2 de set de 2018

REVIEW- SUITS S08E07 ("Sour Grapes")

"Não, Harvey. Eu estou no meu cargo  porque eu mereci."


Seguindo a linha que tem marcado a temporada, o episódio dessa semana manteve o foco na abordagem dos personagens, mas fez isso de forma intercalada com os casos jurídicos apresentados. Assim, ainda quando uma questão pessoal do personagem não está sendo apresentada expressamente, ainda é possível vê-la refletida em algum aspecto do caso trabalhado.
Em alguns casos, porém, a parte jurídica tem sido completamente dispensada e os tópicos pessoais são a única abordagem feita sobre um personagem. É o caso de Louis que há muitos episódios tem sido desenvolvido tão somente em cima de seus próprios dramas (e do seu relacionamento com Sheila) e este excesso às vezes nos entedia. A saga pela paternidade ainda é o tema dele nessa temporada e, embora as cenas iniciais tenham nos feito pensar o contrário, esse enredo ainda não teve conclusão.
Acreditando que estava grávida, Sheila compartilhou a notícia com o companheiro e,  passados os momentos de comemoração – belos movimentos, Louis – , um novo drama teve início no relacionamento do casal. Louis é judeu, Sheila é católica e a questão da vez era sobre como criariam o filho deles em face dessa diferença: deveriam acompanhar as tradições judaicas de Louis ou simplesmente ter uma criação neutra quanto ao aspecto religioso? Acredito que a respeito do assunto filhos, Louis e Sheila já tiveram divergências mais cruciais como “quero ter/ não quero ter”. E ainda assim conseguiram chegar num acordo, certo?
Depois de Sheila se negar a conversar mais sobre as motivações de Louis nesse assunto – e assim já deixasse implícito qual seria a decisão dela deles sobre isso – Louis foi em busca de sua irmã Esther para auxiliá-lo a contar a seus pais que o neto deles não seria criado como judeu. Esther orientou Louis a insistir e conversar com sua parceira sobre como ele se sentia sobre aquele assunto. Depois dessa conversa acontecer e conflito continuar, foi a vez de Lipschitz fazer sua participação para ajudar a resolver o problema. O terapeuta ajudou Louis a enxergar que o judaísmo é, em sua essência, a sobre família e o mais importante ali não era a decisão que tomariam mas sim que ele e Sheila chegassem a essa decisão juntos.
O conselho de Stan pode não ter resolvido o conflito de Louis mas, junto com uma ligação de Esther para Sheila dando a ela as boas-vindas na família, acabou catalisando um novo avanço na relação entre Sheila e Louis. Pela segunda vez o casal teve uma proposta de casamento numa cena que, preciso dizer, apesar das minhas objeções sobre esse casal, foi romântica, bonita e bem executada.
Nem tudo, porém, é só felicidade. Os recém noivos acabaram se decepcionando quando descobriram que a gravidez de Sheila não passou de um falso positivo. Do lado de cá, me decepciono também porque isso quer dizer que esse plot ainda continua e eu firmemente acredito que ele já deu o que tinha de dar. A trama tem sido esticada ao limite para ter material suficiente para o arco da 8A mas a verdade é que ela não gera interesse o bastante pra nos manter presos a ela por tanto tempo.  Louis merece felicidade e eu acharia ótimo se Sheila finalmente engravidasse e ele tivesse o sonho realizado, mas se não for o caso, então que apenas superem esse ponto de uma vez.
Contudo, minha frustração não me impede de admirar o personagem de Louis mantendo-se forte perante Sheila depois da desilusão da gravidez e pouco depois permitindo-se desabar no conforto da leal e afetuosa Gretchen. Vivo pelas amizades da Zane Specter Litt.
Falando em amizades, uma nova aliança se fortaleceu nesse episódio entre o Managing Partner e a COO. Robert parece finalmente ter entendido os poderes de Donna e a sua importância dentro da empresa e, assim, abriu para ela todo o espaço para fazer o que faz de melhor.
Na tranquilidade do seu lar – e por lar eu quero dizer que o famoso Ap. 206 foi completamente redecorado, upgrade condizente com o salto da carreira de Donna – a COO recebeu uma ligação de Robert pedindo que ela enviasse Alex como seu advogado para resolução de uma questão pessoal. Robert ainda aproveitou a oportunidade para expor seu reconhecimento aos conselhos de Donna em relação à harmonia da firma.
Junto com os telespectadores, Alex descobriu que Robert resolveu ter um negócio paralelo no ramo dos vinhos. Aconteceu porém de perder toda a sua produção em razão de seu fornecedor não ter entregue os barris que comprou. Sabendo que todos os seus vizinhos não tiveram problemas na entrega dos barris, Robert interpretou que estava mais uma vez passando por uma situação de racismo – o que explica por que ele quis especificamente que Alex fosse seu advogado no caso.
Depois de conseguir com o fornecedor algumas informações que o ajudariam no caso, Alex quis informações de Robert sobre o motivo dele ter entrado para aquele ramo de vinhos, e Robert lhe contou sobre como aquilo tudo estava relacionado a uma forma de manter viva a lembrança de sua irmã já falecida. O fato de se preocuparem em mostrar Robert desenvolvendo uma atividade paralela à advocacia e essa atividade possuir um significado tão pessoal me fez considerar  a possibilidade de em um futuro próximo Robert se aposentar do Direito e liberar a vaga de Sócio-Gerente mais uma vez.
Após Alex ameaçar o fornecedor de barris com acusações criminais, a discussão esquentou e Robert trouxe a questão do racismo à tona. Foi então que o Sr. Newton revelou que a real razão para o tratamento que Robert vinha recebendo não tinha nada a ver com cor, mas com a sua atitude de rico poderoso em um lugar em que se vivia baseado nos conceitos de comunidade e trabalho de gerações. Robert era um estranho ao modo de vida daquele grupo e as pessoas ali o enxergaram como uma ameaça.
Enquanto Alex começou a enxergar a situação de outro modo e propôs pacificar a questão, a sede de briga de Robert ainda não tinha passado. Alex acabou despachado quando não concordou em simplesmente obedecer à vontade de Robert, porque embora ele fosse seu chefe, naquela situação ele na verdade simplesmente seu cliente.
Felizmente tudo isso aconteceu quando Robert já tinha deixado a porta aberta para Donna e sua incrível inteligência emocional. A COO conseguiu, com poucas palavras, fazer com que Robert percebesse as suas falhas e fizesse Alex dar meia-volta na sua viagem para casa. Juntos conseguiram enfim realizar uma forma de integrar Robert naquela comunidade e beneficiar a todos.
O que seria da ZSL sem a Donna, hein? Robert está fora da cidade há dias (inclusive, não aparecia há alguns episódios) e podemos considerar que é Donna quem está segurando todas as pontas na empresa. E ela ainda encontra tempo e paciência para solucionar conflitos a distância.
Um outro conflito veio a caminho de Donna quando ela teve que lidar com um Harvey exasperado pela notícia de que teria de ser advogado de David Fox. De graça. Por um ano. O encargo se deveu ao acordo que Donna precisou firmar com Fox, por conta de uma briga que o próprio Harvey arranjou com ele e sabendo que não seria capaz de ele mesmo chegar a um acordo, delegou a tarefa a Donna lhe dando carta branca para fazer o que fosse necessário para chegar a um entendimento. Donna fez e, já prevendo que Harvey reagiria mal, resolveu esperar que o próprio Harvey descobrisse sobre isso no momento oportuno.
Não faz muito tempo, Harvey precisou atender Jessica fora da cidade justo quando a empresa passava por um turbilhão de problemas. Na ocasião, ele deu carta branca para que resolvessem como fosse possível e quando voltou encontrou uma fusão com Zane que momentos depois ainda lhe custou o cargo de sócio-gerente. Não vi Harvey fazer tanto chilique nessa época como fez agora.
Ter deixado de contar a Harvey sobre o fato deu a Donna a oportunidade de, quando Harvey descobriu e foi questioná-la, esfregar na cara dele que ela fez o que ele lhe deu autoridade a fazer, mandar Harvey engolir seu sentimento sobre aquilo, agir pela equipe e fazer o que tivesse de ser feito. Na cara fechada de Harvey, eu quase consegui enxergar um “Sim, senhora”.
David Fox contava com os serviços de Harvey para adquirir um prédio, com o porém de que o edifício pertencia a seu maior rival que, com certeza, não estaria disposto a vender a ele. Após ter falhado no plano da compra através de um testa de ferro, nos deparamos com a cena inédita de ver Harvey fazendo as próprias pesquisas na biblioteca da empresa. Harvey está mesmo mudado, não?
Enquanto ele ainda procurava uma solução, Donna já tinha mandado Samantha para seu caminho como reforço. Samantha foi então oferecer seu auxílio (ou a solução pronta na verdade) e  Harvey só aceitou a ajuda depois de perguntar umas duas vezes se ela realmente veio a mando de Donna.
Tentando resolver a questão pelo método da advogada, acabou chegando ao conhecimento de Harvey uma atitude suspeita de David Fox. Fato que inclusive já era de conhecimento do seu rival Billows e que atrapalhava todos os planos. David Fox vinha fazendo pagamentos mensais a Peter Minto, inquilino de Billows, para que ele conseguisse manter a locação e não acabasse colocado para fora do prédio.
Interpretando que isso tudo devia ser um mecanismo de Fox para lavar dinheiro ou para cobrir qualquer outro ato criminoso, Harvey decidiu abandonar o caso desconsiderando o acordo que Donna fez. Tão errado...
Mais uma briga épica entre Harvey e Donna no saguão aconteceu e a cena me deixou a impressão de que eles estavam falando sobre muito mais coisas do que só o caso de David Fox. Está claro ali que há um monte de assuntos que os dois estão represando e que no auge desse momento dramático quase chegaram a estourar. Harvey e Donna podem ter terminado a temporada passada dizendo que estavam “de volta ao normal” mas o diálogo dessa discussão mostrou que isso não é verdade.
“Você está tomando o lado dela?”/ “Eu estou tomando o meu lado”. Há uma grande mudança na relação entre Harvey e Donna a partir da sétima temporada. Donna não é mais secretária de Harvey, ela não é a pessoa que sente na obrigação de ajudá-lo e estar ao lado dele não importa o que ele faça. Desde que se tornou COO ela se sente mais à vontade de falar e agir por conta própria e, muitas vezes, isso significa contrariar a vontade de Harvey. Na oitava temporada, em que Donna está mais confiante em sua posição, isso tem sido uma ocorrência mais frequente. Harvey não sabe como reagir quando Donna não lhe dá apoio.
“Diferente de você, ela se importa com minha reputação”/ “Você acha que eu não me importo com você?”. Donna falou de uma coisa e Harvey respondeu com outra totalmente diferente. A reputação de Donna naquele contexto é assunto profissional, falar sobre se importar com ela tem um conteúdo muito mais pessoal e talvez seja justamente sobre o pessoal que eles precisam conversar.
“Você está no seu cargo porque eu te coloquei.”/ “Não, Harvey. Eu estou no meu cargo porque eu mereci”. A fala de Harvey está no contexto do assunto “se importar com Donna” e demonstra como ele ainda associa um aspecto pessoal a uma resposta no âmbito profissional. Desenvolver relacionamentos no âmbito pessoal é algo que ainda não está na prática de Harvey. Sobre a gravidade da fala dele, entendo que Harvey falou isso realmente com a intenção de fazer um argumento de que ele se importa com Donna e não com o propósito de diminuí-la em sua conquista. Porém, com o histórico de Donna, que tem uma regra de não se envolver com os homens com quem trabalha para evitar uma impressão errada e ainda com todos os eventos recentes com Malik, é claro que as palavras de Harvey soariam erradas e agressivas aos ouvidos de Donna. É algo que atinge o ponto que mais tenta proteger. A resposta de Donna a Harvey é merecida e é verdade. Donna chegou lá porque mereceu, Harvey sabe disso e já reconheceu em outras situações. Ter pedido pelo cargo não muda os fatos. Aliás, não estão todos naquela firma sempre pedindo por cargos e promoções?
Depois de deixar claro que o fato de Harvey abandonar o cliente a colocaria no papel de mentirosa e sem integridade quando fosse tentar fazer outros acordo, Donna encerra a discussão com um “Vá em frente e faça o que você quiser. Você sempre faz de qualquer forma” me deixando a certeza de que essa conversa tem uma bagagem emocional muito mais pesada do que parece.
Preciso dizer que Donna está sem um pouco de razão nessa última fala porque pela terceira vez somente nesse episódio, Harvey abaixou a cabeça e fez algo somente porque o pedido partiu dela.
Fox ganhou uma nova chance de jogar limpo com Harvey e acabou compartilhando que o tal Peter Minto é seu tutor, alguém de quem ele se sente devedor, e então, vinha fazendo os pagamentos e tentando adquirir o prédio para que o homem conseguisse manter seus negócios. Quando perguntou por que David não disse isso antes, Harvey ouviu a resposta de que seu cliente precisa que as pessoas acreditem que ele é implacável. Harvey certamente se lembrou de quem ele costumava ser, alguém que não queria demonstrar que se importava para não parecer fraco. Digo “costumava ser” porque o próprio Harvey diz que não concorda com o pensamento de Fox, mas ficou claro que ele se identificou, o compreendeu e o valorizou pelos seus ideais de lealdade.
Agora, mais confortável com seu cliente, Harvey, juntamente com Samantha consegue encontrar uma forma de fazer Billows vender o prédio, com o porém de que, além de custar mais caro a David Fox, também poderia custar a ele a fama de durão, pois o bem que ele estava fazendo a seu tutor acabaria sendo de conhecimento geral. Um dia Harvey disse “Se importar apenas te faz fraco” mas agora ele diz a Fox “Ajudar Peter Minto a permanecer nos negócios não faz de você um trouxa” e convence seu cliente a aceitar a proposta.
Daí então ficamos apenas esperando aquela parte do episódio em que Harvey diz que Donna estava certa o tempo todo, como sempre acontece. Dessa vez, Samantha estava presente na ocasião e quando Harvey reconheceu que Donna tinha razão tanto em colocar David como seu cliente bem como em enviar Samantha para ajudá-lo a coisa toda acaba funcionando como um pedido de desculpas para as duas.
Com Donna e Samantha se juntando para fazer piada sobre Harvey, a cena me diverte, mas ainda não me satisfaz como um pedido de desculpas decente para Donna, e acredito que também não satisfaça a ela. “Uma desculpa muito fraca” como bem disse Samantha. A discussão do saguão tocou em pontos muito sérios da relação dos dois e eles precisam chegar a pratos limpos sobre tudo que estão reprimindo.


Notas:
1.       Esse episódio teve o belo trabalho de direção de Gabriel Macht e ele foi brilhante desde a composição dos cenários (Olá, apartamento lindo da Donna) até os movimentos de câmera.
2.       Quando estava assistindo o episódio fiquei na dúvida se Donna tinha mudado de apartamento ou apenas reformado. No twitter, Aaron Korsh esclareceu que Donna não se mudou. Aconteceu que a produção perdeu a locação e tiveram de recriar o ambiente no set, daí aproveitaram para fazer inovações.
3.       Katrina esquecida no churrasco mais uma vez e eu acho isso um erro gigante.
4.       Achei a participação de Esther pouco relevante no episódio. O que ela fez não foi muito diferente do que Lipschitz fez. Além de ser um reforço para mostrar a ligação de Louis ao judaísmo, não vi muita utilidade na aparição dela.
5.       Donna tem se aproximado muito de Samantha. Vai chegar o dia que precisarão escolher entre o nome de Wheeler ou Williams para pôr na parede e eu não tenho certeza se Donna apoiará o protegido de Harvey.
6.       “Donna não é mentirosa”. Com certeza não é. Exceto quando se trata de dizer o que ela sente por Harvey.
7.       “Péssimo para dar presentes”. De fato, a começar pelo dia que ele deu para aquela namorada dele uma chave de seu apartamento que antes pertencia a Donna, a mulher que ele de fato ama.
8.       Donna pode ter devolvido a chave do apartamento de Harvey mas o acesso a conta dele ela nunca deixou de ter hein?
9.       “As intenções são boas mas com duas semanas eu percebi que eu quisesse realmente curtir meu presente de aniversário, eu mesma precisava comprar”. Com duas semanas que trabalhavam juntos, Harvey estava tentando loucamente dormir com Donna. Não me espantaria se ele deu a ela uma lingerie como presente de aniversário (ou uma cesta com morango e chantilly).


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