30 de jul de 2018

REVIEW- SUITS S08E02("Pecking Order")

"(...)É melhor que vocês coloquem um assento à mesa para mim ou, eu juro por Deus, vou partir a coisa toda em dois. Alguma pergunta?"


Suits se reconfigurou, bem como se reconfigurou a própria [Zane] Specter Litt. O objetivo então agora é redefinir a ordem de hierarquia ou talvez somente esclarecer que apesar das mudanças, alguns sempre continuarão no comando. Mas é claro que estes esclarecimentos não vem antes que primeiro haja o conflito.
Nesta semana o conflito de Harvey e Samantha se desenhou após Robert designar à nova advogada o papel de dar uma mão a Harvey  em um caso. A questão envolvia um antigo cliente de Mike que se deparou com um desfalque de 50 milhões de dólares no empreendimento que estava executando com seu sócio. Robert estava preocupado de que Harvey estivesse sendo mais subjetivo do que o desejado e isso o atrapalhasse de ver o quadro jurídico da situação com a objetividade necessária. Mike ensinou mesmo Harvey a se importar com a pessoa do cliente e não apenas com os negócios que essa gere e essa preocupação está agora integrada a seu método de trabalho.
Esse, porém, não parece muito ser o método de trabalho de Samantha, que tem um  modus operandis  muito mais inclinado ao que Harvey tinha no princípio de Suits. A frieza do olhar da advogada a levou a ir além de “dar uma mão” a Harvey, mas acabar tentando resolver a questão com as próprias mãos. E é aí que Donna também acaba entrando no confronto. Para sua estratégia, Samantha precisava que Donna liberasse certo numerário das contas da ZSL e a COO acabou não atendendo aos desejos da advogada, pelo menos não no nível em que ela queria. Samantha interpretou a recusa como um sinal de que Donna estava querendo mostrar quem mandava, mas provavelmente era Samantha quem queria provar que, mesmo novata, pode chegar mandando. O fato de depois ela ter conseguido diretamente de Robert o aumento (ainda maior do que o que pediu a Donna) na sua verba para despesas fortalece esse ponto.
Unidos contra a novata, Harvey e Donna  decidiram que Harvey deveria seguir trabalhando amigavelmente com Samantha enquanto Donna empreendia uma pesquisa sobre qual é a verdadeira história da recém- chegada. Depois de um tempo considerável, é nesse episódio que vemos o bom-humor e comicidade de Donna retornarem em uma adorável cena com Gretchen na qual elas combinavam a investigação sobre a história de Samantha.
As averiguações trouxeram Katrina como fonte e embora ainda não tenha sido possível descobrir qual é de fato a história de Samantha, pelo menos foi possível atestar que ela está do lado deles, contanto que eles estejam do lado de Robert.
Executando o seu lado do plano, não demorou muito para que Harvey também enfrentasse dificuldades trabalhando ao lado de Samantha. Cada um deles tinha uma estratégia diferente para lidar com a altamente provável fraude cometida por um dos sócios da empresa-cliente e, dessa vez, a estratégia de Harvey era a mais cautelosa e dentro da lei. Embora Samantha tenha seguido as táticas de Harvey por um tempo, em certo ponto ela acabou tomando providências no caso por conta própria.
O ocorrido chegou aos ouvidos de Robert que faz um apelo para que Samantha suavize seu relacionamento com Harvey, para que mostre mais o seu valor e utilidade para a empresa e menos sua capacidade de irritar o sócio-nominal – ou, de outro modo, ficaria difícil cumprir a promessa de colocar Wheeler na parede.
São as cenas com Robert que amenizam a visão da personagem de Samantha apenas como uma pessoa fria, arrogante e ambiciosa. Robert ainda é a única pessoa que ela parece ser capaz de ouvir e por quem nutre um respeito genuíno, bem como ele ainda parece ser a única pessoa que a vê com um olhar de simpatia. Por enquanto, isso não foi suficiente para gostar da personagem, mas é uma esperança de que ela tem algo bom a mostrar no futuro.
A conversa com Robert teve resultado e Samantha presenteou Harvey com a solução do caso e abriu mão de ser a pessoa que formalizaria o ato junto ao cliente. Uma bandeira branca que ajudou Harvey a começar a ver Samantha do jeito que Robert a vê.
É bom que se diga: não há tensão sexual entre Harvey e Samantha e torcemos pra que continue assim porquê: 1. É raro no mundo das séries e por isso é interessante que Suits coloque homem e mulher em posições de rivalidade e competitividade sem esbarrar em romance/sexo em algum momento; 2. Nem toda mulher que entra em Suits tem que virar presa sexual de Harvey, aliás isso é algo que incomoda e é incongruente, uma vez que Suits tenta carregar a bandeira de apresentar personagens femininas fortes; 3. Não faz muito tempo que Harvey falou que não queria ficar com ninguém por agora e só é razoável vê-lo mudando de pensamento por Donna.
Se Samantha parece estar entrando numa trégua com Harvey (e Donna), por outro lado a briga contra Alex está mais iminente. Querendo impressionar o novo Sócio-administrador, Alex resolveu ir atrás de um cliente do interesse de Robert, ocorre que o dito cliente costumava compor a cartela de Samantha Wheeler.
O fato não passou despercebido pela advogada que confrontou Alex e o alertou sobre os problemas que podem vir com a sua ação – não só por estar tomando seu cliente mas porque, segundo ela, o sujeito pode ser uma fonte de complicações.
O drama mais pessoal dessa semana ficou por conta de Louis e Sheila. Há um tempo Louis tem se mostrado confortável e conformado com a posição que ocupa na empresa, porém, por circunstâncias do passado, Sheila acreditava que Louis ambicionava o cargo de gerência da empresa. Por um momento acreditei que isso descambaria para Louis regredindo mais uma vez, colocando seu ego na frente e causando confusão dentro da empresa. Fico contente que ele lidou com a coisa toda de forma muito diferente. O que Louis teme perder agora é a posição de ser amado e teve medo de que a visão de figura de poder que Sheila tem dele não correspondesse à realidade e isso o fizesse perdê-la.
Lipschitz, com sabedoria, orientou o seu paciente e o ajudou a expandir sua confiança para dizer a Sheila o que ele sente e o que verdadeiramente quer. Sheila estava convencida de que Louis estava mentindo pra ele mesmo e que seu terapeuta na verdade enfraqueceu sua autoconfiança. Sheila subestimou a ética e a competência de Lipschitz e foi confrontá-lo em seu consultório fingindo ser uma paciente. O doutor acabou decifrando tudo e demonstrou a Sheila como era ela quem na verdade estava abalando a confiança de Louis, pressionando-o para ser sócio-administrador e deixando que isso parecesse uma condição para ela amá-lo.
Honestamente, todo esse plot trabalhado como questão de relacionamento entre Louis e Sheila não me causou outros sentimentos senão cansaço, tédio e uma dose de repulsa nas cenas “sensuais” – de verdade, da minha parte, o “erotismo” das cenas de Louis e Sheila há um tempo deixou de ser cômico pra se tornar meio embaraçoso e traumatizante. Por outro lado, porém, o enredo culminou numa conclusão muito interessante que foi ver Louis reivindicando o seu direito a voz dento da sociedade da ZSL, tantas vezes ignorado por Harvey e já ignorado o bastante por Robert. Harvey e Zane utilizaram um gesto simbólico para demonstrar a Louis que reconhecem o seu valor dentro da empresa e nem pareceram aquela dupla do episódio passado fazendo piada de que “de qualquer forma, Litt vem por último”.
Temos um segundo episódio mais fraco que a première e o arco dessa primeira parte da temporada parece mesmo girar sobre a corrida entre Samantha e Alex para colocarem seus nomes na parede. Tema pouco criativo para uma série que está tentando se reinventar.

Notas:

1. Samantha, você traz Donna para essa conversa e nós nunca vamos estar no pé certo”- Harvey. “Do meu ponto de vista, Harvey é a empresa e você não parece estar o apoiando de jeito nenhum”- Donna. Claramente cônjuges defendendo um ao outro.
2. O squad Donna/Gretchen/ Katrina foi excelente de se ver. Torço para que mantenham a interação das personagens femininas.
3.  Louis e Sheila interpretando “Sócio-adminstrador/Secretária” é o mais próximo que teremos de Darvey canon por enquanto.
4.  Ao mesmo tempo em que Sheila me cansa e me irrita, também não imagino outra pessoa com quem Louis possa ficar. Se tiver a opção em que eles estão juntos mas eu não preciso ficar vendo, eu aceito.
5.  “Eu não estou aqui para uma sessão. Eu estou aqui por uma ereção”. Por favor, me digam que Lipschitz é bem pago pelas coisas que é obrigado a ouvir.
6. O nome “Zane Specter Litt” não estava na abertura na semana passada mas já foi incluído neste episódio.


            Curta Suits BRASIL!
Assista a promo do próximo episódio "Promises, Promises":





0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...