25 de set de 2018

REVIEW- SUITS S08E10 ("Managing Partner")- Mid-season finale



 
"Você está dizendo que é a real sócia-administradora?"
Seguindo o que já havia sido indicado no episódio anterior, a mid-season finale abordaria uma batalha direta entre Samantha e Alex para enfim decidir qual dos dois se tornaria sócio nominal da empresa e finalmente dar uma conclusão ao arco desta meia temporada. O outro plot pendente de fechamento era a (muito) longa e cheia de dramas luta de Louis para tornar-se pai, e isso também teve seu espaço no episódio.
Claro que as boas novas não poderiam vir sem uma anterior dose de conflito entre o casal mais envolvente da série ( Modo ironia ativado). Sheila conseguiu uma oferta de emprego para assumir interinamente o cargo de diretora da faculdade de Direito de Columbia, com possibilidades de conseguir a posição permanentemente. O problema é que o casal já havia entrado num acordo de que quando o bebê nascesse, Sheila recuaria de suas atividades profissionais para estar mais presente na criação de seu filho ou filha, Louis, porém, não queria permitir que a possibilidade de Sheila ficar com o cargo de forma permanente mudasse o combinado entre eles.
Essa é mais uma das vezes em que percebemos a esquisitice no relacionamento de Louis e Sheila, que decidiram de supetão sobre ter um filho mas que vivem batendo testa continuamente sobre os impactos de uma criança na vida deles. A única coisa que me deixa contente é que foi também uma das raras vezes que Suits abordou a possibilidade de uma mulher ter uma vida profissional e uma vida familiar caminhando em harmonia. Quase sempre as vemos tendo que escolher entre uma e outra coisa, enquanto aos homens é dada a oportunidade de conjugar as duas áreas.
Vimos também Louis, graças ao aconselhamento de Katrina, se dando conta de que ele também poderia ser aquele no relacionamento que daria uma pausa na vida profissional em prol de criar seu filho ou filha – ainda mais que era dele mesmo o posicionamento de não querer a assistência de uma babá.
Enquanto Louis se debatia em infinitas DR’s, há uma disputa acontecendo no escritório. Recapitulando o cerne do processo entre Samantha e Alex, basta dizer que o advogado defendia o cliente que buscava reparação da corretora de seguros por uma obra de arte estragada durante uma viagem; já Samantha defendia a seguradora que argumentava que o tal estrago do quadro não passava de uma fraude. Alex largou na frente na disputa uma vez que contou com a ajuda de Harvey para adiantar a audiência e retirou de Samantha o tempo necessário para para se preparar. Samantha não contou com a mesma sorte e seu protetor acabou se negando a se envolver e prestar ajuda. Só após passar por maus bocados no tribunal, Samantha conseguiu alguma ajuda por parte de Robert que se comprometeu a dar fim em documentos que provavelmente dificultariam a vitória de Samantha. Documentos que ela se negou a ver e assim buscou evitar qualquer acusação de estar ocultando evidências.
Nesse episódio também compreendemos mais sobre a relação de proteção entre Robert e Samantha e como isso surgiu. Em um flashback de doze anos atrás, após ter sido abordada pelo FBI que sondava uma possível lavagem de dinheiro no escritório em que ela trabalhava, Samantha recebeu a missão de apurar as contas do escritório e descobrir o que se passava. Enquanto executava sua tarefa, se esbarrou com Robert tendo as mesmas desconfianças e então traçaram o plano de investigar juntos e compartilhar as descobertas.
Foi então que Samantha acabou descobrindo que Robert foi envolvido contra a sua vontade no esquema de lavagem de dinheiro do escritório. Ela estava pronta para denunciar tudo diretamente a polícia até que Robert a fez recuar quando mencionou ter uma filha e que se preocupava com o estrago que poderia ser feito no futuro dela se a carreira do seu pai recebesse uma marca criminosa. Samantha nunca viveu um cuidado paternal, ela nunca conheceu seus pais e foi criada no sistema de acolhimento sem nunca ter um lugar para chamar de lar. Ela encontrou em Robert alguém para preencher o espaço de cuidado que lhe faltava e, querendo estabelecer esse vínculo, ajudou Zane não entregando o esquema criminoso às autoridades e usando esses fatos como ardil para afastar os sócios nominais do escritório e colocar o nome de Zane na parede. Samantha compreendeu que ainda não era sua hora para figurar ali, mas contava com o apoio de Robert para ajudá-la quando esse dia chegasse.
Porém, nos tempos atuais tudo parecia estar se resolvendo no sentido de Alex ganhar a briga, até que Samantha conseguiu algo contra o seu adversário: o testemunho do avaliador do cliente de Alex declarando que foi consultado por ele para descobrir vantagens na eventual destruição da pintura. Samantha teve seu adversário nas mãos mas cedeu quando ele atingiu seu calcanhar de Aquiles mencionando família – esse é mesmo o tema de Suits afinal de contas. Samantha caiu na conversa de Gavin e lhe deu um dia de prazo antes de liberar para o juízo o depoimento que seria sua ruína. Um dia foi o suficiente para que Gavin coletasse todas as violações éticas de Samantha nos últimos anos e fosse até Alex apenas informá-lo de que o novo plano a ser seguido seria a ameaça à carreira da advogada.
Negando-se a ir tão longe, Alex encontrou outra saída para vencer sem colocar a licença de Samantha em risco, mas para isso ele precisaria colocar uma outra pessoa para praticar algo duvidoso. Eles precisavam de acesso ao documento que Samantha se negou a olhar e confiaram na desatenção de quem confundiria Katrina, sócia sênior loira da ZSL, com Samantha e forneceria o relatório comprovando que a empresa de embalagem economizou nos materiais e que a seguradora sabia disso. Bom, foi o que de fato aconteceu
Samantha aceitou a batalha perdida mas não a derrota de não ter seu nome na parede. Assim, reclamou a Robert que pagasse o favor que ele lhe devia, colocando de lado o acordo que fizeram e simplesmente cumprindo a promessa de fazê-la sócia nominal.
Donna foi a única pessoa a perceber que todo esse conflito interno poderia significar a ruína da empresa (e ainda tem gente que acha que essa mulher não deveria ter sido promovida porque não tem um diploma) e então resolveu intervir.
A COO foi atrás do único sócio nominal que não estava se envolvendo em impasses diários dentro da empresa – Louis  ( alguém que esteja nas primeiras temporadas e caia de paraquedas nessa sentença deve achar essa frase surpreendente) – para lhe pedir que ele fizesse a maior das intervenções: tornar-se o novo sócio-administrador. Acontece que Louis tinha acabado de tomar a decisão de tirar um tempo fora do escritório, uma vez que Sheila ficou grávida e seu sonho de seu pai finalmente estava virando realidade. Donna então lhe lembrou que ainda haveria nove meses até lá, mas que naquele momento a firma precisava dele.
Então quando os ânimos entre Harvey e Robert estavam mais exaltados do que nunca e parceria deles estava prestes a desabar, Donna e Louis surgiram para explicar como seria o novo funcionamento da empresa a partir de agora. Louis é o novo sócio-administrador e a sua primeira decisão é promover Alex e Samantha como sócios nominais ao mesmo tempo. A ideia sustentada por dez episódios de que isso não poderia acontecer, sob pena de tirar todo o significado da coisa, foi esvaziada em duas cenas e a decisão acabou aceita por todos. Em dez episódios o nome da empresa foi alterado duas vezes e agora temos uma Zane Specter Litt Wheeler Williams para lidar na 8B.



Notas:
1.       Zane Specter Litt Wheeler Williams: Não sei se isso é o nome de uma empresa ou um abaixo-assinado.
2.       “Eles dois podem aceitar isso ou eles dois vão embora porque eu estou cansado dessa merda”. Acho que nunca me identifiquei tanto com uma fala de Louis.
3.       Aprendemos bastante sobre Samantha, mas seu passado ainda não está completamente revelado. O FBI tinha informações sobre ela, arquivos selados de uma história que ela faz questão que ninguém conheça.
4.       Quando Suits perdeu metade do seu elenco original e resolveu integrar personagens novos, fez também a decisão de colocar dois desses personagens no centro do arco principal para a temporada. É uma decisão ousada porque implica em fazer o público se importar com profundidade com personagens que ainda não conhece bem, ao mesmo tempo em que lida com o luto pelos personagens que se foram. Para quem não conseguiu se ligar a Samantha e Alex, essa pode ter sido a finale mais maçante da série (ainda que o plot jurídico tenha sido, no geral, bem executado). Porém, agora que o enredo está finalmente encerrado, espero que esses personagens possam oferecer material mais interessante do que exigir diariamente seus nomes na parede.
5.       O enredo sobre Louis ter um filho durante a temporada muitas vezes me cansou, mas não deixo de me sentir feliz pela cena em que Louis conta a boa-nova a Harvey e podemos vê-lo genuinamente feliz pelo amigo. Amigo esse que percebeu que trabalho e posição profissional não é realmente o que importa na vida. Quando Harvey também irá finalmente correr atrás do que falta em sua vida?
6.       Como já tem sido tradição em finales, o episódio terminou uma cena entre Donna e Harvey para encher os fãs de falsas esperanças de que eles ficarão juntos em breve. Dessa vez tivemos Donna e Harvey saindo juntos para beber, de braços dados, e ela, em tom de brincadeira, o chamando de lindo. Migalhas, migalhas.
7.       Donna pode não ser a Sócia-Administradora de direito, mas está bem claro que será de fato.




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