27 de ago de 2018

REVIEW- SUITS S08E06 ("Cats, Ballet, Harvey Specter")

"Todos vão embora. Todos."


 
Falamos na semana passada sobre como Suits estava trazendo o tema família para o centro dos enredos mais uma vez; sobre como primeiro estavam tratando dos laços de sangue  e como o caminho poderia seguir para os laços afetivos do trabalho. Bem, no último episódio já chegamos nessa segunda parte. O episódio se dedicou a apurar antigas amizades, introduzir novas ligações e também embaralhar alguns laços. Enquanto essas relações iam sendo trabalhadas, tivemos a oportunidade de ver os personagens ganharem mais profundidade – ponto importante para nos afeiçoarmos aos novos rostos e para não perdermos a conexão com os nossos antigos favoritos.
Um nova tarefa surgiu no caminho de Katrina para alcançar a sonhada promoção para sócia sênior. Para ajudá-la a cumprir a tarefa na sua melhor forma, Katrina convocou Brian e os dois deveriam encontrar uma forma de remover o obstáculo que impedia seu cliente de abrir o capital de sua empresa. Circunstâncias de animosidade entre o cliente e o Presidente do Conselho levavam a acreditar que este foi o responsável pelo revés na operação de abertura de capital. Para provar a má-fé do Presidente do Conselho, era preciso ter acesso às minutas das reuniões do Conselho, até então seladas.
Os planos de Brian e Katrina correram bem no depoimento com o presidente do Conselho uma vez que conseguiram fazê-lo assumir a hostilidade que tem em relação dono da agência. Com essa informação registrada em depoimento, foi possível finalmente ter acesso às minutas do Conselho que provaram...nada e a medida não passou de uma artimanha para que os advogados perdessem tempo em uma tarefa inútil.
Brian se manteve firme ao lado de Katrina tentando encontrar algo para vencer o caso e então a dupla se viu pela terceira vez jantando juntos e estreitando a relação. A refeição serviu para terem uma ideia de como provar a má fé do seu adversário mas também foi o momento para vermos com maior clareza um potencial romântico entre Katrina e Brian, um homem casado e com um filho recém-nascido – aparentemente Suits nunca vai deixar de flertar com o tema da infidelidade. A suspeita proximidade entre o par não deixou de ser notada por Donna. A COO exteriorizou sua preocupação em uma conversa com Katrina e a alertou que “nem sempre o coração escuta o que a cabeça diz que nunca faria” (Você fala com propriedade não é, Donna? Quero dizer, é no beijo em Harvey que você está pensando). Katrina assegura que seus sentimentos por Brian são só de amizade mas parece mesmo é que é só nesse momento que ela percebe que está se envolvendo e no que está se metendo.
Mais tarde, quando Brian traz más notícias sobre não ter conseguido novas evidências da má fé do adversário e Katrina se perturba com um recém chegado processo de difamação é que Brian acaba sabendo a importância daquele caso para a carreira da advogada. Ele reclama o papel de amigo dela, interessado em saber de tais coisas e em ajudá-la incondicionalmente. Katrina acaba encontrando uma saída para seu caso e percebe que precisará de mais uma longa noite de trabalho para realizar o que precisa para vencer. Imediatamente Brian oferece sua ajuda mas quando a palavra “esposa” é mencionada, um alarme dispara na cabeça de Katrina e ela dispensa a companhia e auxílio de Brian por aquela noite.
Após o trabalho feito e bem sucedido, Katrina recebe de Brian o agradecimento por ter sido dispensado e ter podido aproveitar uma noite agradável com a sua esposa. A pequena habilidade social e afetiva de Katrina é notada não só por ela nunca ter ouvido falar do “Clube dos Cinco” mas também por ela parecer tão inexperiente para dizer se algo se enquadra ou não nos limites da amizade. Assim é que ela acaba assentindo ao convite de Brian para almoçar “porque é isso que amigos fazem” – o que é verdade, ou apenas uma meia-verdade que o coração conta para a cabeça quando ele apenas quer seguir suas vontades.
Não está claro se Suits seguirá o viés romântico nessa relação mas, se assim for, o plot é por demais problemático. Brian tem um filho recém-nascido e é casado. Aparentemente muito bem casado. E além do mais, o interesse romântico parece completamente unilateral. Não desejo um sofrimento desses para Katrina, assim como não desejo que Brian jogue tudo para o ar para ficar com ela. Suits inventa uma trama romântica desse tipo e ao mesmo tempo faz funcionar um casal que discordava sobre a decisão de ter filhos e depois ainda tem a cara de pau de dizer que Darvey não acontece porque é “complicado”.
Enquanto minhas preces sobre Darvey não são ouvidas, outros pedidos acabaram sendo atendidos nesse episódio. Donna finalmente teve um plot próprio e conhecemos um pouquinho da sua vida fora do escritório. Claro que ainda há um hiato enorme de informações sobre a personagem que desejamos que seja preenchido, mas a trama dedicada a Donna nesse episódio agradou bastante.
Movida pelo desejo de retribuir de alguma forma o seu avanço na carreira, Donna resolveu colaborar em um grupo de caridade que ajudava meninas em risco e no qual trabalhava uma amiga sua, Peggy. Donna buscava entre os advogados da ZSL alguém que pudesse representar os interesses da organização e, depois de ouvir uma negativa de Alex, recebeu uma mão amiga de Samantha. Com toda a razão para desconfiar, haja vista que os primeiros contatos entre Donna e Samantha foram cheios de rusgas e desacordo, Donna inicialmente rejeitou a ajuda da advogada, mesmo após ouví-la dizer que de fato se importava com o trabalho feito por aquela organização na ajuda a meninas.
Há tempos que a infância de Samantha tem sido apenas insinuada mas ainda não esclarecida. Frequentemente Samanta cita vagamente alguma dificuldade que sofreu a exemplo de como comentou com Alex que a vida pode ser dura para uma adolescente, ou ainda de quando contou à filha dele sobre os problemas na escola, a expulsão e a luta para conseguir uma bolsa de estudos e ir à faculdade. Com essa base, o telespectador já tinha razões para crer que Samantha falava sério quando afirmou se importar com o trabalho desenvolvido pela instituição, mas Donna não. Foi só depois de ouvir Alex e pegar um pomposo cheque de doação no valor de cinco milhões obtido graças a Samantha, que Donna flexibilizou e resolveu aceitar a ajuda da advogada.
Um evento de gala organizado pela instituição de caridade foi o segundo sinal que Donna precisou para fortalecer seu voto de confiança em Samantha, já que ela decidiu comparecer ao evento para saber mais sobre o que aquelas pessoas faziam e, assim, mostrou o interesse que Donna precisava ver. A interação entre as personagens nesse evento também foi o sinal que precisávamos para ver que a dinâmica desse dupla é promissora e ganhamos muito mais se elas forem amigas do que aquele velho enredo enfadonho de mulheres em competição. Enquanto aquele flerte entre as duas não me pareceu mais do que brincadeira, também não me surpreenderia se a personagem de Samantha acabasse se revelando lésbica. Além do mais, Donna Paulsen é um baita de um mulherão e merece elogios de todas as partes.
Analisando as contas da instituição de caridade, Samantha encontrou algo que pôs uma pulga atrás de sua orelha. Ela compartilhou sua preocupação com Donna que pediu que a advogada não tomasse nenhuma providência até que ela mesma pudesse conversar com Peggy, a amiga da Donna que trabalhava na entidade. Por razões que só o passado de Samantha será capaz de nos dizer, aconteceu que a advogada não conseguiu se conter e acabou trocando algumas palavras com o CEO da instituição sobre a quantidade a maior que eles vinham direcionando para a arrecadação de fundos. A conversa resultou no fortalecimento nas desconfianças de Samantha, numa ordem de não pagamento daquele cheque doado e na demissão de Peggy.
Por Samantha ter justamente tomado uma atitude que custou a Donna uma amiga, a COO se viu mais uma vez em conflito com a nova advogada. Mais uma vez é Alex quem tenta reparar as arestas do embate entre Donna e Samantha e ele ratifica a Donna o quanto Samantha tem faro para detectar problemas desse tipo. Alex confiava no feeling de Samantha e depois de um tempo Donna resolveu confiar também.
Quando as duas abaixaram a guarda e pediram desculpas mutuamente, Samantha também mais uma vez deixou escapar como seu histórico de vida interferiu para sua atitude. Donna precisava de mais informações sobre Samantha para acreditar nas suas boas intenções e Samantha não conseguia abrir o jogo pois por alguma razão a vida lhe fez não confiar nas pessoas. Ainda sem saber completamente o que pode ter acontecido no passado de Samantha, Donna conseguiu enxergar e compreender seus motivos.
Assim, uniram forças mais uma vez para enfim descobrir quais falcatruas estavam por detrás da instituição e como derrubá-las. O poderoso duo feminino, ameaçando levar a história para a impressa, conseguiu forçar o desonesto CEO a se demitir e nomear Peggy como sua substituta.
Foi de fato um plot cheio de significado que além de atender a uma expectativa de muitos telespectadores sobre uma maior centralização de Donna a nas histórias, também deu conta de dar mais dimensões à personagem de Samantha, trabalhar de forma decente o relacionamento dessas duas personagens e ainda tocar em assuntos de interesse social.
Aqui e ali, Samantha se abriu um pouquinho sobre a sua história pessoal com outros personagens ao longo dessa temporada, mas aparentemente Donna terá/teria sido a primeira pessoa com quem ele compartilhou a história completa enquanto tomavam o tal drink que combinaram no final do episódio. Acredito que ela escolheu a melhor pessoa para isso.
Não é novidade para ninguém que o passado de Harvey também lhe deixou marcas que definem todo o seu comportamento desde o início da série. O episódio dessa semana revisitou o assunto na medida em que traçou mais um conflito no relacionamento dele com Louis.
Enquanto lidava com a notícia de que seu irmão estava de fato se divorciando, Harvey recebeu de Louis outras duas novidades que ajudaram a piorar sua desestabilização: 1. O seu primeiro cliente, atualmente cliente de Louis, havia decidido vender a empresa e não havia nada que Harvey pudesse fazer para mudar isso; 2. O compromisso de Louis em tentar engravidar Sheila o estava impedindo de comparecer a uma reunião de emergência com sua cliente e Harvey precisaria cobrir o colega.
Para quem tem apenas um conhecimento superficial sobre Harvey, isso tudo pode parecer uma bobagem e questões completamente contornáveis. Porém quem não se esqueceu dos seus problemas de abandono e de como os seus problemas familiares se enraízam na sua personalidade sabe que tudo isso assume uma outra dimensão na mente de Harvey.
Apenas para registro, o caso em que Harvey substituiu Louis foi sobre sua cliente ver suas vendas da empresa de cosméticos despencando após uma de suas modelos, uma digital influencer adoelscente, publicar um vídeo alegando que um produto da marca lhe deu alergia. A cliente então desejava processar a tal modelo e limpar o nome de sua marca. Mas o que importa mesmo é que Harvey resolveu tirar o caso das mãos de Louis definitivamente e mais uma vez exaltou seus ânimos para cima do amigo.
Louis levou o conflito para a terapia e depois de inebriar-se com a declaração do Dr. Lipschitz de que ele e Harvey têm um relacionamento, acabou convencendo o terapeuta a fazer um “aconselhamento de casal” com os dois. Mais difícil seria convencer Harvey. Felizmente para isso podemos contar com Donna Paulsen que tem inteligência emocional o bastante para perceber que as reações de Harvey contra Louis estavam sendo desproporcionais e na verdade tinham a ver com o problema que ele estava vivendo em sua família e como isso interferia em seus traumas ainda não suficientemente curados. Donna sabia que Harvey precisava da ajuda de alguém para lidar com as questões que o consumiam e o convenceu a tratar disso.
Louis pode ter enxergado que Harvey estava indo para aquela sessão simplesmente para tentar resolver os conflitos da relação deles dois, mas a verdade era que Harvey estava aproveitando a ocasião para poder trabalhar seus conflitos consigo mesmo. Harvey pode até ter dito na temporada passada para aquela outra terapeuta que ele era um novo homem, que não precisava de terapia e que estava em condições legais e psicológicas para se relacionar com ela; essa outra terapeuta pode até ter sido incompetente e antiética o bastante para aceitar essa conversa, mas o Harvey da oitava temporada e o novo terapeuta parecem mais lúcidos sobre os problemas que Harvey enfrenta.
Enquanto Harvey reproduzia como Louis soava para ele e falava um monte de coisas que sabemos ser verdade, foi seu gaguejar enquanto falava sobre o bebê que indicaram que ele escondia outras motivações para aquele assunto estar lhe incomodando tanto. Harvey precisou elaborar um motivo naquela hora e o que ele disse sobre isso não era a verdade de fato. Seja como for Louis se sentiu ofendido e a “terapia de casal” foi encerrada, mas foi o bastante para Lipschitz perceber que Harvey tinha um monte de questões a serem trabalhadas na terapia.
Embora tenha custado um pouquinho a convencer Louis a ceder parcialmente seu terapeuta a Harvey, este último não ofereceu nenhuma resistência quando Lipschitz lhe declarou que ele tinha questões a serem trabalhadas na terapia. Uma vez “autorizado” por Louis, Harvey simplesmente foi e deixou cair a guarda.
O terapeuta não deixou passar a ênfase de Harvey sobre os planos de Louis  ter um filho. “Quando vocês dois estavam aqui, você gastou um bom tempo falando sobre Louis ter um bebê. Você queria ter um bebê? Ou uma família?”. Enquanto a família de Louis tinha planos de crescer, a família de Harvey se separava. Lipschitz entendeu que os pólos dos tradicionais conflitos entre Harvey e Louis estavam invertidos e dessa vez era Harvey que invejava algo que Louis tinha ( E ainda tem por aí quem ache que a verdadeira natureza do Harvey é ser um mulherengo incurável hein?). Harvey não discordou e foi além. “Todos vão embora”. Ele trouxe à tona mais uma vez as suas questões de abandono, as pessoas que “saíram” de sua vida recentemente e como isso o amedrontava.
Como acontece com outras pessoas que são importantes para ele, Harvey também tem medo de perder espaço na vida de Louis. De acabar abandonado por outra pessoa que ele considera sua família.
Uma vez consciente de suas razões para se enfurecer tanto com Louis, Harvey abre o jogo com o amigo, explica seu comportamento e a base dele e deixa Louis em êxtase por expor claramente o quanto o amigo significa para ele. Se com Louis foi assim, imagina quando Harvey se tornar consciente de suas razões para temer tanto perder uma outra certa pessoa, uma cuja partida para o escritório vizinho lhe causou ataques de pânico. Imagina...

Notas:

1.       Mais festas de gala e mais oportunidade de ver Donna em vestidos deslumbrantes, por favor.
2.       “Eu estou em um relacionamento com o Harvey. Eu posso ser o menino? Ahh, esquece isso. Eu não dou a mínima. Eu estou em um relacionamento com o Harvey”. Deve ser isso que chamam de ‘broderagem’.
3.    Eu gosto de Katrina e Brian demais pra ver ela sendo transformada na destruidora de lares e Brian no marido infiel. Vamos parar por aí.
4.       A forma idêntica como Harvey simplesmente soltou para Donna e para Dr. Lipscritz que seu problema não tinha a ver com o divórcio do irmão (claramente mostrando que tinha sim) não é a toa. Donna de um certo modo tem um papel de terapeuta na vida de Harvey. Ele aponta os fatos a ela, ela lê o comportamento dele e lhe explica o que ele sente. Continua plausível a teoria de aquele relacionamento de Harvey na temporada passada não passou dele projetando os sentimentos que tem por Donna na terapeuta em razão das similaridades entre elas. Gostaria muito que enfim abordassem essa trama como transferência e finalmente pusessem um pouco de sentido na sétima temporada.
5.    Harvey menciona Donna pelo simples prazer de pronunciar o nome dela. Não havia a menor necessidade de, na terapia, detalhar que Donna foi quem deu o recado sobre a cliente de Louis.
6.       Ei, Harvey, você não imaginou que realmente ia precisar dos lenços na terapia não é?
7.     A atuação do Gabriel Macht atinge a excelência sempre que ele precisa fazer atuações mais dramáticas e não foi diferente nesse episódio.

 Curta Suits BRASIL!

         Assista a promo do próximo episódio "Sour Grapes":










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