10 de set de 2018

REVIEW- SUITS S08E08 ("Coral Gables")




"Eu espero que quando você esteja pensando em fazer as malas, você tenha alguém pra te impedir também"
Mais cedo, no início dessa temporada, falamos por aqui como Suits estava carente de uma nova premissa para se sustentar. Além da corrida pela promoção a sócio nominal e da saga de Louis para ser pai – enredos que não tem sido bem-sucedidos para prender a atenção do espectador – não há nenhuma outra trama se desenhando para uma resolução. Falamos também que, mesmo sem uma trama maior que amarrasse tudo, os micro-plots desenvolvidos para cada episódio ainda poderiam ser interessantes e fazer o episódio funcionar. Isso aconteceu algumas vezes durante essa temporada mas infelizmente não foi o caso do episódio dessa semana.
Em “Coral Gables” vimos um roteiro focado em trabalhar nos personagens de interesse mais questionável da série atualmente: 1) Louis e as agruras no caminho para a paternidade, plot que vem sido estendido em demasia e tem limitado o personagem a enredos apenas pessoais e melodramáticos; 2) Alex enfrentando uma dificuldade com seu cliente em razão de um erro de Gretchen, storyline que só reforçou o quando Gretchen, personagem recorrente, é tão mais interessante e querida pelo público do que Alex, personagem regular que segue sem conseguir conquistar a simpatia e não parece contribuir para a série num geral; 3) Samantha, personagem recente e ainda caminhando para cair nas graças do público, encabeçando um plot  jurídico fraco e pouco desenvolvido.
Juntar essas três linhas de uma só vez produziu um episódio de ritmo maçante e, ainda por cima , com ares de filler, já que ao final de 43 minutos não há qualquer desenvolvimento real de enredo.
Episódios com flashback costumam nos deixar animados, mas dessa vez o recurso foi usado para, pela milésima vez nessa temporada, trabalhar alguma fragilidade emocional de Louis. Em flashback nos encontramos com o Louis adolescente sofrendo bullying na escola por um colega que, nos dias atuais, veio a se tornar o médico especialista em fertilidade que estaria ajudando a ele e a Sheila. Louis se viu então nas circunstâncias de enfrentar os sentimentos negativos que ainda carregava pelos maltratos que passou, à medida em que não pretendia recuar um passo do máximo empenho que estava fazendo pela chance de ser pai.
Louis então rememorou o contrato que o jovem Louis firmou consigo mesmo de ser capaz de enfrentar seu perseguidor mas que, mesmo agora sendo um adulto, ainda não era capaz de honrar o compromisso. Dr. Lipschitz submeteu Louis ao exercício terapêutico de reviver mentalmente a experiência do bullying, mas agora como um adulto fazendo a caminhada da humilhação pelo pátio da escola e se permitindo ser trancado no armário da quadra esportiva. Lá, Louis adulto e Louis adolescente se encontraram e tiveram a oportunidade de debater o “autocontrato” não cumprido, mas também de relembrar a promessa que Louis fez consigo mesmo de, tendo um filho, educá-lo para ser uma pessoa diferente do seu bully. Escolher priorizar essa promessa permitiu que Louis ficasse em paz consigo mesmo para deixar aquele velho contrato de lado.
A cena tem os elementos para ser algo bonito e comovente, mas a oitava temporada tem trazido um combo de plots dramáticos sobre Louis que começou a tirar a minha disposição de me emocionar por ele. Nessa temporada Louis já se sentiu desvalorizado pelos seus sócios, já se transtornou para abrir mão do seu banho de lama, já sofreu um assalto e achou que morreria, já se decepcionou com um falso resultado positivo de gravidez... Não é minimizando os traumas que Louis carrega, porém a falta de dose na abordagem do seu aspecto pessoal acaba transformando aquilo que poderia ser um bom drama em mero dramalhão.
A ausência de Louis na empresa nesse episódio – além de ilustrar bem a sua falta de participação nos plots jurídicos da série há um bom tempo – acabou por ser o fato desencadeador da trama de Alex e Gretchen. Alex precisava na assinatura do sócio nominal para dar andamento a um empreendimento de seu cliente Na ausência do advogado, Gretchen se comprometeu a colher a assinatura do seu chefe e enviar para onde era necessário.
Mas enquanto Gretchen contava a Donna o filme embaraçoso sobre Louis e Sheila que passava na sua cabeça quando estava a caminho de encontrar seu chefe – oh, Gretchen! Nós temos que ver esse tipo de cena constrangedora quase toda semana – a distração tomou conta do espaço e Donna acabou levando o documento que a secretária precisava encaminhar por acidente.
Gretchen só percebeu o erro quando o estrago já tinha sido feito. O documento não chegou ao seu destino, a secretária não conseguiu contornar a situação e o negócio foi arruinado. O cliente estabeleceu a condição de que a secretária fosse demitida para que eles pudessem continuar fiéis aos serviços da ZNL. Ultimato que Alex se recusava a atender, embora estivesse penando por perder um cliente justo quando está competindo com Samantha por um lugar ao sol. Mesmo com Alex não cedendo ao desejo de sua cliente, Gretchen se viu frustrada quando percebeu que ela não foi capaz de encontrar uma saída para aquela situação sozinha, que sua rede de suporte entre secretárias não funcionava mais, que nenhum favor devido a ela foi capaz de ajuda-la e isso a fez pensar se era o momento da aposentadoria.
A cena mais significativa do episódio se passa então entre Gretchen e Donna e a COO se mostra profundamente sensibilizada com a situação da secretária, provavelmente se recordando – como eu me recordei – de quando Donna acabou demitida daquela vez que destruiu um memorando tentando salvar Harvey ou de quando, mais recentemente, ela decidiu deixar a empresa quando um ultimato semelhante foi exigido de Harvey. “Porque alguém que se ofereceria para fazer as malas por ele não aparece com frequência. De fato, quando ele descobrisse, eu aposto que ele estaria em meu escritório logo cedo, dizendo que você deveria ter um aumento”... Tal qual um certo alguém apareceu na porta de Donna rasgando a carta de demissão dela.
Todos nós sentimos um pouquinho daquele abraço entre Gretchen e Donna. Ainda não é a hora da aposentadoria de Gretchen e nós também não estamos prontos para ficar sem ela. Alex que fique sem seu cliente.
Não sabendo dos problemas do seu concorrente, mas apenas de seu recente sucesso no caso de Robert, Samantha esteve tentando durante esse episódio garantir a sua vantagem na corrida para ser sócia nominal.
Para isso ela planejava conquistar um novo cliente, retirando-o diretamente da cartela de Eric Kaldor, o antigo sócio de Robert. Samantha só não contava que Kaldor fosse conseguir virar a pistola contra ela o que acabou a obrigando a pedir ajuda de Harvey para lidar com o assunto. Enquanto tentavam achar uma saída e variavam a conversa entre Harvey tentando pescar informações sobre o passado de Samantha e esta enfatizando que ela e Harvey eram parecidos, os advogados acabaram concluindo que era bem possível que o documento que Kaldor estava usando contra Samantha fosse uma evidência fabricada. O que mesmo sendo verdade, não foi capaz de resolver o problema.
Quando Kaldor não pode mais usar esse recurso, ele se utilizou de um outro evento do passado de Samantha. Um caso criminal em que ela escondeu uma prova para poder livrar uma pessoa que ela acredita ser inocente e, em razão disso, acabou “exilando” para outro lugar uma colega que queria impedi-la de seguir seu intento. Betty Palmer, a tal colega, estava disposta a contar a sua história e pra que isso não acontecesse era Samantha quem precisava ceder um cliente a Eric Kaldor.
Samantha planejou então fazer uma visita a Betty para tentar dissuadi-la e acreditou que Donna não contaria a Harvey sobre seus planos (Que inocência, Samantha! Você não acabou de ver que Harvey já sabia até da sua saída com Donna outro dia?). Obviamente, não escondeu isso dele e Harvey confrontou Samantha sobre seus erros do passado e ordenou que ela atendesse à chantagem de Eric Kaldor, abrisse mão de seu cliente e desse fim àquilo tudo.
Samantha perdeu essa batalha mas não completamente. Ela desistiu do cliente mas também fez com que Eric Kaldor não o ganhasse. A vitoriosa foi Betty Palmer que ficaria com o cliente e ainda se tornaria sócia sênior do escritório de Kaldor. Dessa forma, Samantha se redimiu do que fez a Betty no passado.
Enquanto Samantha lamenta a sua derrota, Harvey resolve compartilhar com ela a derrota que ele também carrega: o caso de Mike. Samantha então reitera que se precisasse mais um vez enterrar uma evidência para livrar um inocente da prisão ela o faria. Harvey tem mesmo teto de vidro sobre esse assunto e não pode dizer nada, afinal ele já agiu de mil formas escusas diferentes para livrar alguém que era culpado.
Notas:
1.       Na falta de cenas entre Harvey e Donna nesse episódio, tivemos de nos contentar com os dois, em cenas imediatamente próximas, relatando os mesmos fatos sobre Mike e reafirmando de algum jeito a proximidade de consciência entre os dois.
2.       “Eu espero que quando você estiver pensando em empacotar suas coisas, você tenha alguém como você pra te impedir também”. Ahh Gretchen, fica tranquila, Donna tem uma pessoa assim sim.
3.       A semelhança física e de trejeitos do ator que interpreta Louis jovem é uma coisa que sempre me surpreende.
4.       Procura-se Katrina. Sério, dentre os três novos regulares, Katrina sempre me pareceu a personagem que tinha mais a contribuir até por ser quem mais tinha tempo de convívio com os antigos personagens e um histórico já conhecido do público. Porém esse já é o quarto episódio da temporada em que ela não aparece e sua presença é menor do que a de Sheila ou Lipschitz, personagens secundários.
5.       A falta de um plot  maior que amarre todas as pontas da série preocupa a essa altura do campeonato. Estamos nos aproximando da mid season finale e não há nenhum grande arco que coloque os telespectadores ansiosos para acompanhar a resolução.


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         Assista a promo do próximo episódio "Motion to Delay"










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