13 de ago de 2018

REVIEW- SUITS S08E04("Revenue Per Square Foot")

"Quando aconteceu, ele me apoiou. Então agora eu vou apoiar você."



É mais um dia de se provar o próprio valor nos corredores da Zane Specter Litt. A reorganização da empresa trouxe a necessidade de alguns de demonstrarem sua capacidade profissional, outros de atestarem a sua posição de líder, outros de comprovarem a sua empatia e habilidade para integrar o time. Nessa prova de valor, quem se mostrará hábil a pôr o nome na parede ainda pouco me interessa, porém, quem será capaz de se mostrar digno de screentime e bons plots é a verdadeira questão relevante aqui.
Após ser pressionado por Alex sobre o nome de Samantha estar com mais chances de subir à parede, Harvey saiu com um plano para que seu tutelado causasse uma boa impressão junto a Zane. Boa impressão com o sócio administrador significa um novo cliente forte e endinheirado. A empresa eleita foi a Paxson BioScience, mas para fechar o acordo eles precisavam antes cumprir uma tarefa suspeita e ajudá-los a adquirir a CrytoGen. Alex e Harvey decidiram então passar o pessoal da Paxson para trás e fechar diretamente com a CrytoGen. O problema é que esta negociação incluía trazer para a mesa os assuntos que eles só tiveram acesso por causa da reunião sigilosa com a Paxson. A dupla de advogados seguiu disposta a fechar com esse novo cliente apesar disso e mesmo após saber que a primeira tarefa que lhes seria atribuída seria ludibriar um antigo empregado da CrytoGen para acabar numa vida de servidão.
Se a jogada toda tinha a primeira intenção de impressionar Robert, as coisas saíram muito diferentes do planejado. Tão logo soube que eles pretendiam passar a Paxson para trás e fechar com a CrytoGen, Robert ordenou que o plano fosse interrompido e assinassem com o cliente em potencial original. Oito temporadas de Suits e não costumo ver Harvey voltando atrás em um plano por que alguém lhe disse para fazer algo diferente – a não ser que esse alguém atenda pelo nome de Donna Paulsen – e não foi agora que ele contrariou o padrão. Então, Alex se vê preso entre seguir seu amigo/protetor Harvey em seu desejo de fazer o que quer ainda que contrarie seu superior hierárquico (e nunca conseguir sua promoção afinal) ou ir contra Harvey e atender o chefe Robert Zane que deseja piamente mostrar quem manda na empresa. Oh, e agora? Quem poderá defendê-lo? Ela mesma: Donna Paulsen.
Contudo, antes de entrarmos na estratégia da nossa heroína de todo santo episódio cabe falar que Donna também já estava tendo que lidar com os próprios problemas. Robert não ficou muito satisfeito com a COO distribuindo um caso pro bono sem a sua anuência e lhe designou uma tarefa que, na visão dele, deveria cumprir ao cargo que Donna ocupa. Robert, você é novo aqui e ainda não sabe como as coisas funcionam, então vamos explicar: independentemente do cargo que ela ocupa, Donna diz o que deve ser feito, todos obedecem sem discussão.
Assim, enquanto realizava o tal relatório de “receita por metro quadrado” solicitado por Zane, Donna também dava um jeito de manter o pessoal da ZSL funcionando em ordem. Ela não apenas trouxe a referência de Star Trek citada por Harvey para tentar iluminar a mente de Alex na busca de uma saída, ela mesma deu um jeito para que essa saída fosse construída. Donna telefonou para Holly Cromwell para que ela entrasse em contato com Alex. O que acontece a seguir a gente deixa Alex acreditar que se deve à sua mente brilhante, mas nem por um segundo eu deixo de pensar que Donna não previu tudo que aconteceria. Em vez de garantir um novo emprego para si próprio (como Harvey achou – ou como Donna fez Harvey achar – que Alex faria), Alex usou sua consulta com Holly para procurar um novo trabalho para aquele empregado que seria passado para trás pela CrytoGen e a nova empresa empregadora acabou se tornando a mais nova cliente da ZNL.
O Kobayashi Maru citado por Donna é uma nave fictícia usada em uma simulação de exercício militar em Star Trek para treinar capitães. O desafio colocava o testado em uma situação em que ele ficava, digamos, entre a cruz e a espada. O único a vencer o teste, o Capitão Kirk, só o conseguiu reprogramando as regras. Se Alex quer o nome na parede, quer ser um dos capitães, ele realmente não pode ser mais um respondendo “sim, senhor”. Com a terceira saída que não representava as ordens de Harvey ou Robert, Alex acabou impressionando os dois. Na corrida para ser sócio nominal, Alex pode ter dado uns passos à frente, já no quesito conquista de simpatia e interesse dos espectadores, ele ainda tem um longo caminho a seguir.
Donna também conseguiu seu merecido crédito junto a Robert e o novo sócio administrador finalmente compreendeu qual é o papel dela dentro da firma. O cérebro de Donna está “muito ocupado sendo incrível” para se preocupar com relatórios banais.
No intervalo entre tentar engravidar Sheila e comparecer a reuniões com clientes, Louis acabou passando pela traumática experiência de ser assaltado. Ao longo das temporadas, já vimos muito da instabilidade emocional de Louis e vivenciar um assalto com direito a espancamento e arma na cabeça com certeza não ajudou na sua busca por uma melhor saúde mental.
Louis acabou deixando de honrar seu compromisso profissional e escolheu não contar as razões para Robert por receio de parecer fraco perante o seu chefe. Fraco por ter sido assaltado? Fraco por não ter reagido? Achei que Suits forçou um tanto a barra para ligar os fatos. De forma alguma pretendo menosprezar a experiência traumática de passar por um assalto violento, a situação de impotência que se tem ao vivenciar algo assim, porém a crença em parecer fraco aos olhos do chefe por causa disso pareceu um pouco desarrazoado na minha visão. Já o receio de Louis sobre o estado emocional no qual ele mergulharia ao relatar o ocorrido e a impressão que isso poderia causar faz mais sentido. Seja como for, o plot rendeu alguns desenvolvimentos interessantes.
O primeiro deles foi trabalhar melhor a relação entre Louis e Samantha e já adianto, uma promissora dinâmica dessa temporada. Como dito, Louis perdeu a reunião e recebeu como punição ter seu caso passado para Samantha. Foi bom ver que Samantha estava preocupada em manter o estado ameno em que ela estava com os novos colegas da empresa. A primeira impressão que tivemos dela como alguém que fazia o que queria e não se importava com ninguém foi desagradável, mas é uma impressão que começou a se destruir no episódio passado e que não subsiste no episódio dessa semana.
Samantha trabalhou bem com Louis mesmo depois dele trapacear uma maneira de voltar a trabalhar no caso do seu cliente. Os planos iam bem e ela deixou Louis lidando com a questão sozinho no tribunal. Louis estava seguro até que se viu em um surto, revivendo mentalmente as circunstâncias do assalto bem no meio da sua audiência. Louis não conseguiu finalizar seu trabalho, seus planos foram pelo ralo e Samantha exigiu explicações sobre o que aconteceu. A reação explosiva de Louis ao ser questionado foi o que ela precisou para confirmar que Louis não estava agindo normalmente (nem mesmo para os padrões dele) e precisava de um amigo para conversar.
Samantha soube quem procurar e Harvey foi ao resgate do amigo machucado. Com alguma insistência, Harvey conseguiu o desabafo de Louis. Louis contou o ocorrido, contou como ele se sentiu, contou como isso ainda o estava afetando e como não poderia, por conta própria, contar isso tudo ao seu chefe.
A cena é predominantemente sobre Louis mas há nela vários elementos que poderíamos refletir para o desenvolvimento do personagem de Harvey. Vocês se lembram do Harvey que dizia que quando uma arma (metafórica, ok) é apontada em sua cabeça você tem mais de 146 formas de virar o jogo? Bem, esse Harvey está compreendendo a bagunça na cabeça do amigo que passou pela situação e assumindo que ele estaria sentindo o mesmo. Lembram do Harvey que fingia não se importar para não parecer fraco? Ele está visivelmente se importando com o amigo que teme parecer fraco e tentando lhe mostrar a força que tem. Pode haver crítica como for à mudança de Harvey, a sua evolução sempre será para mim uma das melhores coisas que Suits fez. O processo pelo qual ele passou enriquece o personagem e afasta os conceitos de arrogância e boçalidade dos ideais de masculinidade e força.
Depois do suporte emocional recebido por Harvey (e também por Robert após ser atualizado dos fatos), Samantha foi fazer a sua parte no amparo à Louis. É nessa ocasião que temos pela primeira vez, Samantha sendo sincera sobre seu passado e contando que também já sofreu uma experiência semelhante à de Louis. Durona como é, Samantha adicionou suporte físico ao pacote de solidariedade e resolveu começar a lhe dar aulas de defesa pessoal, ali na porta da casa dele, entre gargalhadas e piadas sobre como ele fala demais. Um personagem demonstrando alguma vulnerabilidade e sendo acolhedor com outro personagem parece ser o caminho mais curto para cair nas graças do espectador, ou nas minhas, pelo menos.


Notas: 

1.     Menos Sheila com a mão na virilha de Louis e mais Donna roubando não-bagels (e beijos) de Harvey e ele puxando os cabelos dela no recreio (se é que vocês me entendem).
2.     Lembro que no início da sétima temporada, quando assumiu o cargo de sócio administrador, Harvey também andou com esse mesmo humor de Robert. Irritadiço, distribuindo ordens e patadas e tentando demonstrar a todo custo quem mandava. Na época eu não sabia dizer se a culpa era do peso do novo cargo ou do relacionamento insosso com Paula Agard. Alguém, por favor, pode checar se Robert e Paula estão juntos pra que eu chegue a uma conclusão sobre o assunto?
3.    Qual o lance de tantas cenas entre Harvey e Donna nas proximidades do elevador? Ainda não é o tipo de cena deles no elevador que eu quero ver.
4.      Onde está Katrina? Não me privem de Katrina.
5.     Volta e meia em Suits sempre estamos sendo apresentados a um drama pessoal da vida de Harvey ou Louis. Quanto a Donna, por outro lado, o assunto é sempre trabalho. Ainda que a 8ª temporada a esteja presenteando com mais tempo de tela e mais foco na resolução das tramas centrais, ainda falta dar a Donna um plot pessoal. Pouco sabemos sobre seu passado, sua família, os sonhos e desejos que ela tem e já passou da hora de abrirem mais espaço para essas histórias.

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