17 de set de 2018

REVIEW- SUITS S08E09 ("Motion to Delay")





O que você faz quando o grande arco planejado para a meia-temporada não é tão grande assim e você ainda tem um episódio até a mid-season finale? A essa pergunta Suits respondeu: trazer de volta um caso de um ano atrás e esperar que a memória do telespectador esteja em dia.
Em Motion to Delay, tivemos o reaparecimento de Tommy Bratton pedindo 20 milhões em uma acusação de conspiração contra os advogados da Zane Specter Litt por terem negociado dinheiro a favor de Frank Gallo (na verdade, de sua filha) para que ele abrisse o jogo a respeito do grande esquema criminoso que a Bratton Gould comandava na construção das prisões.
O time da ZSL procurou se organizar para encontrar uma saída. Enquanto Donna tentou puxar a filha de Gallo para o lado deles nesse impasse, Louis foi até Eli Gould, sócio de Tommy Bratton, utilizando-se de um antigo trunfo que tinha contra ele para tentar fazer o problema sumir. Nenhum dos dois teve bons resultados. Denise Gallo não tinha nada a falar do pai a não ser que ele faria qualquer coisa por dinheiro e seu depoimento não ajudaria o time da ZSL no tribunal. E Eli Gould não se mostrou satisfeito com a simples oferta de Louis de se desfazer da gravação que tinha contra ele. Gould queria mais e mais tarde apareceria para pedir que além da oferta de Louis, Harvey e Robert adicionassem 5 milhões e assumissem que tinham conspirado com Frank Gallo, colocando as suas licenças em risco.
O quadro fez Robert acreditar que estava diante de uma situação “policial bom/ policial mau” e que tudo não passava de um blefe de Bratton. Assim, colocou pilha em seu rival, revidando a sua ameaça com a fita de Gallo que denunciava todo o esquema criminoso da construção das prisões.
Acontece que Bratton estava falando sério e foi a fundo com o processo contra a ZSL. Só nesse momento, nosso time de advogados descobriu porque Tommy estava se arriscando tanto naquela empreitada e assim conseguiu encontrar uma tática para lutar contra ele. Tommy Bratton havia sido diagnosticado com câncer e tinha apenas um ano de vida. O plano da ZSL então seria atrasar o processo o quanto fosse possível para que não Tommy não vivesse para contar a história de como derrotou a ZSL. Enquanto Tommy Bratton garantiu a Harvey que ele estava o munindo com ódio para viver mais, isso também o encheu de stress o suficiente para ver sua vida cessada mais cedo que o esperado por um ataque cardíaco. E simples assim, Robert e Harvey viram a ameaça contra eles morrer. Literalmente.
Parece mesmo um plot que começou do nada e terminou em lugar nenhum, a não ser pelo fato de que levou Robert à conclusão de que a vida é breve. Isso, junto com o fato de que Robert tem um plano B em seus investimentos (a produção de vinhos) ou que Samantha já mencionou, em outro episódio, o dia da aposentadoria de Robert e, nesse, algo sobre ele ser “atingido por um ônibus”, me faz pensar que Robert de fato não durará muito mais no cargo de Sócio-Administrador. Aliás, “Managing Partner” não é o título da mid-season finale? Justo quando a “grande” questão levada para o episódio aparentemente seria a corrida entre Samantha e Alex para o cargo de sócio nominal?
Tocando nesse assunto, a disputa entre Alex e Samantha teve mais algumas batalhas nesse episódio. O cliente de Alex (Gavin, ex-cliente de Samantha, com fama de problemático) foi atrás do seu advogado pois, após ter sofrido um prejuízo em uma de suas obras de arte, recebeu da seguradora não a garantia de cuidar do seu dano mas uma ameaça de processo por fraude. Para piorar, a seguradora é cliente de Samantha, o que gerou um conflito de interesses e a necessidade de que, se aquilo fosse mesmo a tribunal, um dos dois desistisse de seu cliente.
Uma vez que tanto Samantha como Alex já tinham perdido clientes nos últimos dias, Robert não atendeu ao pedido da advogada de forçar Alex a largar seu cliente e, na verdade, ordenou que os dois acordassem uma forma de não deixar que a disputa virasse processo. Porém, tão logo a mesa de negociação foi montada ficou claro que aquele conflito não aconteceu naturalmente, mas sim, foi provocado por Samantha. A advogada convenceu sua cliente de que Gavin provocou o dano na pintura de propósito e a incentivou a processá-lo. Com isso, Samantha teria uma situação conveniente para fazer Alex perder um cliente e ganhar pontos na sua disputa interna pela promoção.
Em que pese Samantha ter ganhado minha simpatia nas últimas semanas, esse evento me fez questionar a sua capacidade de realmente integrar a equipe. Não há dúvidas sobre a capacidade profissional de Samantha, mas arquitetar um processo contra o cliente do seu próprio colega é um movimento desleal e não se encaixa no discurso que ela tem repetido sobre estar de coração naquele time. Das outras vezes que vimos Samantha sendo parceira e colaborativa, estava ela realmente interessada em ajudar ou em ter a quem pedir retornos depois? Com a falha da negociação, Samantha foi cobrar o favor que Louis lhe devia, pedindo que ele retirasse o cliente de Alex.
Louis ficou contra a parede, mas atender a esse favor seria melhor do que atender ao próximo que certamente seria seu voto no nome de Wheeler como próxima sócia-nominal. Assim, ele avisou a Gavin que Alex o deixaria – o que, pelo que as cenas seguintes deram a entender, Alex não fez – enquanto Harvey foi requerer de Robert que Alex se tornasse o próximo sócio-nominal – o que Robert também não fez.
Nessas circunstâncias o embate entre os clientes de Alex e Samantha segue seu curso e Harvey propõe a Robert que deixem seus jogadores duelarem, para assim decidir qual o próximo nome que vai para a parede. De um lado temos Alex, zero carisma, nunca sorri, metade das falas consistem em “quero meu nome na parede”, mas pelo menos já demonstrou fidelidade à empresa sem pedir favores em ocasiões anteriores. Do outro temos Samantha, altamente competente, figura imponente, mas com uma personalidade dúbia que joga tanto por si mesma que não temos certeza se é capaz de fazer algo pelo grupo sem segundas intenções. De minha parte, a parede fica como está (Ou esqueçam esse detalhe irrelevante de que é preciso um diploma de Direito e coloquem Paulsen. Paulsen sim é uma boa ideia).
No meio dessa briga por uma promoção, parece que alguém se lembrou de que Katrina é uma personagem regular da série e que estava na pendência de tornar-se sócia-sênior. Depois de, por duas vezes, passar por missões que a colocariam no cargo desejado, Katrina finalmente conquistou sua promoção, ganhou seu escritório e oficializou Brian como seu associado. O primeiro caso como sócia sênior seria ir atrás de uma empresa de moda que estaria plagiando modelos de sua cliente designer.
Nesse plot temos mais um capítulo de aprofundamento da relação entre Katrina e Brian. Comprometido (não escolhi essa palavra a toa) a não ser um associado que só acata as decisões da chefe, Brian, quando acreditou que já estava tudo meio que resolvido com o caso, insistiu para que ele e Katrina fossem comemorar a promoção dela. É na ocasião que descobrimos mais um pouco sobre Brian e ele compartilha um outro lado seu: um lado que outrora pretendeu seguir a carreira de compositor e que contava com o apoio da esposa nisso, mas que acabou se inclinando para o lado das leis, pelas quais ele percebeu que nutria igual paixão. Algo que a sua esposa não era capaz de entender, mas que Katrina facilmente poderia se identificar.
A comemoração afastou a atenção da dupla do contra-ataque que veio no dia seguinte, quando o fabricante de seu cliente fechou um grande contrato com a empresa rival no caso e de repente anunciou que não poderia mais dar conta da produção da cliente de Katrina – forma ilegal de convencer Katrina a abandonar o caso.
A sócia sênior não viu outra saída a não ser jogar com o blefe de que o fabricante e a empresa rival de sua cliente estavam agindo em conluio, blefe que ela não tinha provas para sustentar e sobre o qual Brian mostrou sua discordância. Katrina recuou da sua tática quando o rei do blefe, também conhecido como Harvey Specter, a aconselhou a fazê-lo pois o risco de exposição não valeria a pena naquele estágio da sua carreira.
De fato, Katrina não precisou mais mesmo do blefe, uma vez que com um pouco de exposição e risco, Brian foi capaz de conseguir para ela as provas da acusação que pretendia fazer. Assim, Katrina foi bem sucedida em sua primeira causa como sócia-sênior e quando planejou sair com Brian foi atingida pela realidade de que um outro lado de sua vida já não é tão bem sucedido assim.
Neste episódio, senti mais afastada a ideia de que haveria um romance entre Katrina e Brian. Essa trama parece ter surgido mais como um motor para indicar as carências de Katrina no lado pessoal e afetivo da sua vida, do que necessariamente para mostrá-la como alguém apaixonada por um cara casado e que não parece ter sentimentos românticos por ela. Assim, pelo menos, espero.
Ver Louis trocando de posições e sendo, dessa vez, o que acalenta e conforta foi um presente. Enquanto o lado romântico da vida de Katrina não se resolve, que pelo menos as suas relações de amizade sejam mais desenvolvidas e exibidas na série. Katrina é, sem dúvida, uma grande adição ao elenco e tem um potencial gigante para criar empatia no público. É uma pena que, dentre os três “novatos”, ela tenha sido escolhida para ficar mais de lado das tramas centrais da série.


Notas:


1.       Citações de Exterminador do Futuro com direito a Harvey entrando no personagem com sotaque e tudo mais? Estamos aqui para ver isso.
2.   “Eu não estou aqui a pedido de homem nenhum. Eu estou aqui por conta própria, de mulher para mulher, pedindo para você olhar a longo prazo e esperar”. Amém, Donna Paulsen! Que isso sirva para calar a boca de qualquer um que ainda pensa que Donna é só uma extensão de Harvey. 
3.    Me lembro de que quando Donna agradeceu a Samantha sobre ela ter lidado com o caso de David Fox, Samantha respondeu com um “Sei que você faria o mesmo por mim”. Seria mais um favor que Samantha cobrará quando chegar a hora?
4.     De um lado está Harvey dizendo a Katrina que a vida é longa. Do outro está Robert, após se chocar com a notícia de uma morte, concluindo que a vida é passageira e que ele só quer ir ver sua esposa. E de um outro tem eu mesma acreditando que talvez eu morra antes de Darvey acontecer. Gostaria de ver Harvey se dando conta da brevidade da vida e tratando de resolver o que ele precisa para além das paredes da ZSL.

 Curta Suits BRASIL!

         Assista a promo do próximo episódio "Managing Partner"







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