração em juízo de uma antiga sócia admitindo o prejuízo em sua carreira em virtude da fraude Ross e essa sócia nem era parte do processo. Essa sócia era Dana Scott – Ahh, Scottie, sejamos honestos, a fraude não estragou sua carreira, ela apenas estragou seu relacionamento com Harvey (ou foi só mais um dos fatores nisso, porque na verdade esses dois se estragavam muito facilmente).
Harvey não queria ir até Scottie para fazê-la voltar atrás da sua declaração e Donna precisou intervir. Algumas verdades e instigações saem nessa conversa, como o fato de Donna ressaltar pra Harvey que Scottie não é única pessoa que ele vai atrás quando precisa de algo, ela é somente a única que faz ele se sentir mal sobre isso. Com esse ponto já rebatido por Donna, Harvey ainda questiona: “Por que você acha que eu não quero ir lá?”. Donna diz que não se importa por que, mas eu realmente queria saber. O que mudou pra você, Harvey? Porque em outros tempos Harvey não piscaria duas vezes antes de ir até Scottie e usar todo o poder de sedução que tivesse pra trazer ela de volta ao jogo dele. Mas por alguma razão ele não quer mais fazer isso agora. Donna ainda encerra a conversa trazendo a tona que se Harvey e Scottie não tivessem tido uma história, Scottie nem teria colocado eles naquela posição – quanta sutileza pra demonstrar ciúme.
Harvey acaba procurando Scottie e como ele mesmo previu, ela não cede a seu pedido. Harvey não perde a oportunidade, porém, de dizer que a declaração dela de que foi prejudicada em sua carreira é uma mentira e que ela diz qualquer coisa para vencer uma causa. Scottie decide que não reconhecer isso nela e ter sua própria carreira prejudicada em favor de Harvey.
Mais tarde, Scottie é quem resolve aparecer no escritório de Harvey e depois de toda uma ladainha de que sentia muito, que não quer que ele perca a empresa e que se importa com ele, Harvey a questiona sobre o que mais ela queria dizer. Scottie relembra que Harvey ficou de entrar em contato com ela quando tivesse terminado a terapia e agora ela quer saber se ele já está “consertado”. Harvey declara que ele é um trabalho em progresso, explica com algum constrangimento que acabou namorando a própria terapeuta, mas que não funcionou pois as coisas eram complicadas. Scottie, que parece ser infinitamente mais inteligente que Paula, pergunta se Donna tem algo a ver com essa complicação. A hesitação de Harvey já é uma resposta para Scottie e a razão para recuar. Aparentemente Aaron Korsh trouxe Scottie de volta tão somente para dar um encerramento à sua história com Harvey e martelar de uma vez por todas que não há mais espaço na vida de Harvey para outra mulher que não seja Donna – não foi essa também a conclusão do plot com Paula?
Tendo recebido a negativa de ajuda de Scottie, Harvey retorna a Louis e esse é o momento em que eles alteram o plano de jogo para agora tentar provar que Scottie não era como os outros sócios e que, consequentemente, a declaração dela não poderia ser extensível a eles. Harvey vai atrás da ajuda de Robert Zane para conseguir as avaliações de desempenho desses antigos sócios (que agora são sócios de Zane). Acontece que a reputação de Zane já estava por demais prejudicada dentro do escritório  por tantas ajudas que já ofereceu à Specter Litt e a única forma que ele tinha de ajudar agora era dando acesso, através de Rachel, aos documentos de forma intencionalmente descuidada.
Com as descobertas feitas pelas avaliações, Harvey consegue encontrar motivos para encurralar Jack Soloff e fazer ele retirar-se do processo. Tendo perdido essa batalha, Stanley Gordon propõe que eles encerrem a ação caso Harvey e Louis aceitem os antigos sócios de volta na empresa. A simplicidade e humildade da oferta incita a desconfiança de Harvey que acredita que há uma razão por trás disso. Quando Donna traz a informação de que o escritório de Zane está expandindo, Louis desvenda o enigma e finalmente compreende o grande plano de Gordon: trazer aquele grande grupo de sócios para a SL, instaurar uma votação para fundir com o escritório Rand Kaldor Zane e trair Harvey e Louis. Acontece que quando Harvey vai confrontar Robert sobre assunto, acaba sendo também o portador da notícia de que os sócios de Zane o estão traindo.
Em meio a esse estado total de caos, Jessica reaparece com mais um problema e um pedido. Ela conta que depois que Harvey destruiu seu nome com aquela declaração, ela acabou perdendo sua licença para advogar em Chicago. Jessica estava mexendo com os figurões da cidade e com aquela declaração eles tiveram o que precisavam para tirar ela do jogo. Jessica agora precisava do “melhor sócio que ela já teve” para enfrentar com ela uma última batalha.
Ainda abalado com o pedido, Harvey chega em casa e encontra a família Specter Litt reunida em seu apartamento – ao que tudo indica, Donna já tem sua chave de volta e se sente à vontade o suficiente para colocar todo mundo dentro da casa de Harvey e lhes servir bebidas. Todos estão ali para apoiar Harvey e garantir que vão segurar todas as pontas enquanto Harvey dá socorro a Jessica em Chicago. Mike garante que no segundo em que sua ajuda for necessária, ele deixa o que tiver de deixar na clínica. Harvey só toma de fato uma decisão após capturar um olhar de assentimento em Donna.
E é esse gancho que nos leva à segunda metade da season finale...

7x16- “Good-bye

Apesar do título, despedidas foram as coisas menos vistas nesse episódio. São as tramas em torno na vida de Jessica que tomam a maior parte do episódio e, considerando que nenhum dos plots jurídicos abertos no episódio anterior chegou a um encerramento, houve muito pouco espaço para mostrar o que os espectadores estavam de fato esperando assistir.
Chegando a Chicago, além de uma trombada do pessoal que estava no encalço de Jéssica, Harvey também recebeu um caso complicado: ele seria representante dos residentes de um grupo habitacional prestes a ser demolido para a construção de um novo projeto de habitação e a prefeitura havia reduzido drasticamente o número de moradias populares para os antigos moradores. Por trás disso tudo, havia um empreiteiro desonesto chamado Pat Mcgann, ditando todas as ordens para as ações da prefeitura.
A Procuradora municipal argumenta que Jessica só quer atenção e está explorando a moradora que ela representa para isso. Assim, Lillian Cook é chamada para testemunhar e contradizer a alegada exploração. Porém, antes do depoimento acontecer Jessica resolve ir até o homem que parece dar as ordens em Chicago. Jessica tenta convencer Pat a contratá-la para achar um novo lugar para seu projeto. Pat é irredutível e não tem nenhum constrangimento de afirmar que controla as decisões do prefeito com sua influência e dinheiro.
Não demora muito e na sua oitiva descobrimos que Lillian é, na verdade, tia de Jessica. Com isso, a presença de Jessica é vetada no processo. Além disso, por Jessica ter omitido esse fato, Harvey quase abandonou tudo, mas voltou atrás quando soube mais da história pessoal de Jessica, da sua ligação com Chicago e que seu pai havia falecido há dois meses e tudo isso era uma tentativa de reconectar-se à sua família. Vocês sabem como Harvey tem um fraco com esses assuntos de família.
Harvey segue o plano de Jessica indo até Pat Mcgann com uma proposta de que ele dê garanta uma residência em seu projeto para a tia de Jessica, dê apoio a Jessica para uma cadeira na Câmara Municipal e ainda seja “doador” para sua campanha (as aspas porque o dinheiro a ser doado vinha da própria Jessica e a doação seria apenas uma cena). Pat parece estar a bordo do plano, mas não se pode dizer o mesmo da família de Jessica que se sentiu vendida no meio dessa negociação e não estavam preocupados só consigo mesmos mas com toda a sua comunidade. Jessica arranja uma nova briga com a Procuradora por ela ter procurado a sua família e decide pedir para tirar a Procuradora da jogada como um dos termos do seu acordo com Pat Mcgann. Ah Jessica, a gente já aprendeu nos últimos episódios que quem faz esse tipo de ultimato acaba com um mau resultado. Assim é que quando Jessica se encontra com Pat ele já está fora do seu acordo, devolve-lhe o cheque e ainda já tinha conseguido uma forma de retirar Harvey do caso.
Então, justo quando pensamos que Jessica foi derrotada ela aparece dando nó em pingo d’água. Jessica providenciou fotos de Pat dando aquele cheque a ela e, conjugando isso ao fato de que Harvey foi retirado do processo, a coisa toda pareceria a olhos externos um suborno de Pat para que Jessica abandonasse a ação judicial. Com essa vantagem, Jessica recebe uma nova proposta, dessa vez, diretamente do prefeito Bobby Novak que a ofereceu um emprego na prefeitura de Chicago. Bobby quer que Jessica pare de lhe causar problemas e seja a pessoa que os conserte. A moeda de troca é que Jessica abandone o processo tendo a garantia de que eles iriam cuidar de sua família.
Jessica comunica a sua decisão de aceitar a proposta de emprego a Jeff e tal como ele nós também esperamos que Jessica seja a primeira pessoa a dormir com os cachorros e não terminar com pulgas.
Enquanto isso em Nova Iorque, Louis já sabia qual era o plano de Gordon com os antigos sócios mas ainda não sabia como seria capaz de não cair na sua armadilha. Ir a julgamento ou colocar os inimigos para dentro de casa poderia significar o fim da Specter Litt. Ele tentou todos os argumentos com Zane para tentar fazer com que esses sócios recuassem do processo mas não teve nenhum sucesso.
Alex surgiu com a ideia de arranjar um novo lar, com promoções e melhores salários, para os tais sócios e assim resolver dois problemas: com essa jogada eles eliminariam o argumento de que os sócios tiveram suas carreiras prejudicadas e ainda minariam sua tentativa de golpe. O novo lar seria a Gould, antiga firma de Alex e onde ele poderia usar um trunfo contra seu sócio administrador.
A Gould ofereceu emprego para 15 dos 25 sócios e o plano deu certo até que Gordon usou de um trunfo ainda maior contra Eli Gould e as propostas foram por água abaixo. A situação fica ainda mais problemática e Gordon tenta trazer Louis para o lado dele prometendo que pode manter o nome Litt na nova firma. Louis mostra que evoluiu e escorraça Gordon com sua proposta, bem ainda, defende o posto de Harvey rechaça a ideia absurda de Alex de se tornar sócio administrador para tentar capturar a confiança daqueles sócios se eles fossem reintegrados à empresa.
Donna pegou a conversa de Alex e Louis (a propósito, alguém notou que eles reaproveitaram uma cena do 7x14, mas em novo ângulo, em que Donna ouvia a conversa de Harvey e Mike? Que vergonha, pessoal da edição!) e resolveu que era hora de convocar Mike para oferecer uma mão ou duas a Louis. Mike sai com um plano ousado de trazer os tais sócios de volta, mas junto com eles também Zane e outros sócios de confiança, de modo que minariam a votação que pretendia golpear a Specter Litt. É papel do genro tentar trazer o sogro de uma vez por todas para o lado de sua empresa e o clima de suspense sobre se Robert aceitaria ou não a proposta permanece até quase o último segundo. Quando Louis já estava assinando a proposta de trazer os antigos sócios de volta, Zane entra e anuncia a sua fusão ao grupo. Louis fica agora encarregado de dizer a Harvey que Zane quer seu nome na frente. Eu mal internalizei o fato de que a empresa se chama Specter Litt e eles já vão mudar outra vez.
O julgamento da clínica contra a Discharge Power ia bem até que um relatório de perícia do solo da escola afetada pelo chumbo acabou atrasando e, quando finalmente saiu, apresentou resultados negativos. Acontece que seis semanas antes a escola recebeu uma doação para fazer um projeto de embelezamento e o solo foi revitalizado apagando qualquer sinal da intoxicação. Agravando os contras, Rachel trouxe a novidade de que a proposta de emprego que Mike tinha recebido era real, não tinha qualquer intenção de prejudicar o processo no fim das contas e assim eles não poderiam prosseguir com argumentação de obstrução de justiça. Mike e Rachel chegam à conclusão de que se a empresa preocupou-se com o projeto de modificação do solo foi porque ela sabia da sua responsabilidade antes do processo e em razão disso deveria ter um contrato de seguro maior do que o normal. De fato tinham e isso era a prova que precisavam para fazer a Discharge Power assumir a sua responsabilidade e ganhar vantagem no julgamento ou negociação.
Tendo o argumento e a prova, Mike deu um show no tribunal e conseguiu fazer com que a empresa admitisse que conhecia os prejuízos de sua conduta e assim foi fechado um acordo de 1 milhão por cada família prejudicada pela intoxicação.
Mas pouco antes disso e enquanto aguardavam que as provas documentais fossem providenciadas por Oliver, Mike e Rachel entraram na conversa que definiria a direção da saída desses dois personagens. Agora que sabiam que a tal proposta de emprego era real, ela tornou-se uma opção de vida. E desse jeito, em uma conversa de cerca de dois minutos, Mike e Rachel decidiram que deveriam deixar a Specter Litt, se mudar literalmente para o outro lado dos Estados Unidos e adiantar o casamento – porque sabe-se lá por que motivos, seu novo empregador não poderia esperar seis semanas. Bem, considerando que Korsh veio se gabando em entrevistas que ele tinha planejado a saída de Meghan há cerca de um ano, me espanta que uma proposta de emprego nos últimos minutos da temporada foi tudo que ele conseguiu fazer.
 Ainda mais absurdo, Mike já não se importava com quem poderia comparecer a seu casamento ou não e considerando que Harvey estava em Chicago ele poderia não estar presente. Eu vou frisar mais uma vez porque todo mundo precisa tomar ciência do absurdo dessa escrita: Mike estava disposto a se casar sem a presença de Harvey, sem o cara que transformou completamente a sua vida, sem o cara que é seu tutor – ou sua referência de pai, ou de irmão mais velho, sem seu best-man. Rachel, quando contou a novidade a Donna, chegou a pedir que ela não comunicasse isso a Harvey ou Jessica. Mas como???
Então de repente chegamos à cena do casamento e Mike descobre que Donna é a única pessoa com bom senso que entendeu que aquele casamento sem a presença de Harvey não fazia qualquer sentido. Em cerca de sete minutos, o casamento – que  foi o foco das promos da season finale e o assunto de muitas e muitas entrevistas – acontece. É tudo muito rápido e atropelado. Temos a chance de ver Harvey e Donna caminhando ao altar juntos e olhando um para o outro enquanto Mike recitava os votos que pareciam exatamente escritos para estes dois. Rachel também pronuncia seus votos e o padre enfim declara os pombinhos casados, enquanto Donna e Harvey trocam olhares.
A recepção do casamento é o momento que é guardado para Mike comunicar a Harvey sua decisão de ir embora com Rachel. Harvey não parece muito contente mas entende a decisão e se despede de Mike com um abraço. A gente já viu Harvey mover mundos para garantir que seu pupilo não fosse embora e o jeito que essa cena foi escrita agora parece muito incongruente. Mas ao menos eles tiveram uma despedida não é? Acelerada, ilógica e insuficiente, mas uma despedida. O que dizer de Louis e Donna que ainda nem sabiam que Mike e Rachel estavam de partida e não tivemos a chance de ver esses personagens dizendo adeus? Os roteiristas realmente acharam que o público não estava interessado em ver isso? Sete anos abordando todos esses personagens como uma família e esse é o tipo de saída que deram a Mike e Rachel?
A cena final (entrecortada sabe-se lá por que razão por quadros de Jessica depressiva encarando a janela) é do momento de festa em que os casais da série estão dançando: Louis e Sheila pendurada em seu pescoço, Rachel e Mike, e este apontando para o terceiro casal, Harvey e Donna. Sim, porque Donna apareceu para em segundos tirar Harvey do seu estado de tristeza pela saída de Mike e ele não resistiu a convidá-la para dançar. Não nego que a cena é linda, mas pelas propagandas e promessas feitas era esperado muito mais para deixar os telespectadores satisfeitos.

Notas:
1.  Tiremos um momento para admirar a evolução de Louis Litt. Quando Harvey tentou responsabilizá-lo pelas implicações do plano de emitir aquela declaração sobre Jessica, Louis foi maduro o suficiente para não surtar e direcionar Harvey para o verdadeiro inimigo.
2.       Mike ainda vai de bicicleta para o trabalho e esse é um detalhe adorável.
3.   “Nós quase perdemos nosso arrendamento?” “Esse não é o ponto Louis”. Shhh, Louis!! Águas passadas.
4.      Claro que Harvey precisa de aval de Donna para tomar uma decisão. Da última vez que ele decidiu algo sozinho ele acabou namorando a própria terapeuta.
5.  Quando Jessica pede que Harvey faça Pat decidir entre ela ou a Procuradora e Harvey responde: “Jessica, eles não te conhecem. Você não pode pedir tanto. (...) É uma má ideia”. Acho que Harvey adquiriu algum conhecimento sobre esse tipo de ultimato nos últimos dias.
6.      Um balanço sobre Darvey nessa temporada: Todo o plot com Paula foi construído de forma a colocar Donna e Harvey para enfim explorarem o que sentem um pelo outro. Donna beijou Harvey para saber o que sentia, Harvey desistiu de um relacionamento para manter Donna em sua vida. Pareceu fixado na resolução dessa temporada que nem Donna nem Harvey conseguem manter um relacionamento com um outro alguém. Ainda assim, estamos na estaca zero sobre esses personagens terem consciência dos seus sentimentos. Korsh disse em entrevista que a torcida Darvey ficaria satisfeita com a season finale. Se ele acha que a dança satisfaria alguém, então ele não faz ideia do que os telespectadores querem ou de qual era a direção da sua própria escrita. Não se trata de atender o desejo dos fãs, trata-se de ser coerente com a própria história que foi desenhada. O caminho dessa sétima temporada levava a Harvey e Donna darem um passo adiante e ver o que tem a frente para eles dois. Em vez disso, Korsh escolhe seguir jogando com o flerte e a ambiguidade. Bem, se a razão para segurar tanto o casal é achar que os espectadores ficarão entediados depois que eles ficarem juntos, então é necessário contar a ele que este “vai/não vai” já está entediante de qualquer forma.
7.       Harvey conversa com Mike na recepção do casamento e elogia seus votos, “principalmente a parte sobre família”. Mike não disse sequer uma palavra sobre família nos votos. Quanto desse episódio foi cortado?
8.    Quem são todas aquelas pessoas no casamento? Onde estavam as pessoas importantes na vida de Mike como Harold, Jimmy, Kevin, Benjamin ou a mãe do cara que ele tirou da cadeia e que o ajudou em seu julgamento? Ok, já entendi, não havia tempo para eles aparecerem em um casamento de sete minutos, não é?
9.       Não é que estes episódios tenham sido ruins. Foram muito bons e os plots foram ricos, na verdade. É só que eles pareceram estar no lugar errado. Eles não cabiam numa season finale que tinha o claro propósito de configurar uma despedida para dois personagens do elenco principal. Mike ainda pode aparecer mais uma vez, mas, pela condição especial de Meghan, é certo que Rachel nunca vai voltar e Suits perdeu a oportunidade de fazer uma despedida decente. O spin-off de Jessica parece ótimo mas a decisão de colocá-lo dentro da season finale foi péssima. Um, porque o clima sombrio e a história pesada não se harmonizaram com a trama do casamento. Dois, porque o spin-off consumiu todo o tempo que deveria ser dedicado à saída do par. Quando Jessica “deixou a série” na sexta temporada, ela teve um episódio inteiro centrado nela e sua despedida foi completamente satisfatória. Como alguém disse no twitter: até Norma, que nunca conhecemos a cara, teve um adeus melhor do que Mike e Rachel tiveram. Nunca fui a favor de justificarem a saída de Mike e Rachel com uma morte, mas se Korsh os tivesse matado, ele pelo menos teria mais trabalho com a despedida desses dois. Ter colocado o spin-off nessa season finale foi não apenas uma injustiça com Mike e Rachel mas também uma injustiça com Jessica, já que agora seu spin-off é motivo de irritação para muitos fãs de Suits. O que vimos acontecer nessa season finale deixa a impressão de que Suits não tem qualquer planejamento de escrita a longo prazo, uma vez que um plot absurdo e maçante com Paula Agard dura treze episódios e a saída de personagens importantes como Mike e Rachel é resolvida em dois.
10.   Com a saída de Mike e Rachel anunciada já havia uma enorme quantidade de fãs prontos a deixar a série e, com essa season finale , Suits fez um péssimo trabalho em deixar as pessoas interessadas na oitava temporada. Teria sido um bom momento para um cliffhanger mas Suits não fez isso. Pra piorar, a promo divulgada para a oitava temporada gira completamente em torno da personagem nova, Samantha Wheeler, interpretada por Katherine Heighl. A produção de Suits precisa entender que se um fã vai manter a série em sua grade, é muito pouco provável que seja por interesse numa personagem nova, mas sim pelos personagens antigos que nos cativaram ao longo do show.


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Assista a promo da oitava temporada:





2 comentários:

  1. Monique, excelente texto. O jeito que ele deu fim a esses personagens foi muito estranho mesmo. Até o final da 3a temporada, em que o mike vai trabalhar com o Sidwell, que seria algo provável pro Mike sair da série, foi menos corrido que esses 2 eps. Tão querendo faturar dinheiro, acho que os roteiristas tão guardado o momento de Harvey e Donna ficarem juntos, mas desse jeito, já tá enchendo o saco. Tem horas que queria que a Donna arranjasse outra pessoa logo. Porque não dá pra esperar a vida toda, e o Harvey ficar com a psicóloga, achei forçado demais, acho que seria menos absurdo ele ter um estilo de vida hedonista à la Charlie Sheen do que escolher a terapeuta ao invés da Donna.

    Claro que o foco são os casos jurídicos, mas a despedida de 2 personagens do elenco principal precisava ter sido mais novelinha, com caras como Benhamin, Harold, etc.

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  2. Decepcionadíssimo com esse final do Mike e da Rachel.
    Curioso pra saber como vai ficar a abertura da 8a temporada (espero que tenha uma abertura nova). Esse spin-off da Jessica tá com cara de flop, como é que a atriz sai da série, por motivos de procurar novos desafios, fica aparecendo recorrentemente e ganha spin-off? Nem vou assistir. Já mostraram o despreparo ao terem tido tempo e terem feito uma despedida fraca dessas.

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