6 de ago de 2018

REVIEW- SUITS S08E03("Promises, Promises")



 
"Fácil. Eu só pensei: 'O que Mike faria?' "
Se alguém tinha ilusões de que com a saída de Mike, Harvey voltaria a ser o “Harvey Raiz” (e deixo aqui registrado que detesto o conceito do “Harvey Raiz” e considero que o desenvolvimento emocional de Harvey de aparente pedra de gelo para ser humano que se importa com outros seres humanos é um dos pontos fortes de Suits), este episódio tratou de mostrar que a realidade é outra. Mike pode ter ido embora, mas seu legado na vida de Harvey permanece.
Depois de deixar Robert a par das promessas conflitantes que os dois fizeram a seus atuais protegidos na ZSL, Harvey tocou nossos corações ao se mostrar solidário e empático ao sofrimento de uma simples funcionária da limpeza do prédio. Comovido com a situação da senhora, que não recebia suas devidas horas extras em razão de uma trapaça na designação do seu cargo, Harvey comprometeu-se a ter uma conversa de gente graúda com David Fox, empregador de Anna Reed e também locador do prédio onde a ZSL está instalada.
Ainda que Harvey tenha garantido a Robert que seria apenas uma conversa e não traria problemas para a empresa, o fato é que a conversa virou briga em pouco tempo, e a briga logo transformou-se em banheiros fechados e elevadores quebrados na Zane Specter Litt – e em Anna Reed demitida. Harvey então se viu em conflito não só com Robert, mas também com Louis e até mesmo Donna.
Esse então é um daqueles momentos em que Harvey se enfia numa situação difícil, não sabe como sair dela e nem entende como foi parar ali. É quando Donna Paulsen entra em ação pra lhe desenhar um mapa e entregar uma bússola. É Donna quem sempre precisa decifrar as emoções que Harvey não entende. É ela quem lhe conta que ele foi parar no meio desse problema porque sente falta de Mike, porque esse caso tem a cara dele. É ela que precisa lhe explicar que ele não foi capaz de entregar o caso para a clínica não porque Nathan ou Oliver não estavam lá, mas porque Mike não estava. E já que Harvey não está disposto a simplesmente deixar a pobre funcionária lidar com suas tragédias sozinha – e eu me orgulho desse Harvey – Donna então o aconselha a fazer o que ela faria: telefonar para Mike e buscar a ajuda dele para solucionar a questão.
Harvey ouve mas resolve fazer diferente. Ele mesmo chega a uma solução simplesmente perguntando-se o que Mike faria. Assim, em vez de ligar pra Mike pedindo ajuda, ele poderia ligar para contar uma história com final feliz – ou simplesmente ele não quer pedir ajuda do filhote para arrumar a sujeira que o cachorro grande fez.
Donna é a encarregada de levar o plano de ação de Harvey até David Fox e temos, pela segunda vez, a oportunidade de ver a COO passando um trator em cima da mesquinhez do locador. Com a única vantagem de receber os serviços jurídicos de Harvey Specter (E somente isso. Nada de jantares com Donna), Fox assume o compromisso de recontratar Anne Reed, pagar o que é devido a ela e aos demais funcionários, e assim evitar uma ação coletiva. Fica esperto, Harvey. Teu posto de melhor negociador de Nova Iorque está em jogo (não que Harvey se importe de perder qualquer coisa pra Donna).
Sobre postos tomados, vimos na semana passada Alex indo atrás de um antigo cliente de Samantha e esta o alertando muito vagamente sobre o perfil do tal cliente. Apesar do aviso, Alex seguiu no seu intento e até deu um jeito para que Louis forçasse Samantha a deixar de contratar com uma poderosa empresa concorrente do futuro cliente de Alex. Após ouvir uma história tocante e pessoal sobre os motivos pelos quais seu cliente queria recuperar uma valiosa obra de arte, Alex conseguiu de volta a tal pintura Porém, tão logo se descobriu que não só toda aquela conversa emotiva do seu cliente foi uma grande mentira, como na verdade ele planejava vender o quadro e forçar Alex a participar de um esquema de lavagem de dinheiro.
É então que Alex vai clamar ajuda a Samantha porque, afinal de contas, eles são do mesmo time. Pela segunda vez no episódio Samantha recua e colabora. Isso ajuda a vê-la de uma forma menos desagradável do que ela se mostrou nos primeiros episódios. Porém, não deixa de ser um tanto incoerente com a personagem que na semana passada passava por cima de Donna, para conseguir de Robert a verba que Donna lhe negou – e um pouco mais. Bem, vai ver as palavras de Robert para Samantha de que ela precisava mostrar que era um recurso benéfico para a empresa fizeram efeito afinal.
Alex encontra um jeito de colocar o cliente em sua mão e isso o coloca em bons termos com Samantha, ao menos por enquanto. Aproveitando a fase mais tranquila, Samantha esclarece a Alex que, diferente do que ele pensa, ela não está competindo com ele. Afinal, na corrida para ver quem ganha o nome na parede, ela está em confortável segurança bem à frente desde que tem a palavra do sócio-gerente como garantia. Pensar que “nome na parede” é o grande arco que reservaram para essa temporada ainda me dá sono. Resta aproveitar os pequenos arcos que temos pelo caminho.
Uma outra promessa ainda circula dentro da ZSL: a que Louis fez para Katrina de que ela se tornaria a sócia sênior mais jovem da empresa. Para provar que está a altura do cargo, Katrina precisa comprovar a sua capacidade de gerir pessoas e é com Brian que ela está designada a demonstrar serviço.
Katrina, porém, estava no meio de uma crise de enxaquecas e acabou deixando Brian na mão em uma reunião com um cliente, cujo problema ele só tomou conhecimento uma hora antes. O infortúnio colocou Brian em maus lençóis com o cliente e, porque ele escolheu proteger Katrina, também acabou ouvindo reprimendas em dobro por parte de Louis. Quem me dera trabalhar na ZSL, mas Deus me livre de ouvir as pagações que eles ouvem por lá.
A situação aproximou Katrina e Brian de uma forma comovente e muito bonita. Criou-se um espaço para um relacionamento de amizade e parceria muito interessante entre esses personagens. A química entre os atores é boa e a construção do relacionamento deles no episódio 8x01 e neste foi graciosamente satisfatória. Se Brian não fosse casado e tivesse um filho recém-nascido, poderia dizer que isso é uma abertura para romance. Ou será que o estado civil do personagem não impede Aaron Korsh de ir por esse caminho?
Com enxaquecas e com um bom tanto de insistência de Brian para colaborar, Katrina demonstrou sua capacidade de gerenciar e até sentiu confiança o suficiente para enviar Brian ao tribunal em seu lugar. A personagem de Katrina ganha espaço a cada episódio e ganha também a cada cena um pouco mais da minha simpatia. Vê-la abrindo o jogo com Louis, reconhecendo suas vulnerabilidades e destacando a atuação do seu supervisionado aumenta nosso apreço pela personagem como pessoa e como profissional. Enquanto pouco me importo sobre qual nome vai para parede primeiro (até preferia que não fosse nenhum), eu mesma gostaria de estar colocando a plaquinha de sócia-sênior no escritório de Katrina Bennett.

Notas:
1.      “Não me diga que você está saindo com a mulher da limpeza agora?”. Imagine você, Robert, que ele estava saindo com a própria terapeuta não faz muito tempo. Ali sim tínhamos um problema grave.
2.      Ok, a gente já entendeu que querem fazer Samantha ser o “Harvey Raiz” de saia. Mas precisa dar a ela até o bagel da barraquinha?
3.      Samantha é irritante, mas juntar a importunação dela com a de Louis até que deu uma boa cena.
4. "Ok, Donna. Você está certa". Claro que ela está, ela sempre está. 8 temporadas e Harvey ainda não aprendeu? Quando Donna falar você só responde "Sim ,senhora".
5.      “Isso é bom. Mike é um cara muito inteligente.”/ “Isso é bom, mas não foi Mike que teve a ideia. Fui eu.”/ “Bem, agora que você mencionou, na verdade vejo um monte de erros”. Nunca mude, Donna Paulsen.
6.  Cansava ver Mike todo santo dia trazendo um pro bono? Cansava. Harvey está certo de colocar os interesses da empresa em risco pra atender um caso pro bono? Assim como Mike não estava, ele também não está. Porém ver Harvey incomodado com uma injustiça contra alguém de poucos recursos é um sinal claro da sua evolução como ser humano. E sim, usar isso pra continuar fazendo referências a Mike Ross é importante. Personagens vão embora, mas não precisam ser apagados.
7.      “Eu só pensei ‘O que Mike faria?’ “. Olha, Harvey, se você quer saber mesmo o que Mike faria, a primeira coisa é que ele não desperdiçaria a chance de estar sozinho com a mulher da vida dele na sala de arquivos para tirar cópias. Ele e Rachel já deram usos melhores àquela sala.
8.      Não vimos em cena Donna contar a Harvey toda a confusão que ela teve com David Fox na temporada passada, porém foi bom saber que ela contou a verdade a ele sobre a mudança no contrato de locação. Será que Harvey também sabe da parte do flerte?
9.    Harvey sendo o advogado de David Fox abre espaço para novos plots com esse personagem. O cara é um embuste, mas ver Harvey forçado a trabalhar com alguém (ou enfrentar alguém) que o irrita geralmente me diverte.



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